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Individuais de Fernando Diniz e Josef Hofer

Artistas: Fernando Diniz e Josef Hofer

Curadoria: Luiz Carlos Mello, Eurípedes Junior e Elisabeth Telsnig,

De 9/9 a 9/10

Galeria Estação Ver mapa

Endereço: Rua Ferreira de Araujo,625 Pinheiros

Telefone: (11) 3813 7253

Galeria Estação apresenta as individuais de Fernando Diniz e Josef Hofer, artistas que desafiam os limites do corpo e da mente em suas produções. As mostras ficam em cartaz de 9 de setembro a 9 de outubro, tem entrada gratuita e fazem parte da programação do Seminário Internacional “A arte como construção de mundos", que acontece paralelamente à mostra “Bispo do Rosário: As coisas do mundo”, na Fabrica de Arte Marcos Amaro, em Itu, dia 07 de setembro. O evento é apoiado pela galeria Estação que traz como uma das palestrantes a Dra. Elisabeth Telsnig, tutora da obra de Josef Hofer e curadora da exposição do artista na Estação.


Fernando Diniz, Sem título, 21/6/1968, Óleo sobre papel, 33,5 x 47,8. Créditos: Mauro Domingues

Fernando Diniz (1918, Aratu, Bahia – 1999, Rio de Janeiro, RJ) faz parte do grupo de artistas descobertos no atelier da Dra. Nise Da Silveira, hoje reunidos no Museu de Imagens do Inconsciente, é graças a essa parceria que a da Galeria Estação homenageia Diniz com essa individual. 

Luiz Carlos Mello e Eurípedes Junior assinam a curadoria da mostra que apresenta um recorte da obra do artista, estima-se que sua produção seja composta por cerca de  30 mil peças, entre telas, desenhos, tapetes e modelagens. Sua obra foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2003 e transita por diversas exposições no Brasil. 


Fernando Diniz, Sem Título, 1987, Guache sobre papel, 48x66,1. Créditos: Mauro Domingues

Sua produção era intensa, o artista criava cerca de 5 trabalhos por dia, quando questionado sobre sua criação o artista respondia ‘Não sou eu, são as tintas”. Diniz frequentou a partir de 1949 a Seção de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Pedro II, criado por Dra. Nise.  De acordo com os curadores, a obra do artista funde o figurativo e o abstrato, e apresenta diversas estruturas de composição que variam das mais simples às mais complexas.“Presença constante é o geometrismo, marcado muitas vezes pela imagem do círculo, que representa as forças ordenadoras, curativas, da psique”, completam os curadores. 

Um dos marcos na trajetória do artista foi a mostra “O universo de Fernando Diniz”, realizada no Museu de Imagens do Inconsciente em 1992. A exposição foi uma grande retrospectiva de sua obra que trouxe mais de duas centenas de trabalhos para o espaço expositivo do Paço Imperial da Praça XV, no Rio de Janeiro.


Josef Hofer, 1945, Wegscheid Austria, Sem título, 2007, Desenho, 50x70
. Créditos: João Liberato

Joseph Hofer (1945, em Wegscheid, Bavária) é considerado hoje um dos classicos da “Art Brut” e conquistou reconhecimento na Áustria, Alemanha, França, Mônaco, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Itália, Espanha, Portugal, Polônia, República Checa, Eslováquia, Estados Unidos, Japão e agora no Brasil. Sua história de vida surpreende, o artista completou 74 anos com uma trajetória de superações.

Seu nascimento, em março de 1945, coincidiu com um período em que esteve em vigência na Alemanha a Lei para Proteção da Saúde Genética do Povo Alemão, que determinava que médicos e parteiras relatassem imediatamente o nascimento de uma criança com deficiência. Esse recém-nascido seria morto e sua mãe esterilizada. Embora suas características físicas divergentes fossem visíveis desde o início, nada foi informado às autoridades de saúde.

O artista viveu isolado em uma fazenda com sua família e desenvolveu problemas de audição causados por múltiplas infecções de ouvido que acabaram afetando também a fala, motivo que o impediu de frequentar a escola, como seu irmão mais velho. Este, mesmo com deficiência intelectual, trazia para casa lápis e tocos de lápis de cor, os primeiros materiais de Hofer, com os quais fazia desenhos em folhas de jornal.

Josef Hofer, 1945, Wegscheid Austria, Sem título, 2014, Desenho, 50x70, créditos: João Liberato 

Após a morte de seu pai, Hofer foi levado por sua mãe para Kirchschlag, perto de Linz, onde ficou sob a tutela de uma sobrinha. Desde 1992 vive em Lebenshilfe em Ried im Innkreis. Lebenshilfe é uma organização social voltada a pessoas com deficiências físicas e intelectuais, foi neste local que teve contato com a  historiadora de arte Elisabeth Telsnig, em 1977. “Cerca de trinta pessoas participavam de meu ateliê, entre elas Josef, e notei de imediato seus desenhos. Eles eram diferentes de qualquer coisa que eu já tinha visto”, afirma Telsnig.   

“Como não pode ouvir nem se fazer entender verbalmente, Josef Hofer se comunica com o mundo exterior por meio de sua arte. Está envolvido criativamente consigo mesmo e com seu corpo e, assim como no modo como está envolvido com seu reflexo no espelho, ele se envolve igualmente com as posturas e posições do corpo representado, e supera, ou até mesmo triunfa sobre sua deficiência através dos corpos que desenha”, reflete a historiadora de arte. Elisabeth Telsnig é curadora, doutora em história da arte e chefe do workshop de atividades criativas das instalações comunitárias de Lebenshilfe Oberösterreich em Ried (Áustria), local que Josef Hofer frequenta semanalmente. Ela é tutora do artista desde 1997.

Sobre Seminário Internacional: “A arte como construção de mundos".  
Local: Fundação Marcos Amaro / Itu / 07 de setembro
O encontro – organização ARTE!Brasileiros – tem como objetivo apresentar para o público a enorme riqueza e diversidade de artistas portadores de sofrimento psíquico no Brasil e no mundo, ligados ao movimento inicialmente nomeado pelo pintor francês Jean Dubufett como Art Brut, e debater sobre a beleza e a força contida na produção das obras de artistas asilares.
Participam do evento Elisabeth Telsnig (representante do trabalho do artista austríaco Josef Hofer), Savine Faupin (curadora-chefe responsável por Arte Bruta no Museu de Arte Moderna, Contemporânea e Arte Bruta de Lille, França), Tânia Rivera (psicanalista, doutora em Psicologia e professora da Universidade Federal Fluminense) e Raquel Fernandes (diretora geral do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Rio de Janeiro). A conversa será mediada por Ricardo Resende (curador da Fundação Marcos Amaro e do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea).

Serviço
Individuais de Fernando Diniz e Josef Hofer
Datas e Horários: De 9/9 a 9/10. De segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h.
Local: Galeria Estação | Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros
Entrada livre e gratuita