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Ocupação Hilda Hilst

Artistas: Hilda Hilst

Curadoria: Itaú Cultural e Instituto Hilda Hilst

De 28/02 a 21/04

Itaú Cultural Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 149 - Cerqueira César

Telefone: (11) 2168-1777

“Quero ser lida”, repetia sempre Hilda Hilst (1930-2004). Os curadores da Ocupação que leva o seu nome buscam, assim, desmitificar a premissa que ela é uma escritora cujos textos são difíceis de serem entendidos. O Itaú Cultural apresenta uma exposição para ser lida, vista, ouvida e sentida entre a vida e obra desta que também foi dramaturga e prosadora. Com curadoria compartilhada entre os núcleos de Audiovisual e Literatura, Comunicação, Enciclopédia e Educação e Relacionamento, do Itaú Cultural, e o Instituto Hilda Hilst, a "Ocupação Hilda Hilst", aberta no dia 28 de fevereiro, permanece em cartaz até 21 de abril – data de nascimento da autora.

Hilda foi lida em cerca de 40 títulos publicados, nas centenas de artigos impressos em jornais com a sua assinatura, entrevistas, peças de teatro encenadas e poemas musicados. Hilda Hilst foi, e é, reconhecida como uma das principais escritoras brasileiras contemporâneas.

Com a preocupação de apresentar o rastro da autora na produção de algumas de suas principais obras, a exposição revela o seu processo de criação e seu cotidiano, apresentando originais das obras "Kadosh" (1973), "Júbilo, memória, noviciado da paixão" (1974), "A obscena senhora D." (1982), "Com meus olhos de cão" (1986). Também está lá "O caderno rosa de Lori Lamby" (1990) revisado e comentado pela própria escritora.

A exposição se completa com trechos de seus diários, descrições de sonhos, desenhos, anotações cotidianas, e depoimentos próprios registrados em vídeo e áudio. Lança, ainda, perguntas selecionadas das obras e anotações da autora.

Foto: Éder Accorsi / Acervo Instituto Hilda Hilst

Muito do material é exibido pela primeira vez, em uma mostra consistente do seu processo de criação, depois de extensas pesquisas realizadas pela equipe do Itaú Cultural no Centro de Documentação Alexandre Eulálio (CEDAE/Unicamp). Lá está a maior parte do acervo da escritora, vendido por ela própria na década de 90, e meticulosamente organizado em grupos e subgrupos que somam 3.257 manuscritos, 1.321 impressos, 246 fotografias e 150 desenhos, todos disponíveis para consulta pública.

A outra fonte de pesquisa foi a Casa do Sol, em Campinas, construída por ela e onde viveu e recebeu amigos e intelectuais por 35 anos até o fim. Ali está sediado o Instituto Hilda Hilst e é onde se encontra parte do acervo relacionado aos seus últimos anos de vida e à sua intimidade – como a biblioteca, fotografias, cartas e diários. A equipe do Itaú Cultural recebeu, ainda, a consultoria de Luisa Destri, doutoranda em Literatura Brasileira na USP, organizadora da antologia "Uma superfície de gelo ancorada no riso" (Globo, 2012), de Hilda Hilst, e coautora de "Por que ler Hilda Hilst" (Globo, 2010). Foi selecionada no Rumos Literatura 2008, com o artigo "A língua pulsante de Lori Lamby".

Espaço expositivo
Henrique Iodeta, gerente do Núcleo de Produção do Itaú Cultural assina a cenografia da Ocupação. A Casa do Sol inspirou as cores, os materiais e até o som usados naquele espaço. Não há, por exemplo, plásticos, acrílicos ou quaisquer outros sintéticos. Todo o material usado é cru, linho, minerais, assoalho de madeira escura, veludo, couro.  A iluminação é rebaixada. As cores são ocre e rosadas, o colorido vem das canetas e papéis de muitos tons que ela usava.

Foto: Hilda Hilst na Casa do Sol, 2010. Autos não identificado, Centro de Documentação Cult. "Alexandre Eulálio"/UNICAMP

O lugar se personifica, ainda, na reprodução da enorme Figueira, árvore e ícone da casa, nas imagens dos seus quase 100 cachorros e nas anotações sobre os cuidados dispensados a cada um. Também nos versos e depoimentos, alguns inéditos, da própria poeta e na exibição de suas fotos prediletas – não somente dela, da família e dos amigos, como de autores-referência, como Sigmund Freud e Franz Kafka.

Ao redor, outros nichos desvendam a sua obra e pensamentos. Um deles se volta para "Júbilo, Memória Noviciado da Paixão". Em outros, encontram-se os registros dos sonhos, que ela anotava vigorosamente de próprio punho – Hilda não gostava de usar máquina de escrever e passava longe dos computadores. Aplicados sobre madeira, mostram a evolução da caligrafia da escritora como em uma linha do tempo. Exibe, também, os desenhos que fazia e muitas listas – de compras, de nomes, de recados, de livros, de autores –, além de 20 perguntas selecionadas entre as inúmeras que sempre lançou no ar.

Serviço
Entrada franca
Classificação indicativa: 12 anos