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Casa do Povo lança campanha de financiamento coletivo para realizar obras no edifício

A instituição, que é um centro de cultura e memória, busca colaboração para viabilizar espaços do prédio que estão em desuso e continuar recebendo coletivos, projetos e artistas

da redação

A Casa do Povo – centro cultural e monumento vivo erguido no bairro do Bom Retiro em 1953 em homenagem aos que morreram na Segunda Guerra - inicia no dia 14 de outubro uma campanha de financiamento coletivo a fim de arrecadar recursos para realizar obras emergenciais no edifício. O objetivo é arrecadar pelo menos R$75 mil por meio de contribuições de R$20 a R$10 mil até 14 de dezembro.

Hoje, o edifício da Casa do Povo está cada vez mais vivo e a rede de pessoas que o frequenta é cada vez maior. Porém, o prédio, que já tem 62 anos, sofre com problemas como infiltrações graves e goteiras que impossibilitam a abertura de alguns espaços ao público. E para a Casa do Povo continuar acolhendo cada vez mais projetos e mais visitantes, é preciso realizar essas obras de infraestrutura. “O valor arrecadado será revertido na impermeabilização da laje e na troca das telhas do terceiro andar do edifício, que hoje se mantem fechado por falta de recursos para adequar sua estrutura. Assim, as goteiras que atingem o edifício serão evitadas e o objetivo de reabrir o terraço da instituição para novas atividades ficará cada vez mais próximo”, explica Benjamin Seroussi, um dos diretores da Casa do Povo.

Fachada da Casa do Povo / Divulgação

Para contribuir, basta acessar www.catarse.me/casadopovo. Além de ajudar a manter viva a história da Casa do Povo e suas atividades, os colaboradores podem levar recompensas exclusivas, feitas por integrantes dos coletivos e artistas que atuam na instituição, como bolsas de pano da Casa do Povo; todas as últimas edições do jornal Nossa Voz que já estão fora de circulação; foto com tiragem limitada do fotógrafo Bob Wolfenson; ingressos para apresentações do Lote Osso, do coreógrafo Cristian Duarte; obras do artista Daniel Lie; desconto nos tênis Vert; pôsteres Casa do Povo de edições limitadas e feitos pela designer Carolina Aboarrage e pelo coletivo Ocupeacidade; gravuras da artista Maíra Dietrich; ilustração exclusiva com edição limitada do artista Marcelo Cipis, entre outros.

A campanha de financiamento coletivo é, também, uma retomada da iniciativa de seus fundadores, que construíram o edifício por meio de uma ação colaborativa. Na época, a fim de arrecadar fundos para a construção do prédio, foi realizado um financiamento coletivo por membros da comunidade judaica recém instalada no Brasil e que fugia da Segunda Guerra Mundial. Cada um colaborou comprando simbolicamente um tijolo que mais tarde ergueria o edifício.

Esse espírito colaborativo resultou no nascimento da Casa do Povo, em 1953, como um espaço cultural aberto à cidade, inspirado na ideia de homenagear os que morreram na Segunda Guerra, e ao mesmo tempo criar um espaço que pudesse reunir o que havia de mais vanguardista na época.

“Isso se realizou na inauguração da Casa do Povo como ‘monumento vivo’, um lugar onde lembrar é agir. A tradução concreta dessa ideia está visível na construção de um prédio cru, sem grandes placas comemorativas ou agradecimentos pessoais, aberto a novas práticas e encontros, e com um programa arquitetônico que não se prende a um único tipo de uso”, diz Seroussi.

Com mais de dois mil metros quadrados divididos em cinco pavimentos, o prédio da Casa do Povo foi construído seguindo um projeto modernista de Ernest Mange, com plantas livres para se adaptar às demandas do passar do tempo. Essa maleabilidade permitiu que o prédio se firmasse como um território fundamental para as artes em São Paulo, extrapolasse os limites da comunidade que o criou, acolhendo diversas iniciativas já existentes no bairro e na cidade, reunindo no mesmo espaço a biblioteca do Centro Cultura e Progresso, grupos de teatro, a Escola Scholem Aleichem e o jornal Nossa Voz.

Após enfrentar um longo período de esquecimento e decadência, que acompanhou de certa forma o abandono da região central de São Paulo, a Casa do Povo iniciou em 2011 um projeto de renovação que desse continuidade aos ideais de seus fundadores. Após quatro anos de trabalho intenso, a Casa do Povo voltou a se inserir no calendário cultural de São Paulo, se firmando como um dos poucos espaços da cidade que abriga e incentiva práticas artísticas focadas no processo, na experimentação e na transdisciplinaridade.

Diversos artistas, grupos e iniciativas, que atualmente representam o que há de mais interessante na cena cultural local e internacional, já passaram pela Casa do Povo. Entre alguns nomes, estão o Teatro da Vertigem, Cristian Duarte, Martha Kiss Perrone, Coletivo Ocupeacidade, Karlla Girotto, Feira Tijuana de Arte Impressa, If I can't dance I don't want to be part of your revolution..., Amilcar Packer, Mauricio Ianes, Cneai, Organismo Parque Augusta, Raquel Rolnik, Yael Bartana, coletivo The Anxious Prop, Marta Soares, Voodoohop, Beto Shwafaty, Baixo Centro, Índio é Nós, Vera Sala, Inside Out, Erika Verzutti, Movimento Passe Livre, Arts Collaboratory, Peter Pal Pelbart, Rios e Ruas, Neo Muyanga, Usina, Wendelin van Oldenborgh, Círculos de Cidadania, Michel Lowy, Maíra Dietrich, Bernardo Kucinsky, Associação Amigos do Bom Retiro, entre outros.

A laje e o telhado do espaço são os principais problemas estruturais do prédio de mais de 60 anos / Divulgação

Casa do Povo
Inaugurada em agosto de 1953, a Casa do Povo é um monumento vivo, erguido em homenagem aos que morreram na Segunda Guerra. Se firmou como importante centro cultural nos anos 60, e foi um dos focos de resistência à ditadura nos anos 70. O prédio, que já foi sede do Teatro TAIB e da Escola Scholem Aleichem, atualmente está em processo de retomada das atividades por meio de iniciativas ligadas à cultura contemporânea, acolhendo diversos grupos engajados em seus contextos e realizando atividades próprias voltadas ao desenvolvimento de novas práticas artísticas. 

Divulgação

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