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Espelho Curvo - Ana Luiza Dias Batista

Artistas: Ana Luiza Dias Batista

Curadoria: Galeria Marília Razuk

De 21/03 a 30/04

Galeria Marilia Razuk Ver mapa

Endereço: Rua Jerônimo da Veiga, 131 - Itaim

Telefone: (11) 3079-0853

A Galeria Marília Razuk inaugura no dia 21 de março, sábado, a exposição “Espelho Curvo”, da paulistana Ana Luiza Dias Batista. A mostra, que reúne trabalhos em diferentes mídias, com elementos que remetem ao universo dos parques de diversões e exploram a escala e função dos objetos, fica em cartaz até o dia 30 de abril.

Na entrada da galeria o espectador é recebido pelo “Bilheteiro”, um boneco João-Bobo todo preto de plástico inflável do tamanho de um homem que exige um desvio para que se adentre o espaço. A obra se repete no topo da escada que dá acesso à área administrativa da Galeria Marília Razuk.

Todas as paredes do espaço expositivo são cobertas por uma única pintura realista de um cortinado, também todo preto, feita por um grafiteiro, uma versão agigantada da cortina presente no que seria a entrada de “Eva”. Obra central da exposição, e que foi uma grande atração na mostra “Public”, durante a última Art Basel Miami, a escultura em fibra de vidro, em escala humana, é uma réplica miniaturizada da atração de parques de diversão dos anos 1980 – enorme brinquedo na forma de mulher, em cujo interior encontravam-se reproduções de órgãos humanos com áudios explicativos.

Em uma das salas da galeria fica a obra “Treino”, composta por três pinturas equestres feitas por encomenda, dispostas em “u”. As pinturas exibem exatamente o mesmo cavalo, num mesmo cenário, mudando apenas as posições das patas, sugerindo uma movimentação circular em torno do espectador. Ao lado, a obra “Mareado” consiste de dois canhões de luzes que dançam em sincronia, em movimentos lentos e contínuos, da esquerda para a direita.

Na sala intermediária é exibido “Molde-Modelo”, um molde agigantado de concha, em duas partes. “Um molde e uma concha bivalve são ambos cascos, caixas ocas partidas em duas metades, cujo interior é liso e o exterior rugoso. Molde e modelo coincidem. Nada diferencia o molde de uma concha de uma concha representada”, diz Ana Luiza.

Na sala central, onde fica “Eva”, encontram-se ainda as obras “Gênio”, balão flutuante de três metros de diâmetro em forma de cérebro que paira sobre a sala, “Abismo”, conjunto de conchas reais de forma similar, porém de tamanhos diferentes, encaixadas umas sobre as outras, e “Escalímetro”, miniatura de cinco centímetros do instrumento utilizado para aferir distâncias e transferir medidas em representações reduzidas.

As relações de escala e função permeiam toda a exposição, bem como a referência aos parques de diversões. “Se várias das peças da exposição remetem ao universo dos espetáculos e dos parques de diversões, trata-se menos de um tema do que de um regime de exibição e participação que essas peças internalizam, exploram e subvertem”, diz a artista. Embora possa ser lida como uma grande instalação, “Espelho Curvo” apresenta trabalhos autônomos, cujas reflexões se rebatem e se espelham. Porém, como o título sugere, esse espelhamento pode ser distorcido. “Em minha produção, ainda que as operações sejam resumidas e precisas, eu não aparo todas as arestas. A experiência geral da exposição não pode ser antecipada na soma das operações dos trabalhos”, explica a artista.