AGENDA DAS ARTES

Voltar

Do Objeto para o Mundo - Coleção Inhotim

Artistas: Vários

Curadoria: Rodrigo Moura e Inês Grosso

De 02/04 a 31/05

Itaú Cultural Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 149 - Cerqueira César

Telefone: (11) 2168-1777

Até o dia 31 de maio, o Itaú Cultural recebe "Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim". Trata-se da maior apresentação da coleção que o instituto mineiro vem formando ao longo dos últimos 10 anos, e foi concebida como o seu primeiro grande projeto envolvendo o acervo fora de Brumadinho. Com curadoria do diretor de programas culturais da instituição, Rodrigo Moura, e da curadora portuguesa Inês Grosso, o recorte se foca no estilo neoconcreto dos últimos 50 anos, representado por mais de 50 obras de 29 artistas, nacionais e internacionais, a maioria das quais, nunca exibida em seu parque.

Depois de ser apresentada na Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no ano passado, "Do Objeto para o Mundo" chega a São Paulo com mais três obras inéditas: a instalação "Límite de una proyeccíon I" (1967), do argentino David Lamelas, a projeção "The U.S.A. Freestyle Disco Contest" (1979/2003) do americano Michel Smith e o filme de artista "0314" (2002), do mineiro Marcellvs L. A obra "Seção Diagonal", de Marcius Galan, instalada em Inhotim desde 2010, foi readequada para o espaço do Itaú Cultural.

Hélio Oiticica, Relevo espacial A17. Foto: Cortesia Projeto Hélio Oiticica

Entre artes ambiental, processual e conceitual, instalações, vídeo e filme de artista, escultura em campo ampliado, performance e acionismo, reinvenção da fotografia documental, a exposição ocupa três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural. Dividida em seis núcleos temáticos, possibilita ao visitante conhecer como a arte neoconcreta praticada entre as décadas de 1950 e 1970 exerceu decisiva influência sobre as técnicas contemporâneas. A linha curatorial parte do momento histórico em que a arte deixa de se resumir a objetos para existir de maneira mais aberta para o mundo. Nesse contexto, elementos do cotidiano, do espaço real, da política e do corpo são incorporados e o espectador se transforma em participante. Vem daí o nome dado à exposição que também faz referência à manifestação "Do Corpo à Terra", realizada durante a inauguração do Palácio das Artes, de Belo Horizonte, em abril de 1970. Organizado por Frederico Morais, um dos mais importantes críticos de arte da vanguarda brasileira naquela década, o evento é considerado ainda hoje um marco das investigações sobre arte ambiental e experimentalismo de vanguarda no Brasil.

Duas produções realizadas naquela ocasião também integram esta mostra: "Ação no Parque Municipal", 1970, de Décio Noviello, e "Situação T/T 1 – Belo Horizonte", 1970, de Artur Barrio. O título da exposição retoma, ainda, a célebre frase “museu é o mundo”, do artista Hélio Oiticica, além de outras referências neoconcretas à crise do objeto. “'Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim' representa uma espécie de estudo genealógico do neoconcretismo de diversas gerações e partes do mundo e uma compreensão sobre a linha expositiva do próprio museu-sede, em Brumadinho”, observa Moura. As obras datam dos anos de 1950 até os dias de hoje propondo uma reflexão sobre como se formou o campo da arte contemporânea a partir da coleção e do programa da instituição, inaugurada ao público em 2006. “São trabalhos que deixam perceber possíveis caminhos na história da arte dos últimos 50 anos, que permitiram ao Inhotim ser o que é”, completa.

Tsuruko Yamazaki, Red. Foto: Cortesia Instituto Inhotim, Eduardo Eckenfels.