AGENDA DAS ARTES

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Vermelho apresenta duas individuais e instalação controle remoto

Artistas: Carmela Gross, Jonathas de Andrade, Gisela Motta e Leandro Lima

Curadoria: -

De 11/8 a 17/9

Galeria Vermelho Ver mapa

Endereço: Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis

Telefone: (11) 3138-1520

Individual Carmela Gross
A segunda exposição individual de Carmela Gross na Galeria Vermelho, Um, Nenhum, Muitos, se organiza em torno de 4 obras: Figurantes (2016), 13 Passantes (2015/2016), Darlenes (2014) e Bando (2016).

Figurantes
O painel luminoso vermelho de LED, Figurantes (2016), de Carmela Gross, instalado na entrada da Galeria Vermelho, se assemelha aos tantos que se encontram usualmente em bares, lojas e postos de gasolina com anúncios. Só que aqui, ao invés de produtos e serviços, o painel apresenta um cortejo insólito de dúbias figuras. São aquelas listadas por Marx, em O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852), como membros da Sociedade 10 de Dezembro, constituída de biscateiros, arrivistas, herdeiros arruinados, vagabundos e desocupados de toda ordem: batedores de carteira, ex-presidiários, vigaristas, rufiões decadentes e muitos outros... O resgate luminoso deste grupo peculiar de ativistas políticos, estampado no painel de LED montado pela artista, reatualiza outros grupos que vieram na esteira deste, e aponta para tantos mais em circulação nas cidades contemporâneas.


Figurantes

13 Passantes
Numa sala adjacente, encontra-se a animação em vídeo 13 Passantes (2015/2016), que traz pequenas figuras feitas de fita adesiva preta sobre um fundo de papel quadriculado. As figuras se deslocam de um extremo ao outro da tela. O equilíbrio frágil de suas linhas ressalta e singulariza distintos modos de andar e atravessar “o palco iluminado” da projeção.


13 Passantes

Darlenes
A sala 1 da galeria é ocupada pela instalação Darlenes (2014), constituída de duas cancelas de estacionamento. Usualmente a cancela sinaliza a passagem ou a interdição para os carros. Só que aqui, não. Estas são cancelas para pedestres que podem delas se aproximar e manejá-las, como quiserem, para outros significados.

As hastes mecânicas são comandadas a distância por um controle remoto à disposição de quem passa. O movimento de subir e descer das hastes desdobra e estende uma massa informe de tecido vermelho, desenhando no espaço um grande X. As hastes podem ser novamente acionadas e voltar à posição inicial, desfazendo o desenho em vermelho. Pode-se repetir este processo todas as vezes que se quiser.


Darlenes (detalhe)

Bando
Na sala 2, 78 desenhos dispostos lado a lado formam um ambiente propício a projeções imaginárias de várias ordens. Compõem uma multidão de bichos, feitos de manchas verdes que evocam vultos de animais, situados em meio a campos acinzentados feitos de rabiscos de grafite. Eles cercam, feito uma horda à espreita, quem está de passagem pela sala.


Bando – Cabra

Individual Jonathas de Andrade
Jonathas de Andrade ocupa a sala antonio – o cinema da Galeria Vermelho – com o curta-metragem O Caseiro (2016) que propõe um diálogo com o filme de 1959, O Mestre de Apipucos, de Joaquim Pedro de Andrade. O filme é construído simetricamente em duas narrativas. À esquerda, o filme de 1959, gentilmente cedido pela produtora Filmes do Serro, exibe o cotidiano de Gilberto Freyre em sua casa no bairro de Apipucos, no Recife. À direita, Jonathas de Andrade cria um espelhamento simultâneo das cenas de O Mestre de Apipucos substituindo Freyre por um suposto caseiro da opulenta morada do sociólogo. O paralelo entre os dois personagens - aquele histórico do documentário, e aquele anônimo da ficção - estabelece uma tensão que sublinha aspectos de classe e raça, dois dos assuntos mais presentes na obra de Freyre, já que este aparece vivendo uma vida de registro aristocrático no filme de Pedro de Andrade.


[Sem título]

Do lado de fora do cinema, Jonathas exibe a instalação Suar a Camisa (2014), vista pela primeira vez em São Paulo. Em contato direto com trabalhadores pelas ruas do Recife, de Andrade negociou, trocou e comprou cerca de 120 camisas suadas de trabalhadores da cidade ao final de um dia de trabalho. A montagem das camisas em uma grande fila, cada uma sobre um suporte vertical de madeira, faz menção a uma espécie de fila de espera: do desemprego, do ônibus, ou ate mesmo de uma greve.

A instalação Suar a Camisa
Exibida pela primeira vez na exposição Museu de Homem do Nordeste, no MAR (Museu de Arte do Rio), aonde Jonathas mostrou o maior conjunto da série homônima que vem desenvolvendo desde 2013. As obras do projeto Museu do Homem do Nordeste se articulam como uma coleção paralela a do Museu do Homem do Nordeste, localizado na cidade do Recife [PE]. Criado em 1979 por Gilberto Freyre, o museu antropológico conta com um acervo de mais de 15000 peças representativas da formação étnica, histórica e social da região. Na série de Jonathas de Andrade, o artista experimenta novas bases e metodologias para o museu original.

Suar a camisa
Coletas e negociações realizadas em colaboração com Esdras Bezerra de Andrade e Luiz Henrique Chipã.
Mancebos desenvolvidos por Geraldo Correia do Nascimento em conversa com Esdras Bezerra De Andrade.
Com contribuições de Rodrigo Tavares e Taciana Da Fonte Neves.


Suar a camisa (foto: Eduardo Ortega)

Gisela Motta e Leandro Lima
Controle Remoto é o aparelho utilizado diariamente para mudar os canais de televisão, mas também se refere ao ato de ser comandado remotamente, sofrer um controle à distância. Na instalação Controle Remoto (2016) de Motta e Lima, todos os moradores de um condomínio de casas de passarinho estão com os aparelhos de TV ligados, recepcionando o conteúdo transmitido pelas empresas de telecomunicações. Essa situação faz uma analogia à vida cotidiana, onde grande parte do conhecimento (ou versões do conhecimento) é recebida pela televisão, fazendo menção ao papel de controle exercido pela mídia.