AGENDA DAS ARTES

Voltar

Quem sou Eu?

Artistas: Vários

Curadoria: Karen Worcman

De 22/9 a 17/12

SESC Vila Mariana Ver mapa

Endereço: Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana

Telefone: (11) 5080-3000

O Sesc SP apresenta a exposição Quem sou Eu? em comemoração aos 25 anos do Museu da Pessoa. Com abertura no dia 22 de setembro, às 19h, a atração contará com olhares sobre o acervo do Museu da Pessoa, feitos por três curadores convidados: Cristiano Burlan, Diógenes Moura e Viviane Ferreira, e conta com a curadoria da historiadora Karen Worcman e cenografia de Marcelo Larrea. As instalações ficam em exposição no Sesc Vila Mariana até 17 de dezembro, de terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados, das 10h às 20h30; e domingos e feriados, das 10h às 18h30. A entrada é gratuita.


Acervo do Museu da Pessoa.

O Sesc SP e o Museu da Pessoa são parceiros desde 1994, quando iniciaram o projeto "Memórias do Comércio em São Paulo", cujo objetivo é registrar as histórias do comércio com foco em narrativas de vida de comerciantes, comerciários e pessoas envolvidas na cadeia produtiva do comércio.

Este acervo engloba arquivos particulares dos entrevistados e a sistematização de informações sobre os contextos sociais, culturais e históricos. Atualmente são 263 entrevistas registradas em vídeo e uma coleção de mais de 1.000 fotos e documentos digitalizados e catalogados.

“Quem sou eu?” Esta pergunta tão singela quanto instigante é o eixo narrativo da exposição, mote inspirado no trabalho do psicólogo americano Jerome Bruner (1915-2016). Precursor da psicologia cognitiva, ele afirmou: “nós construímos e reconstruímos nossos ‘eus’ constantemente para satisfazer as necessidades das situações com que nos deparamos, e fazemos isso com a orientação de nossas memórias do passado e de nossas esperanças e medos do futuro”.


Acervo do Museu da Pessoa.

A reflexão dialoga diretamente com o trabalho realizado no Museu da Pessoa, dedicado ao registro, preservação e disseminação de histórias de vida. Idealizado e fundado em 1992 por Karen Worcman, o Museu tem como marca o pioneirismo: ao longo de sua trajetória constituiu um acervo audiovisual único, representativo de uma fração importante da história social brasileira de fins do século XIX até os dias atuais e já recebeu 19 prêmios. A verdadeira potência desse acervo, composto por 18 mil histórias de vida, está em provocar escutas que, por meio da empatia, propiciem mudanças nas perspectivas que temos sobre o mundo e sobre nós mesmos. “Somos, afinal, seres históricos, mas não apenas isso: somos seres na História carregados de histórias”, afirma Karen. 

A exposição
Os ambientes da exposição têm como base o círculo, a forma ancestral de compartilhamento de histórias. Distribuídos em dois módulos, apresentam separadamente as obras “Um Instante que Resiste”, “Ensaio para Sinônimos” e a coleção “Vínculos Afetivos”, além de uma breve história dos 25 anos do Museu da Pessoa no Brasil. A cenografia da exposição foi concebida por Marcelo Larrea, diretor de arte e cenógrafo argentino radicado no Brasil, que tem como um dos pilares de seu trabalho os valores da sustentabilidade, enfrentando os desafios cotidianos com a redução de impactos negativos no meio ambiente.

Leituras do Acervo
Neste módulo, o público terá contato com o acervo do Museu da Pessoa por meio de intervenções artísticas criadas pelos três curadores convidados. Os insumos para a concretização de tais trabalhos foram retirados da coleção Memórias dos Brasileiros, composta por 301 mídias digitalizadas, 260 histórias de vida e 400 imagens produzidas ao longo de oito anos pelo Museu da Pessoa. Para a criação da coleção, foram 14 estados e 42 cidades visitadas em todo o território nacional. O projeto Memórias dos Brasileiros é uma coleção orgânica e em desenvolvimento, que cresce por meio de novas expedições, cabines itinerantes de captação e registro de histórias, programas ou projetos afins.


