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Direitos de indígenas no Brasil e catástrofe de Brumadinho: o que artistas como Claudia Andujar têm para dizer sobre isso

por bigorna.art.br

De um lado, povos nativos do Brasil já sofrem com a medida provisória do novo governo de colocar a Funai, maior organização frente aos direitos indígenas, sob a responsabilidade do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Para piorar, tem ainda a incrível contradição de que a delimitação de suas terras fica agora para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que, claro, vai lutar pelos seus interesses (vulgo exploração da terra) e não pelo direito dos povos nativos de a ocupar. De outro lado, a catástrofe de Brumadinho, no último dia 25 de janeiro, cujo rompimento da barragem da Vale já soma 65 mortos (99 segundo a última atualização) e 259 desaparecidos. Desastre devido à exploração indevida da terra, que veio a ocorrer na mesma cidade onde está o Instituto Inhotim, maior museu a céu aberto do mundo. Não é de hoje que vários artistas vêm alertando sobre a velocidade de exploração (que só aumenta), a falta de respeito com os povos nativos e a urgência da riqueza a qualquer custo por parte dos dirigentes do governo:

 Obra de Claudia Andujar, em cartaz no IMS Paulista. Créditos: Sofia Saleme.

ÍNDIOS? QUE ÍNDIOS?
Em 2015, Claudia Andujar ganhou um pavilhão inteiramente dedicado à sua obra no Instituto Inhotim: são mais de 400 fotografias feitas entre 1970 e 2010 pela suíça radicada no Brasil, que dedicou literalmente toda sua carreira (e vida!) para aproximar o cotidiano dos Yanomami de outros brasileiros, que costumam deixar de lado a sua presença em território nacional. (Por pouco, este pavilhão também não foi coberto de lama, como grande parte da cidade de Brumadinho). Seu trabalho louvável vem sendo enaltecido no mundo todo e, atualmente, ganha destaque na exposição "Claudia Andujar – a luta Yanomami", em cartaz no Instituto Moreira Salles, até 7 de abril. Estão no prédio da Avenida Paulista, em São Paulo, centenas de cliques que vão do dia-a-dia da tribo e registros de rituais a imagens de queimadas e séries como Marcados, retratos que ela fez nos anos 1980 para os cadastros de saúde numa tentativa de proteger os índios da dizimação por conta de doenças até então desconhecidas por eles.

O CÉU VAI CAIR
Claudia começou a fotografar os Yanomami em 1971, e com eles conviveu longas temporadas até 2000, sempre lutando pela demarcação das terras indígenas no país e atuando como uma peça chave para diálogo com os Yanomami. Na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) na qual participou em 2014, já aos 83 anos, ela profetizou: “O ser humano tem que respeitar a vida. Se não a respeitarmos o céu vai cair e o mundo vai acabar. Seres desaparecerão no submundo”. A delimitação de terras e a sua entrega pelo Estado às comunidades indígenas é garantida pela Constituição – cerca de 14% do território brasileiro está destinado para este fim. Agora, com as novas medidas de Bolsonaro, a porcentagem só vai cair.

Continue a leitura do texto completo no site BIGORNA.

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