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Tomie Ohtake centenária é foco de primeira exposição com obras da artista após sua morte

Dois meses depois da morte de Tomie Ohtake, ocorrida no dia 12 de fevereiro deste ano, o instituto que leva seu nome realiza a primeira exposição póstuma, com cerca de 30 telas feitas pela artista entre seus 100 e 101 anos. A mostra, que vai até 7 de junho, também oferece sete depoimentos inéditos em vídeo, de críticos e artistas como Carmela Gross, Leda Catunda, Jac Leirner e Miguel Chaia.

Com curadoria de Paulo Miyada, a exposição apresenta pinturas, em sua maioria, monocromáticas, iniciadas por uma série branca, seguida pelas de cores. "Essas telas arriscam reduzir drasticamente a variação cromática, exibindo em grande parte monocromos brancos, vermelhos, azuis e amarelos em que linhas e formas se delineiam por relevos e aglomerados de tinta dispostos de forma irregular".

Evidenciando a diversidade da artista, que, além de pintora, também era escultora e gravadora, o Instituto Tomie Ohtake reuniu ainda obras em metal, em que se destacam as curvas e torções moldadas durante o processo de criação.

Tomie Ohtake foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural pelo presidente Lula em 2006. Crédito: Wikicommons

Trajetória
A carreira de Tomie Ohtake ganha destaque especialmente a partir dos seus 50 anos, quando realiza mostras individuais e conquista prêmios em diversos salões brasileiros. Em sua trajetória, ela participou de 20 Bienais Internacionais (seis de São Paulo, em Veneza, Tóquio, Havana, Cuenca, entre outras) e contabiliza em seu currículo mais de 120 exposições individuais (em 20 capitais brasileiras, além de cidades como Nova York, Washington, Miami, Tóquio, Roma e Milão).

Marcam ainda a sua produção as mais de 30 obras públicas desenhadas na paisagem de várias cidades brasileiras como São Paulo (Av. 23 de Maio, 1988; Anhangabaú, 1984; Cidade Universitária, 1994, 1997 e 1999; Auditório Ibirapuera, 2004; Auditório do Memorial da América Latina, 1988; Teatro Pedro II em Ribeirão Preto, 1996; entre outras), Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Araxá e Ipatinga, feito raro para um artista no Brasil. Entre 2009 e 2010, suas esculturas alcançaram também os jardins do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio e a província de Okinawa, no Japão.  

Tomie levou a sua arte para outras frentes. Criou dois cenários para a ópera Madame Butterfly, o primeiro em 1983, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e o segundo em 2008, no Teatro Municipal de São Paulo. Foi convidada a criar obras para prêmios e comemorações, como por ocasião do centenário da imigração japonesa, em 2008, quando concebeu a monumental escultura em Santos e a do Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo.

Em 2013 Tomie Ohtake chegou aos 100 anos, comemorados com 17 exposições pelo Brasil, com destaque para Gesto e Razão Geométrica, com curadoria de Paulo Herkenhoff e Influxo das Formas, com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada. Em 2014 concebeu as pinturas que fazem parte desta nova exposição, tendo sucesso em seu desejo: “gostaria de viver enquanto puder trabalhar”.

Escultura em homenagem ao centenário da imigração japonesa, em Santos. Crédito: Wikicommons.

Serviço
Exposição: Tomie Ohtake 100-101
Até 07 de junho de 2015
Terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Instituto Tomie Ohtake - Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros, São Paulo.