AGENDA DAS ARTES

Voltar

Duplos os Lugares | Colmeia | RareAr

Artistas: Ester Grinspum, Tuneu, e Shirley Paes Leme

Curadoria: -

4/9 a 19/10

Galeria Raquel Arnaud Ver mapa

Endereço: Rua Fidalga, 125 - Vila Madalena

Telefone: (11) 2368-1572

galeria Raquel Arnaud apresenta três mostras simultâneas: "Duplos os Lugares" de Ester Grinspum, "Colmeia" de Tuneu, e "RareAr" de Shirley Paes Leme. A abertura das exposições será no dia 04 de setembro, das 19h às 22h e elas ficam em cartaz na instituição até 19 de outubro. Saiba mais sobre cada uma a seguir:

Duplos os Lugares - Ester Grinspum


Ester Grinspum, bacias I 2019, Ferro encerado, 20 x 100 x 90 cm. Créditos: Divulgação

Em "Duplos Lugares", Ester funde dois títulos de mostras previamente realizadas entre os anos 80 e 90: Os Duplos, de 1989 e Do Lugar, de 1997. A exposição reúne quatro pares de esculturas feitas em ferro, quatro desenhos em nanquim que estabelecem um diálogo, e um desenho feito em bastão de óleo que sintetiza o diálogo dos trabalhos feitos em nanquim.

O desenho é a linguagem primordial do pensamento nos trabalhos de Grinspum, é a partir dele que a artista desenvolve seus trabalhos, desde os gráficos até as esculturas. Sônia Salztein, autora do texto expositivo afirma que: “Talvez se possa mesmo dizer que essa obra se realiza numa região indefinida entre o desenho e a escultura, e que seu desafio crucial seja manter-se numa tensão controlada entre esses dois lugares”. Outros traços marcantes na exposição são as questões como o diálogo e a delimitação, que também são recorrentes na produção da artista.  

“No vocabulário austero, de formas elementares que se decantaram ao longo de décadas de paciente lapidação nas obras gráficas de Grisnpum – nas quais círculos cheios e vazados, barras paralelas, retângulos hachurados e jarros se distribuem num deserto branco de papel – é na maior ou menor distância entre essas formas enigmáticas que o trabalho propriamente se realiza”, completa Salztein.  

 

Colmeia - Tuneu


Tuneu, sem título 2017, acrílica sobre papel, 38 x 60cm (48 x 70,7cm c moldura). Créditos: Divulgação

A geometria sensível, atenta aos diálogos entre planos e cores, é o objeto de estudo do professor, pintor e desenhista Tuneu (Antonio Carlos Rodrigues – São Paulo, 1948). Em sua última mostra realizada na galeria em 2017, o artista utilizou o hexágono como denominador comum em seus trabalhos, em Colmeia Tuneu amplia sua perspectiva e  foge de um padrão único, reunindo diferentes formas geométricas. 

O nome da exposição se deu em associação a forma do hexágono, que continua presente em suas obras. Colmeia reúne quatro pinturas e 15 desenhos que exploram os desdobramentos de formas e de cores na superfície. O texto curatorial é assinado por Fabio Magalhães que cita mais de uma vez as relações continente/conteúdo que, para Tuneu, referem-se às formas e seus reflexos no espaço. Enquanto um triângulo é continente como forma definidora de uma tela, por exemplo, vira conteúdo dentro de um desenho, de uma pintura.   

Magalhães avalia que a obra de Tuneu equilibra o poético e o cerebral na sua expressão. “Fugiu do padrão construtivo e das sequências matemáticas previsíveis; explorou os possíveis desdobramentos da forma e da cor na superfície, e incorporou, muitas vezes, irrupções de formas no espaço (zonas de tensão), que estimulam o movimento dos planos e das cores estabelecendo novos conjuntos e ritmos visuais”, sintetiza.

Outro aspecto ressaltado pelo crítico é o fato de que a obra do artista está em constrante transformação, experimentação e inovação. “O artista explora novos percursos sem abandonar as experiências adquiridas no passado. Desse modo, sem perder a memória e a coerência, a sua plástica permanece sempre aberta e com o frescor de um dia que amanhece”, completa Magalhães.

RareAr - Shirley Paes Leme


Shirley Paes Leme, O Ar Não Tem Lugar II, 2010, fumaça em filtro de ar condicionado de carro, 112 x 144. Créditos: Divulgação

Ao longo de sua trajetória, Shirley Paes Leme tem como uma das questões centrais  a matéria e os resultados provenientes das ações que elas sofrem, a artista adota como matéria o próprio vazio, o ar. Por este motivo o nome da mostra é "RareAr", enfatizando o “Ar” na palavra.

Um dos trabalhos apresentados na exposição é “Resíduos da cidade”,  iniciado na década de 1980 e desenvolvido até hoje, no qual Paes Leme retira filtros de ar condicionado de carros para criar desenhos e composições. Esses filtros de feltro sanfonado tem variados tons de cinza, resultado da fumaça filtrada na passagem do ar. Com um removedor, parte desses filtros são trabalhados, em um desenho feito pela remoção dessa matéria. “São desenhos sem marcas precisas, se constroem em manchas de degradê, entre peso e leveza. Eles explicitam o peso do ar, registram a cidade, e são eles mesmos a própria cidade impregnada”, afirma  Douglas de Freitas, que assina o texto da mostra. 

Outra obra exposta é a instalação “São Paulo à noite: Poema Concreto”, de 2014, na qual três estantes repletas de livros de temas diversos estão pintadas de negro. As únicas informações que a artista optou por revelar são poucas palavras nas lombadas dos livros, cuidadosamente escolhidas por Paes Leme. O resultado é a construção de um skyline, uma massa constante e similar, porém cheia de singularidades, como as cidades. “Assim como nós habitamos as cidades, no trabalho as palavras habitam o skyline, e se nossas histórias também constituem a identidade da cidade, aqui a cidade também se faz de histórias, das mais diversas possíveis, cheias de singularidades, como as cidades”. 

Serviço
Ester Grinspum – Duplos os Lugares, Tuneu – Colmeia, Shirley Paes Leme – RareAr
Datas e Horários: Abertura- 04 de setembro, das 19h às 22h. De 4/9 a 19/10. De segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 15h.
Local: Galeria Raquel Arnaud | Rua Fidalga, 125 – Vila Madalena, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.