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Memórias e trajetórias são destaque na individual de Chiharu Shiota

Trabalhando a memória e as trajetórias humanas através de fios de lã e objetos cotidianos usados, a japonesa Chiharu Shiota apresenta, desde setembro deste ano, três instalações na mostra "Em Busca do Destino" planejadas para ocupar a fachada, o piso térreo e o espaço expositivo do SESC Pinheiros até o dia 10 de janeiro de 2016.

As instalações de sua primeira exposição na América Latina contaram com a colaboração do público - que desde julho é convidado a doar sapatos usados e enviar cartas de agradecimento para duas das obras montadas na instituição - e o trabalho de colaboradores que ajudaram a artista a montar as grandes obras na unidade do SESC em Pinheiros, com mais de 3.300 novelos de lã, 50 mil grampos e 200 malas.

Com curadoria da historiadora de arte Tereza de Arruda, "Em Busca do Destino" remete ao ato de criar com as próprias mãos e a tecelagem, assim como à caligrafia oriental, como é possível observar nos traçados da artista que inaugurou a mostra no SESC simultaneamente à sua participação na 56ª Bienal de Veneza, onde representava o Japão. A conexão das cartas, malas e sapatos por fios de lã conectam também histórias e memórias humanas que permanecem nestes objetos.

Chiharu Shiota, Além dos Continentes, 2015 (Foto: Tauã Miranda/InfoArtSP)

Instalações:
Além dos continentes.
Na fachada da unidade, cerca de 300 sapatos doados pelo público se conectam a um mesmo ponto através de fios de lã vermelha que compõe a instalação. Os sapatos representam deslocamentos da vida, carregando neles próprios as marcas dessa trajetória.

Chiharu Shiota, Além dos Continentes (detalhe), 2015 (Foto: Tauã Miranda/InfoArtSP)

Acumulação
Aproximadamente 200 malas, adquiridas pela artista em lojas de antiguidades e produtos usados de Berlim, Alemanha - país onde reside desde 1996 -, estão ligadas ao teto por fios vermelhos que compõem a segunda instalação da mostra, representando o que realmente precisamos quando estamos nos deslocando.

Chiharu Shiota, Acumulação, 2015 (Foto: Tauã Miranda/InfoArtSP)

Chiharu Shiota, Acumulação (detalhe), 2015 (Foto: Tauã Miranda/InfoArtSP)

Cartas de Agradecimento
É a mais impressionante das instalações devido ao seu tamanho e complexidade de tramas. Agradecer pode ser difícil, segundo Chiharu. Para isso, mais de 3.000 cartas manuscritas foram coletadas cerca de dois meses antes da inauguração da mostra e grampeadas a fios de lã preta que se entrelaçam e formam túneis por onde os visitantes podem caminhar e ler as mensagens de agradecimento.

Chiharu Shiota, Cartas de Agradecimento, 2015 (Foto: Tauã Miranda/InfoArtSP)

Chiharu Shiota, Cartas de Agradecimento (detalhe), 2015 (Foto: Tauã Miranda/InfoArtSP)