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Julio Le Parc

Artistas: Julio Le Parc

Curadoria: -

De 25/11 a 7/2

Galeria Nara Roesler Ver mapa

Endereço: Avenida Europa, 655 - Jardins

Telefone: (11) 3063-2344

Paralelamente à grande retrospectiva de Julio Le Parc no Instituto Tomie Ohtake, a sede paulista da Galeria Nara Roesler reúne trabalhos do icônico artista cinético. São dez pinturas recentes da série Alchimie (2016/2017), três esculturas do conjunto Torsion (2004) e a projeção Alchimie Virtuel, que ocupa espaço central na exposição. Apresentada pela primeira vez na América Latina, a obra, em realidade virtual, atualiza a questão da virtualidade que Le Parc vem explorando há mais de 50 anos, como nas pinturas Réels et virtuels / serie Surface noir et blanc (anos 50), Volume Virtuel (anos 70), e nas esculturas Cercle Virtuel (anos 60). A exposição fica em cartaz na galeria entre os dias 25 de novembro de 2017 e 7 de fevereiro de 2018, com entrada gratuita. No mesmo período, a galeria também apresenta a mostra "Faço tudo para não fazer nada", de Carlito Carvalhosa.

Julio Le Parc, Alchimie 366, 2017 (Foto Everton Ballardin © cortesia do artista e da Galeria Nara Roesler)

Por antecipar essa discussão, Le Parc tornou-se reconhecidamente um visionário. Agora, às vésperas de completar 90 anos, com essa obra em projeção, utiliza a tecnologia para, finalmente, mergulhar na realidade virtual. “O trabalho de Julio Le Parc simultaneamente experimental, visionário e lúdico, permanece pertinente no presente, assim como foi nos anos de 1960, e suas preocupações relacionadas à política, ao papel do público, ao artista e ao poder da organização das artes são ainda relevantes e significativas”, escreve o crítico Hans Ulrich Obrist, no catálogo da exposição "Bifurcations", que aconteceu na Galeria Perrotin, em Paris.

As “alquimias” atuais, em acrílica sobre tela, são trabalhos em grande escala, concebidos a partir de vários estágios de desenhos e de pinturas menores que se expandem em composições modificadas progressivamente. “Em algumas pinturas vemos um grande centro preto que, circulado por uma sobreposição de cores agrupadas e sobrepostas, parece atomizado, o que provoca um efeito simultaneamente desorientador e hipnótico”, diz Le Parc. A série Alchimie foi iniciada em 1988, em forma de pequenos esboços surgidos a partir de observações fortuitas do artista e que, aos poucos, foram concretizadas. “Essas 'alquimias' fazem parte da minha viva aventura, expressa em meu trabalho como artista experimental”, afirma Le Parc.

Em Torsion, o artista reafirma essa persistência em uma experimentação contínua, em que cada novo conjunto de obras tem suas raízes no que já desenvolveu. A série de esculturas – que em tamanhos monumentais ocupam espaços públicos de países como, México, Portugal, Estados Unidos – está ligada ao espírito dos primeiros relevos, especialmente dos "volumes virtuais" desenvolvidos nos anos de 70.  Ainda que as obras em Torsion não sejam virtuais, mas reais com a contundente presença do aço inox, esse material, por sua superfície acetinada, permite múltiplas mudanças devido a sua maneira de atrair a luz. As esculturas guardam o princípio seminal da produção do artista que corresponde, segundo ele, a um processo simples: um esquema que determina o conjunto. “A maior parte é organizada por sequências que podem ser de deslocamento, de rotação, de ângulos, de posicionamento no espaço etc. A concepção, por sua racionalidade, permite o surgimento de situações visuais que podem ir do simples reconhecimento de um sistema de organização à impressão de caos”, completa.

Sobre o artista
Julio Le Parc (Mendoza, Argentina, 1928) vive e trabalha em Cachan, na França. O artista apresenta ao espectador uma visão divertida e desmistificada da arte e sociedade por meio de suas pinturas, esculturas e instalações perceptualmente ilusórias. Le Parc faz interagir cor, luz, sombra e movimento de modo que as formas aparentem movimento, estruturas sólidas se desmaterializem, e a própria luz pareça plástico. Como co-fundador do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), trabalhou para romper os limites na arte e a participação de espectadores contribuiu diretamente com suas famosas esculturas cinéticas e ambientes de luz.

A partir de 1960, no entanto, começou a desenvolver uma série de obras distintas que utilizavam a luz “leitosa”: esses objetos, geralmente construídos com uma fonte lateral de luz branca que era refletida e quebrada por superfícies metálicas polidas, combinavam um alto grau de intensidade com uma expressão sutil de movimento contínuo.

 

Julio Le Parc, Alchimie 341, 2017 (Foto Everton Ballardin © cortesia do artista e da Galeria Nara Roesler)

Serviço
Exposição: "Julio Le Parc"
Datas e horários: Abertura dia 25 de novembro, às 11h. Em cartaz até 07 de fevereiro de 2018. De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 15h.
Local: Galeria Nara Roesler | Av. Europa, 655 – Jardins, São Paulo.
Entrada gratuita.