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Blog do Juan Esteves: Instituto Moreira Salles (IMS) anuncia seu novo diretor artístico

O IMS apresentou hoje o seu novo Diretor Artístico, o curador português JOÃO FERNANDES subdiretor do MUSEO REINA SOFÍA, de Madri, Espanha, um dos mais importantes museus do mundo.

Fernandes substituirá a partir de agosto deste ano, o filósofo italiano LORENZO MAMÌ, curador chefe, que retorna para seus projetos no meio acadêmico da Universidade de São Paulo.

Por questões de adequação as normas legais modificadas há dois anos, o cargo agora passa a ser diretor artístico, o que segundo o jornalista FLÁVIO PINHEIRO , superintendente do IMS, é de certa forma mais abrangente e multidisciplinar devido a diversidade de atuação do instituto que abraça a fotografia, música, literatura e iconografia, entre outras atividades.

João Fernandes ocupa o cargo no Reina Sofia há 6 anos. Anteriormente já havia sido curador em importantes exposições do igualmente importante Museu de Arte Contemporânea de Serralves, na cidade do Porto, em Portugal, de 1996 até 2002, quando passou a dirigir o o mesmo de 2003 a 2012.

Para o curador, trabalhar no Brasil será “ um desafio fascinante além de uma grande responsabilidade dar continuidade ao que o IMS já vem produzindo.” Uma de suas intenções é “tornar a cultura brasileira ainda mais visível, através do binômio compartilhar a cultura brasileira aqui e no exterior e trazer a cultura internacional para o Brasil”.

A proposta acompanha as últimas realizações do IMS, como as mostras do suíço ROBERT FRANK que inaugurou a sede nova da Paulista em 2017 ou o americano IRVING PENN (1917-2009) uma cooperação com o Metropolitan Museum (MET) de Nova York, a italiana LETIZIA BATTAGLIA e o chileno SERGIO LARRAIN( 1931-2012) com a curadoria de Agnès Sire, diretora artística da Fondation Henri Cartier-Bresson, estes dois últimos em cartaz na sede paulista.

João Fernandes ressaltou o desafio de trabalhar com a cultura brasileira, a nossa miscigenação, uma ampla diversidade cultural que não existe na Europa, a fusão entre o popular e o erudito. Também incluiu o Brasil nos movimento mundiais. “conhecer o passado é um instrumento importante. Uma pessoa nunca fica impassível diante de uma obra de arte.” Diz ele. Também enfatizou a construção de uma cultura a partir destas diferenças.


Crédito: Juan Esteves

As conexões com o Brasil já vinham acontecendo para o curador português através de mostras no Reina Sofia como a da artista mineira LYGIA CLARK (1920-1988), a fluminense LYGIA PAPE (1920-2004) e o carioca CILDO MEIRELES, a integração de artistas portugueses como ARTUR BARRIO e ANTONIO MANUEL que atuam no Brasil, e também com o importantíssimo crítico de arte e pensador pernambucano MÁRIO PEDROSA ( 1900-1981 ) e a exposição sobre sua obra De la naturaleza afectiva de la forma, que ocorreu de abril a outubro de 2017, segundo ele um dos pensadores mais importantes do século XX na América Latina.

Nascido em 1964 em Bragança com carreiras na academia e nas artes da cidade do Porto, João Fernandes graduou-se em línguas e literaturas modernas na Universidade do Porto. É conhecido por cruzar artes visuais com artes performáticas e o cinema, trabalhando com compositores, músicos, coreógrafos e dançarinos, como, por exemplo, com os americanos LAURIE ANDERSON, performer, a coreógrafa TRISHA BROWN, os músicos CECIL TAYLOR (1929-2018) e ARTO LINDSAY ou a coreógrafa paulistana LIA RODRIGUES. Foi membro de diversos organismos consultivos de museus internacionais e participou de vários júris, como o de exames da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris. É atualmente membro do Comitê Cientifico do Museu de Arte Contemporânea de Trento e Rovereto – Mart (Itália).


As filhas do pescador, Los Horcones, Chile, 1956. © Sergio Larrain/Magnum Photo

Antes de assumir o cargo efetivamente em agosto deste ano, Fernandes irá participar das reuniões mensais no Brasil, até mudar-se definitivamente para São Paulo, o que para ele será um desafio no atual momento em que o país vive, assim como foi também na Espanha. Sua ideia, por ora, não é importar projetos mas sim produzir uma cooperação, em meio aos cruzamentos que arte oferece juntamente com a história. “o IMS tem histórias universais” ressaltou em tom bem animado.

O Instituto Moreira Salles tem uma posição singular no panorama cultural brasileiro. Fundado em 1992 pelo embaixador e banqueiro WALTHER MOREIRA SALLES (1912-2001), tem sedes em 3 cidades, Poços de Caldas, onde ele nasceu, Rio de Janeiro cidade onde morou e São Paulo. Seu importante acervo está dividido em quatro áreas: Fotografia (2 milhões de imagens), Música (30 mil discos de 78 rpm, além de arquivos de compositores seminais, uma Iconografia (desenhos, aquarelas e trabalhos de artistas gráficos) e Literatura (com cerca de 150.000 itens de arquivos de 27 escritores e pensadores).Promove exposições de artistas internacionais e brasileiros além de mostras de cinema, espetáculos musicais, publica catálogos, livros e as revistas serrote, de ensaios, e ZUM, de fotografia contemporânea.

 
Crédito:Bruno Fernandes/Acervo IMS

João Fernandes irá encontrar uma programação já fechada em algumas mostras importantes. Ainda em 2019, em outubro o IMS paulista receberá uma grande retrospectiva da fotógrafa americana SUSAN MEISELAS. Já em 2020, realizará uma grande mostra do fotógrafo baiano MARIO CRAVO NETO (1947-2004) , cujo acervo de 150 mil imagens está sob sua custódia, uma exposição do consagrado paulistano OTTO STUPAKOFF (1935-2009), cujo acervo também está no instituto, além de trazer uma exposição do japonês DAIDO MORIYAMA, fotógrafo importantíssimo que já está com 80 anos.

Na pauta para 2020, uma mostra do multi artista brasileiro , nascido nas Ilhas Canárias, MIGUEL RIO BRANCO, ainda em negociações segundo Flávio Pinheiro, que com muito humor disse também que espera que nas mudanças dos nomes dos cargos, possa agora ser Diretor Geral do instituto abdicando do burocrático título de "Superintendente".

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