AGENDA DAS ARTES

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As tramas de Jéssica Mein

Artistas: Jéssica Mein

Curadoria: Galeria Leme

De 28/03 a 25/04

Galeria Leme/AD Ver mapa

Endereço: Avenida Valdemar Ferreira, 130 - Butantã

Telefone: (11) 3093-8184

Tramas é a segunda exposição individual de Jessica Mein na Galeria Leme, com duração até 25 de abril. A artista apresenta obras de parede assim como estruturas espaciais. Com este novo corpo de trabalho, Mein aprofunda sua pesquisa sobre a fisicalidade e espacialidade de imagens e subverte ainda mais as fronteiras e hierarquias entre imagem e o suporte que a sustenta, superfície e estrutura.

A obra de Mein incide sobre os materiais visuais cada vez mais obsoletos de São Paulo e Dubai, que estão sendo substituídos por alternativas de alta tecnologia. Seu fascínio por elementos quase extintos, tais como as estruturas e papéis de outdoors de São Paulo e os sacos de cânhamo impressos manualmente, dos mercados nos arredores de Dubai, está enraizado numa investigação sobre os sistemas de produção e difusão de imagens em todo o espaço urbano, e nossa consequente relação física e mental com esses processos e produtos.

Foto divulgação / Galeria Leme

Em contraste à facilidade e rapidez avassaladoras como as imagens são produzidas e difundidas hoje em dia, as intervenções físicas de Mein são altamente trabalhosas, lentas e complexas.

Mein combina fragmentos de outdoors, originalmente descartados devido a erros de fabricação, com as impressões manuais dos sacos de cânhamo, que são geralmente usados para transportar arroz. A artista usa o cânhamo como uma fonte de imagens, superfície e suporte para suas obras. Em seguida, uma nova imagem é sobreposta à que existia anteriormente no saco de cânhamo. A artista também digitaliza, com um scanner, partes destes sacos e transfere estas novas imagens para o cânhamo em branco. Depois ela desfia, rasga e corta o material, num processo manual que está inevitavelmente condenado a erros e imperfeições. Ao fazer isso, revela simultaneamente a constituição do tecido, decompondo-o aos seus fios e fibras, e também expõe a estrutura de sustentação do próprio trabalho, mostrando os chassis de madeira por trás do cânhamo.

Essa inversão entre o bastidor estrutural e a imagem é levada mais longe com um grupo de instalações de madeira que estão espalhados ao redor do espaço expositivo, confrontando fisicamente o espectador com seu tamanho e escala. As qualidades formais dessas construções quase-arquitetônicas ecoam tanto as obras nas paredes, tal como as precárias estruturas urbanas que sustentam imagens de grande porte. Aqui, os elementos de apoio tornam-se tão importante quanto as imagens desconstruídas.

Numa oscilação constante entre construção e a posterior sabotagem de suas próprias obras, a exploração de Jessica Mein se estende desde a micro escala das fibras do cânhamo até à macro escala das estruturas espaciais que nos lembram os outdoors. Ao alterar e experimentar os seus trabalhos até às suas arquiteturas mais básicas, a artista questiona a autoridade da imagem como a mais abrangente comodificação contemporânea.

Foto divulgação / Galeria Leme