AGENDA DAS ARTES

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LIUBA

Artistas: LIUBA

Curadoria: -

De 15/3 a 11/5

Galeria Marcelo Guarnieri Ver mapa

Endereço: Alameda Lorena, 1835 - Jardim Paulista

Telefone: (11) 3063-5410

Entre os dias 15 de março e 11 de maio de 2019, a Galeria Marcelo Guarnieri apresenta na sua sede de São Paulo a segunda exposição individual da artista búlgara radicada brasileira LIUBA. "LIUBA" ocupa a sala com uma plataforma de blocos de concreto que servirá de base para as esculturas, posicionadas em diferentes níveis de altura, seguindo um projeto expositivo concebido pela artista. Além das esculturas, serão apresentados desenhos e relevos de parede, todos eles produzidos entre as décadas de 1960 e 1980. Simultaneamente, na Sala 2, a galeria apresenta a mostra "Claudia Jaguaribe – Encontro com LIUBA". A entrada em ambas as mostras é livre e gratuita.

LIUBA, Sem título, 1975. Resina, 52 x 53 x 41 cm. Foto: cortesia Galeria Marcelo Guarnieri.

LIUBA (1923, Sófia - Bulgaria, 2005, São Paulo - SP), chegou no Brasil em 1949 já para estabelecer um ateliê em São Paulo, onde viviam seus pais desde o ano anterior. Durante a década de 1950, a artista transitou por diversos países da Europa, das Américas e do Norte Africano, como Egito, Argélia, Tunísia e México. A possibilidade de conhecer tantas culturas diferentes e de ter ateliês tanto no Brasil como na França, permitiu a LIUBA estar em contato com discussões diversas que afetaram diretamente o seu trabalho. Formou-se na École de Beaux Arts de Genebra e trabalhou por cinco anos com a renomada escultora da Escola de Paris Germaine Richier.

A partir de 1954 o trabalho de LIUBA começa a se mover em direção a um "formalismo biomórfico", segundo o crítico de arte norte-americano Sam Hunter. Tais contorções apontariam para uma tendência do meio do século XX rumo à abstração, enquanto suas formas animalísticas afirmariam uma herança Jungiana, pensamento tão importante dentro dos círculos artísticos frequentados por ela. Ave Composta, Plant Form, The Wing e In Flight são alguns dos títulos de suas criaturas, que em arranjos totêmicos, nos remetem a formas animais, vegetais e até humanas. "Para mim eles são animais. Mas não consigo explicar de onde eles vêm – deve ser do meu subconsciente", especulava LIUBA.

LIUBA, Sem título, 1965. Resina, 105 x 127 x 85 cm. Foto: cortesia Galeria Marcelo Guarnieri.

Em 1965, dentro das comemorações do IV Centenário do Rio de Janeiro, LIUBA apresentou um conjunto de esculturas na área externa do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, naquela que seria sua primeira mostra individual em um museu. As esculturas de LIUBA foram dispostas sobre blocos de concreto ao ar livre e dialogavam com o projeto paisagístico de Roberto Burle Marx e com o projeto arquitetônico e urbanístico de Affonso Eduardo Reidy. "Tenho estado particularmente interessada na ligação entre escultura e arquitetura", declarou LIUBA naquele ano.

De 1958 até o ano de sua morte, LIUBA trabalhou entre seus ateliês de São Paulo e Paris, vivendo alternadamente realidades distintas em um mundo ainda pouco conectado nas distâncias. Sua obra na beira da abstração, como definiu Sam Hunter, talvez seja um pouco como foi sua vida, criando e "trocando" as raízes de muitos lás e cás.

LIUBA, Sem título, 1966. Resina, 112 x 83 x 80 cm. Foto: Cortesia Galeria Marcelo Guarnieri.

Sobre a artista
LIUBA (1923 - 2005) desenvolveu em seu trabalho uma pesquisa atenciosa sobre o repertório formal dos mundos animal e vegetal e de culturas ancestrais, especialmente as sul-americanas. De 1944 a 1949 estudou com a escultora francesa Germaine Richier, primeiro na Suíça e depois em Paris, onde passou a viver e trabalhar. Em 1949 estabeleceu seu ateliê em São Paulo, mas foi só a partir de 1958 que decidiu viver entre São Paulo e Paris. Participou ativamente do circuito de arte brasileiro, sendo premiada na VII Bienal de São Paulo, em 1963 e integrando também as VIII, IX e XIII edições. Entre as décadas de 1970 e 1980 fez parte de seis edições do Panorama da Arte Brasileira realizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).

Suas peças evidenciam uma lógica construtiva por meio da articulação entre cheios e vazios, contornos e ritmos, linhas e forças, explorando formas angulosas e enérgicas. O bestiário que construiu ao longo de sua produção carrega um sentido não somente mágico, como também trágico. O grande interesse que tinha a artista pela aproximação de suas esculturas à arquitetura pôde ser reconhecido em 1965, com sua individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Seus "animais" foram dispostos nos jardins do museu, de modo que pudessem dialogar tanto com o prédio, quanto com a área verde, "retornando", enfim àquele que parecia ser o seu habitat natural.

LIUBA, Sem título, 1967. Resina, 53 x 70 x 50 cm. Foto: cortesia Galeria Marcelo Guarnieri.

Serviço
Exposição: "LIUBA", de Liuba Wolf.
Datas e horários: Abertura dia 15 de março, sexta-feira, das 19h às 22h. Em cartaz até 11 de maio de 2019. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h.
Local: Galeria Marcelo Guarnieri (Sala 1) | Alameda Lorena, 1835 – Jardins, São Paulo.
Entrada gratuita.