AGENDA DAS ARTES

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Condomínio

Artistas: Vivian Caccuri

Curadoria: Galeria Leme

De 07/05 a 13/06

Galeria Leme/AD Ver mapa

Endereço: Avenida Valdemar Ferreira, 130 - Butantã

Telefone: (11) 3093-8184

A Galeria Leme recebe, entre os dias 7 de maio e 13 de junho, a primeira individual de Vivian Caccuri em São Paulo. Sob o título de “Condomínio”, a artista, que há três anos organiza mensalmente a performance “Caminhada Silenciosa” – uma expedição urbana organizada para que 20 pessoas permaneçam por oito horas em voto de silêncio enquanto derivam por diferentes lugares da cidade –, apresentará esculturas, instalações e desenhos.

Em “Condomínio”, a artista mostra quatro diferentes séries de trabalhos inéditos, fazendo uso da tecnologia, como nas séries Adeus e Bias para refletir sobre a permeabilidade entre espaço público e espaço privado. A escultura Adeus,  por exemplo, é composta por um minisoundsystem do começo dos anos 2000, modificado em parceria com engenheiros para que sintonizasse diversas rádios simultaneamente e reagisse à circulação dos visitantes no espaço expositivo.

Em Bias, a artista coletou centenas de retratos de transeuntes no centro do Rio de Janeiro para subverter uma das primeiras tecnologias de reconhecimento facial, chamada “Eigenface”. Este sistema, que cria uma espécie de “impressão digital” a partir de diferentes imagens do rosto de uma pessoa, foi usado para compor uma mancha fantasmagórica das cem pessoas fotografadas na rua. A partir da versão digital, a artista produziu desenhos em carvão sob papel.

A série Pagode é uma espécie de tapeçaria às avessas, onde membranas protetoras de obras da construção civil, como telas de sinalização e cobertura de fachadas, são desfiadas e transformadas em grandes desenhos geométricos. Suas pontas são soltas e sustentam cacos de vidro ou barras de alumínio, o que lhe dá movimento e som quando movimentadas pelo observador. Outra obra que pode ser manipulada na exposição é a série My Mistake, composta a partir de chaves descartadas por chaveiros da região central de São Paulo por erros na gravação do segredo ou por não abrirem as novas fechaduras. As chaves são penduradas diretamente nas paredes de concreto formando desenhos baseados em gráficos de pesquisas econômicas e de opinião. As chaves, quando tocadas pelo público, produzem um som agudo e brilhante no espaço da galeria.

Os materiais, formas, lugares e dinâmicas de “Condomínio” fazem parte da pesquisa do trabalho “Caminhada Silenciosa”. Enquanto a artista pesquisa os locais para a deriva em silêncio, encontra pessoas, objetos e situações que tornam-se cumulativamente elementos para projetos como os dessa exposição. Assim, como já acontece com as caminhadas, “Condomínio” reorienta a presença física do visitante, refletindo sobre o papel da intimidade e da integração das diferenças (ou a exclusão das duas) na constituição do espaço público: estaria o mundo material brasileiro sob um processo de condominização?

Janela / Autora: Vivian Caccuri