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Alphonse Mucha: um espetáculo que ecoa na contemporaneidade

Por Marianna Rosalles

Cortinas de veludo vermelho recebem os visitantes da mostra “Alphonse Mucha: o legado da Art Nouveau” na galeria de arte do Centro Cultural Fiesp. Ao atravessar esse portal uma atmosfera dramática envolta pelo carmim revela os consagrados cartazes de espetáculos teatrais produzidos pelo artista tcheco, que passou a maior parte de sua vida vivendo em Paris. 

Créditos: InfoArt 

Mucha afirma que seus cartazes eram uma forma de levar informação ao público e transformar as ruas em exposições de arte ao ar livre. “As pessoas podiam parar e ver os pôsteres a caminho do trabalho, obtendo satisfação espiritual”, reflete o artista. Foram essas gravuras que elevaram sua atuação a um patamar de celebridade das artes visuais.

As dimensões das obras são proporcionais à riqueza de detalhes e a originalidade dos trabalhos de Mucha. Seus traços são singulares a ponto de uma breve contemplação permitir uma identificação quase que instantânea de sua autoria.


Créditos: InfoArt

Figuras femininas tomam conta das paredes da Fiesp e capturam o olhar do visitante de modo que a exploração das estampas, arabescos, florais e molduras criadas por Mucha pode não ter fim. A verticalização de seus trabalhos é mais um traço inédito de sua consagrada trajetória. O conceito de beleza é algo substancial de seus trabalhos, as mulheres são seus ícones e musas. 

Um dos valores para o artista era o de tornar a arte o mais popular possível, para ele era algo primordial que as pessoas tivessem acesso às suas obras. Para Mucha, a arte tem um papel de elevar a moral das pessoas e melhorar sua qualidade de vida. 


Créditos: InfoArt

Definitivamente elevação é uma palavra que sintetiza o estado de espírito do visitante após contemplar as figuras do artista. A curadora Ania Rodrigues ressalta que os traços singulares do artista o consagraram como um grande ícone da Art Nouveau que marcou a Belle Époque parisiense. “A exposição também será uma revelação para quem já conhece a obra do artista porque também mostra um outro lado de sua produção: o retorno de Mucha para sua terra natal e como ele transpôs para a arte o vínculo com suas raízes”, completa. 

Créditos: InfoArt

A exposição é inédita e traz pela primeira vez o acervo da Fundação Mucha para a América do Sul. “É um privilégio ter acesso às obras originais de Mucha no Brasil e falar sobre o legado da Art Nouveau (...) e apresentar seus ecos na cultura contemporânea”, afirma Rodrigues. Em uma das salas da exposição é possível conferir como as influências da obra de Mucha são evidentes em obras da atualidade que variam desde HQ’s, pôsteres de bandas consagradas como Led Zeppelin, mangás e embalagens. A contemporaneidade da obra do artista é um convite para que o visitante saia com um olhar aguçado para procurar no mundo de hoje os traços icônicos e atemporais de Alphonse Mucha.

 

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