Acervo do Museu da Pessoa.

O diretor de cinema e teatro e professor Cristiano Burlan, cuja filmografia contém mais de 20 títulos, com destaque para o documentário “Mataram meu irmão” (vencedor do É Tudo Verdade 2013 e dos prêmios de Melhor Filme do Júri Oficial e da Crítica, do 40º Festival Sesc de Melhores Filmes como Melhor Documentário do Ano), estará presente na exposição com a obra audiovisual "Um Instante que Resiste". Na colagem que construiu a partir das narrativas memoriais e do acervo audiovisual do Museu da Pessoa, a busca de Cristiano foi pela interlocução, "por manter acesa a chama do diálogo, por construir uma cartografia afetiva do outro", como ressalta. Os cerca de 20 minutos de duração de Um Instante que Resiste solidificam-se como "uma ode à memória, ao registro comum, ao ordinário profundamente necessário, às vozes que povoam nossa geografia, que constroem cotidianamente as paisagens das nossas lembranças”.

Para o curador, escritor e editor Diógenes Moura, que concebeu a obra “Ensaio para Sinônimos”, a exposição Quem sou Eu? vai do ontem ao muito além. “É uma exposição e ao mesmo tempo um livro aberto. Um veredito. Um álbum de família com suas verdades e mentiras”, diz. A obra concebida por Diógenes para a exposição parte do acervo de fotografias e retratos do Museu da Pessoa e reúne uma série de histórias e memórias que olham e procuram entender o outro do ponto de vista de cada um de nós. “Não conheço nada mais futurista que esse gesto", reflete. Diógenes foi curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo e também curador mundial da exposição “Operação Condor”, do fotógrafo português João Pina.


Acervo do Museu da Pessoa.

Com a obra "Vínculos Afetivos", formada por peças audiovisuais criadas a partir do acervo do Museu da Pessoa especialmente para a exposição, Viviane Ferreira, cineasta, presidente da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) e pesquisadora de Políticas do Audiovisual, diz querer “imergir na história e trajetória do indivíduo”, que segundo ela “é a força motriz que deverá conduzir o conteúdo proposto ao público”. As narrações dos vínculos afetivos, empreendidas pelas pessoas retratadas na coleção, leva o espectador à compreensão da atribuição dos papéis sociais atribuídos pelos personagens às outras pessoas: "Ter conhecimento do local de relação afetiva das pessoas torna-se uma carta de apresentação mais potente do que ter conhecimento sobre seu nome, sobrenome, signo ou orixá", explica Viviane.

O Processo da Exposição
O segundo módulo da exposição apresenta o resultado de um processo formativo desenvolvido por profissionais das unidades do Sesc SP durante oficinas que visavam ao registro de histórias de vida dos frequentadores das Unidades. As atividades deram origem a uma coleção virtual de 13 histórias (bit.ly/ASQDFmp).

Neste espaço, o visitante conhecerá as histórias captadas e editadas pelos participantes das oficinas, terá acesso ao making of do processo da exposição, ao tratamento do acervo, com histórias editadas da coleção Memória dos Brasileiros, e às atividades de formação.

Interação – O público poderá ajudar a compor a exposição ao longo de sua exibição. Para tanto, os visitantes serão estimulados a gravar um depoimento de um minuto, respondendo à pergunta: “Quem sou eu?” Esse material será exibido em um painel de led e integrará aos poucos o conteúdo da exposição. Os vídeos constituirão um legado da participação do público e também farão parte de uma coleção virtual no Museu da Pessoa.

Quem sou Eu? contará com uma equipe educativa, que atenderá a grupos e realizará visitas mediadas pela exposição. Agendamentos poderão ser realizados através do endereço agendamento@vilamariana.sescsp.org.br.

Serviço:
Exposição: Quem sou Eu?
Data e Horário: 22 de setembro, sexta, às 19h
Em cartaz: até 17 de dezembro
Horário de funcionamento: Terça a sexta, das 10h às 21h30; Sábados, das 10h às 20h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30
Local: Sesc Vila Mariana, Hall dos Elevadores (Piso Térreo – Torre A)- Rua Pelotas, 141
Entrada livre e gratuita.