AGENDA DAS ARTES

Voltar

Individual de Ian Davenport

Artistas: Ian Davenport

Curadoria: Flávio Cohn

De 23/05 a 27/06

Dan Galeria Ver mapa

Endereço: Rua Estados Unidos, 1638 - Jardim América

Telefone: (11) 3083-4600

Um dos mais importantes artistas da geração Young British Artists, que despontou no final dos anos 1980, Ian Davenport (Londres, 1966), terá sua primeira mostra individual no Brasil a partir do dia 23 de maio, na Dan Galeria. A mostra reúne 18 obras, realizadas no período de 1992 até 2015, incluindo a inédita Colourade: Buzz, criada especialmente para a exposição, com duração até 27 de junho. São trabalhos que abrangem as diferentes fases e questionamentos do artista, como as relações cromáticas, as linhas em sequência e as séries de arcos e círculos sobre alumínio e aço, dos anos 1990. Já em suas obras mais recentes, o diferencial são as sequências de linhas verticais manchadas nas bordas por puddles (“poças”).

Formado em Belas-Artes pela prestigiosa escola de arte Goldsmiths College, de Londres, Davenport foi uma das 16 figuras emergentes incluídas no coletivo Freeze (1988), curado por Damien Hirst, de quem foi colega. Realizada em um prédio abandonado da London Port Authority, nas docas da cidade, no lado sul do Tâmisa, a exposição trouxe à cena artística de Londres o time de artistas que, então, ficaria conhecido como Young British Artists, composto por Michael Landy, Damien Hirst, Gary Hume, Fiona Rae e Sam Taylor, entre outros. Em 1990, Davenport teve sua primeira individual na capital inglesa e, em 1991, concorreu ao Turner Prize, ao lado de Anish Kapoor, Fiona Rae and Rachel Whiteread.

Com 27 anos de carreira, o artista já realizou mais de 40 exposições individuais, entre as quais destacam-se a exibição na National Gallery e o painel da Tate Gallery, em Londres.

Sua obra é marcada por uma união indissociável entre estilo e conteúdo, a manipulação da pintura e o rigor das linhas, o questionamento do uso da cor e da forma, a valorização da pintura e a busca pela originalidade. “Nos dias de hoje, é muito mais difícil um artista ser original na pintura do que em outras mídias. Nisso reside a genialidade de Davenport. Ele busca a originalidade a partir do questionamento do conteúdo e da forma, busca manipular a matéria da pintura, utilizá-la de uma forma original. Ele é um artista sempre em questionamento, por isso sua obra tem consistência”, afirma Flávio Cohn, da Dan Galeria.

Sem título, 2003. Ian Davenport

Influências
Entre as principais influências de Davenport estão: o pintor alemão Josef Albers (1888-1976), um dos artistas mais influentes do século 20, que se utilizava de quadrados sobrepostos para tratar das diferentes vibrações e intensidades das cores; o norte-americano Jasper Johns (1930), um dos maiores nomes da Pop-Art dos Estados Unidos, de quem Davenport carrega a claridade icônica de suas obras das décadas de 1950 e 1960, e o pintor abstracionista norte-americano Jackson Pollock (1912-1956), cuja obra caracteriza-se por redes de linhas coloridas entrelaçadas que, pela transparência, desviam a atenção para o fundo do quadro, o que ecoa na obra de Davenport.

A influência de Andy Warhol (1928-1987) também pode ser detectada na trajetória artística de Davenport. Ainda que não diretamente, as Pinturas Reversas em grande escala, realizadas na virada dos anos 1990/2000, se relacionam com a Série Reversa de Warhol das décadas de 1970 e 1980.

As suas influências, porém, não se resumem às artes plásticas. O próprio artista, baterista de uma banda de rock, destaca a presença de compositores modernos em seu processo de criação, como John Cage, o pioneiro experimental de novas formas radicais de música. A vibração musical pode ser sentida na obra do artista no ritmo sequencial de suas linhas verticais e na relação que estabelecem com as “poças”.

Martin Filler, autor do livro Ian Davenport, explica que “embora Davenport tenha passado por fases estilísticas distintas ao longo de sua carreira, a qualidade que une todo o corpo de sua obra é de uma simplicidade preponderante, mesmo em obras posteriores nas quais ele desenvolve certos temas com complexidade crescente, como em suas Puddle Paintings, que usam e expandem a série Poured 5Lines, que as antecedeu.”

Já para Damien Hirst, que admite a influência do artista a partir do momento em que começa a se dedicar à pintura, Davenport “compôs com frequência belas pinturas, trabalhando de modo confiante e com energia explosiva, furiosamente e em grande escala, valendo-se de ideias conceituais e esculturais, bem como de suas próprias técnicas físicas para criar pinturas contemporâneas fenomenais que não ficam imóveis, nunca deixando de mistificar e inspirar. É difícil fazer pinturas importantes e fortes hoje, já que há tantas opções, ângulos e modos de olhar para o mundo, mas Ian faz isso parecer fácil, e o faz há 25 anos”.

Serviço
IAN DAVENPORT
Datas e horários: de 24 de maio a 27 de junho de 2015. Segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 13h
Local: Dan Galeria. Rua Estados Unidos, 1638 - Jardim Paulista
Entrada franca.