AGENDA DAS ARTES

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É como o vento...

Artistas: Sergio Lucena

Curadoria: Júlia Lima

De 2/4 a 21/5

Galeria Mezanino Ver mapa

Endereço: Rua Cunha Gago, 208 - Pinheiros

Telefone: 11 3436-6306

Foi a partir da pintura Éden, finalizada em 2015, que o paraibano Sergio Lucena pensou a exposição de trabalhos inéditos que abre em 2 de abril na Galeria Mezanino. A obra de grande dimensão – 2,5m x 2,5m –, que o artista considera um turning point em sua carreira, trouxe implicações que alteraram a dinâmica de seu trabalho: se antes suas pinceladas eram contínuas, indo de um extremo ao outro da tela, o formato do quadro maior do que a amplitude do gesto o fez desenvolver pinceladas curtas e mais sutis. A mostra "É como o vento...", que estará na galeria Mezanino de 2 de abril a 21 de maio, apresenta o resultado de seu novo processo criativo em um conjunto de telas inéditas, em grandes e médios formatos, produzidas entre o ano passado e o início de 2016, selecionadas pela curadora Júlia Lima.

Sergio Lucena, Paisagem como vislumbre cultivado nos vales, 2016 - óleo sobre tela, 120 X 90 cm (Divulgação)

“A ideia deste nome mais poético e aberto tem tanto a ver com o momento de apresentar o trabalho atual, o que está acontecendo agora e parece um pouco intangível, como também se relaciona com a própria natureza da pintura do Lucena, de evocar uma atmosfera e sugerir uma experiência, singular para cada um. O trabalho dele fala, primeiro, de sua própria experiência seminal no sertão, mas também desperta em quem contempla suas telas - paisagens, céus, mares, lugares que não podemos definir mas que de certa forma conseguimos enxergar - sensações afetivas, memórias inatas ou percepções ímpares”, afirma Júlia.

A pintura de Lucena é contemplativa, silenciosa e trata de uma memória subjetiva que nos lança ao infinito. Ele define sua busca como um sentido e gosto pelo universo, cuja manifestação se dá pela correspondência entre o mundo exterior e o mundo interior. São paisagens sugeridas e imaginárias que remetem a sua infância junto à natureza no sertão paraibano. Sua pintura, hoje, alcança uma sutileza tal que repousa em um limiar entre o figurativo e a abstração tonal. A luz remete à pintura de William Turner, sua inspiração primária, e da paixão pela arte dos flamengos (população da região do Flanders, no Norte da Bélgica), da luz holandesa que deixou marcas profundas na formação cultural de parte do Nordeste brasileiro, exatamente de onde ele vem. Sua pintura de natureza abstrata estabelece um diálogo com a obra de dois ícones americanos James Turrell e Mark Rothko. Turrell o leva a perceber como criamos nossa própria realidade a partir de uma percepção subjetiva das cores e do efeito que a luz tem sobre elas. Da pintura de campos de cor do Rothko, com uma aparente sensação de calma, Lucena filtra uma realidade humana plena de tragédia e êxtase. “Eu proponho um lugar de silêncio e contemplação frente o excesso contemporâneo", diz o pintor.

Sergio Lucena, Paisagem boa para pastores de vacas mansas, 2016 - óleo sobre tela, 140 X 140 cm (Divulgação)

Lucena também está representado no estande da Mezanino na 12ª SP-Arte (de 7 a 10 de abril, no Pavilhão da Bienal) com parte da nova produção, juntamente com trabalhos escultóricos de Siri e desenhos, objetos e gravuras de Edith Derdyk.

Sobre o artista
Sergio Lucena (João Pessoa, PB / 1963) iniciou-se na pintura aos 17 anos, no ateliê do artista Flávio Tavares. Falar da obra de Sergio Lucena é falar do esmero em mergulhar profundamente no universo da pintura. Ao longo da sua carreira obteve prêmios nos principais salões de arte no Brasil, ganhou bolsa de intercâmbio com artistas em Berlim, Alemanha, e vem participando de workshops promovidos por instituições na Dinamarca, Alemanha e EUA. Em 2012 recebeu da Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA, o Prêmio Mário Pedrosa como artista contemporâneo de 2011. Em 2014 realizou a individual Horizonte Comum, na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, PB, como resultado do Prêmio Energisa de Artes Visuais. Em 2015 faz sua individual ÆNIGMA na galeria Mariane Ibrahim Gallery, em Seattle, EUA, que também passa a representar o artista.

Sergio Lucena, Eden, 2014-15 - óleo sobre tela, 250 X 250 cm (Divulgação)

serviço
Exposição: "É como o vento...", de Sergio Lucena e curadoria de Júlia Lima.
Datas e horários: Abertura dia 2 de abril, sábado, das 11h às 19h. Em cartaz até 21 de maio de 2016. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h.
Conversa com o artista e a curadora: 8 de abril, sexta, das 11h30 às 13h.
Local: Galeria Mezanino | R. Cunha Gago, 208 - Pinheiros.
Entrada franca.