AGENDA DAS ARTES

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Gravura e crítica social: 1925-1956

Artistas: Vários

Curadoria: Valéria Piccoli

De 26/10 a 16/2

Pinacoteca do Estado de São Paulo Ver mapa

Endereço: Praça da Luz, 2 - Largo General Osório, 66 - Luz

Telefone: (11) 3324-1000

67 obras de 18 artistas brasileiros, como Lasar Segall, Oswaldo Goeldi e Renina Katz, evidenciam

surgimento do tema na produção artística brasileira durante as décadas de 1930 e 1940

A exposição Gravura e crítica social: 1925-1956, uma reunião de gravuras, pertencentes ao acervo da Pinacoteca, abre um diálogo em torno do tema "engajamento social". Com curadoria de Valéria Piccoli, curadora-chefe do museu, o conjunto é composto por 67 obras em xilogravura e linoleogravura de autoria de 18 artistas brasileiros como Lívio Abramo, Lasar Segall, Oswaldo Goeldi e Renina Katz.

As décadas de 1930 e 1940 são marcadas, no contexto da arte brasileira, pela emergência das temáticas de cunho social. Isso se manifesta em particular entre os gravadores – e muito particularmente na técnica da xilogravura –, que se reúnem em “clubes” e atuam no sentido de representar trabalhadores em suas mais variadas funções. A Pinacoteca possui um acervo significativo de gravuras desse período e pretende agora apresentar uma seleção representativa acerca do tema.

 

Oswaldo Goeldi. Mulher e Homem de Cartola, 1930. Xilogravura, 37.3 x 30 cm. Foto: Isabella Matheus / Pinacoteca

A mostra inicia-se com Lasar Segall e Oswaldo Goeldi registrando prostitutas e bordéis, até a generalização de assuntos como os operários, trabalhadores de construção civil, agricultores, a chegada dos retirantes nas cidades e a formação de favelas. Compõe o conjunto um número grande de obras — dezoito no total — de autoria de Renina Katz.

Influenciada pelo gravurista Axl Leskoschek, a paulista ficou conhecida por uma produção orientada pela denúncia da condição precária das camadas mais pobres da sociedade brasileira, evidente em obras como Retirantes (1948-1956), que registra o impacto do êxodo nordestino em direção ao sul do país e Favela (1948-1956), que apresenta, em tom melancólico, a simplicidade e dificuldade do cotidiano dessas comunidades.

“A Pinacoteca é privilegiada no sentido de possuir uma coleção bastante completa, que permite retraçar praticamente toda a produção de Renina Katz. O período em que ela volta sua atenção para temas da sociedade é muito interessante, se pensado em contraponto à produção abstrata pela qual ela é mais conhecida”, conta Valéria Piccoli.

Destacam-se também obras produzidas pelos integrantes do Clube de Gravura de Porto Alegre, que se originou a partir de um movimento de renovação das artes no Rio Grande do Sul, na década de 1930. Teve como um dos principais membros o artista Carlos Scliar, que atuou como importante intermediário entre os artistas de São Paulo e os do sul do país, além do multiartista e professor Glênio Bianchetti, do gravador Danúbio Gonçalvez — que frequentou os ateliês de Candido Portinari e Iberê Camargo — e Vasco Prado, que desempenhou papel importante na formação do grupo, em 1950, após uma temporada de dois anos em Paris, durante a qual estudou ao lado de Fernand Léger, na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts.

O grupo nutria uma ânsia pela atualização técnica e formal combinada ao entusiasmo pelo realismo social. Defendia também a arte figurativa com temática regional gauchesca, o folclore, o registro da vida do trabalhador rural e urbano, assim como as lutas da classe trabalhadora e a tentativa de levar a arte ao povo contra “as manifestações cosmopolitas e antinacionais do abstracionismo”, nos termos de Vasco Prado. Os integrantes do clube editaram ainda a revista Horizonte, cujas provas de impressão, que a Pinacoteca conserva, poderão ser vistas pelo público pela primeira vez.  

A exposição integra a programação de 2019 da Pinacoteca, dedicada à relação entre arte e sociedade. Por meio dela, a instituição propõe examinar as dimensões sociais da prática artística, apresentando exposições que redimensionam a ideia de escultura social, cunhada pelo artista e ativista alemão Joseph Beuys.

Artistas Participantes:
Abelardo da Hora (São Lourenço da Mata, PE, 1924 - Recife, PE, 2014)
Ailema Bianchetti (Lavras do Sul, RS, 1926)
Carlos Scliar (Santa Maria, RS, 1920 - Rio de Janeiro, RJ, 2001)
Danúbio Gonçalves (Bagé, RS, 1925)
Edgar Koetz (Porto Alegre, RS, Brasil, 1914-1965)
Gastão Hofstetter (Porto Alegre, RS 1917-1986)
Gilvan Samico (Recife, PE, 1928-2013)
Glauco Rodrigues (Bagé, RS, 1929 - Rio de Janeiro, RJ, 2004)
Glênio Bianchetti (Bagé, RS, 1928 - Brasília, DF, 2014)
Ionaldo Cavalcanti (Recife, PE, 1933 - São Paulo, SP, 2002)
Lasar Segall (Vilna, Lituânia, 1889 - São Paulo, SP, 1957)
Lívio Abramo (Araraquara, SP, 1903 - Assunção, Paraguai, 1992)
Manoel Martins (São Paulo, SP, 1911-1979)
Maria Laura Radspiller (Rio de Janeiro, RJ, 1925)
Nilo Previdi (Curitiba, PR, 1913-1982)
Oswaldo Goeldi (Rio de Janeiro, RJ, 1895-1961)
Renina Katz (São Paulo, SP, 1925)
Vasco Prado (Uruguaiana, RS, 1914 - Porto Alegre, RS, 1998)

Serviço:
Gravura e crítica social: 1925-1956
Curadoria de Valéria Piccoli
Abertura: 26 de outubro de 2019, sábado, às 11h
Visitação: 26 de outubro de 2019 a 16 de fevereiro de 2020
De quarta a segunda, das 10h às 17h30 – com permanência até as 18h
Ingressos: R$ 10,00 (entrada); R$ 5,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha)
Menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento.
Aos sábados, a entrada da Pina é gratuita para todos.