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Rodrigo Sombra inaugura individual na Galeria São Paulo Flutuante

“Noite Insular: Jardins Invisíveis” é resultado de uma imersão de cinco meses em Cuba, e apresenta fotografias analógicas que tomam como ponto de referência o imaginário marítimo e exploram um conceito subjetivo de “insularidade”, evocando tensões entre o senso de isolamento e o anseio por cruzar os limites da ilha. 


Rodrigo Sombra, Mars, 2015. Fotografia, filme 35mm, 30 x 45 cm. Foto: Rodrigo Sombra / Divulgação.

Galeria São Paulo Flutuante inaugura no dia 21 de março “Noite Insular: Jardins Invisíveis”, primeira individual do fotógrafo baiano Rodrigo Sombra, com curadoria de Regina Boni, e texto de apresentação por Caetano Veloso. Composta por 30 imagens captadas com câmeras analógicas ao longo de uma imersão de cinco meses em Cuba, a mostra toma como ponto de referência o imaginário marítimo e explora um conceito subjetivo de “insularidade”. Traço decisivo da cultura cubana, a insularidade se faz sentir na obra de Sombra para além do seu sentido meramente geográfico. Nesta exposição, o conceito serve como chave para explorar as dinâmicas do desejo na Cuba contemporânea, evocando tensões entre o senso de isolamento e o anseio por cruzar os limites da ilha.

“Sua ida a Cuba é o encontro com um nó histórico, cultural, geopolítico e existencial”, afirma Caetano Veloso, a respeito da obra de Sombra, no texto de apresentação. “Ao invés de esconder ou congelar as figuras humanas e seus entornos em formalismo frio, tais composições sublinham-lhes o mistério, a sensualidade, o desamparo e o prazer de ser. Sombra revela-se um artista verdadeiro e um observador sensível. A beleza de suas fotos reside na aventura humana de quem capta e de quem é captado. Isso leva quem as vê a pensar mais longe e sentir mais fundo”, diz o compositor sobre a exposição.

Rodrigo Sombra, Americano, 2018. Fotografia, filme 35mm, 30 x 45 cm. Foto: Rodrigo Sombra / Divulgação.

O título da série é inspirado num poema do escritor cubano José Lezama Lima. Para o fotógrafo Rodrigo Sombra, “Noite Insular: Jardins Invisíveis” explora os estímulos da presença estrangeira em Cuba, cada vez mais intensos desde a recente abertura cultural e econômica da ilha. Ao abordar as relações contraditórias entre os cubanos e a influência estrangeira, Sombra esboça uma estética de forte apelo geométrico. Com frequência, a base documental de suas imagens se perde em jogos de linhas e sombras que aspiram à abstração. Descortina-se assim a de visão uma Cuba insuspeitada, em tudo avessa às imagens exóticas do turismo ou à grandiloquência da propaganda revolucionária.

À diferença das multidões celebradas nas fotografias oficiais cubanas, em suas fotos Sombra privilegia o indivíduo. Nelas, veem-se corpos esquivos, frequentemente sombreados, que nos interrogam sobre o que vemos, e também sobre aquilo que é ocultado. Sua câmera se abre ainda aos signos da cultura popular: símbolos religiosos, tatuagens, logomarcas esportivas e bandeiras estrangeiras, rastros dos novos imaginários a povoar a ilha interior dos cubanos.

Rodrigo Sombra, O sonho de Andy, 2014. Fotografia, filme 35mm, 30 x 45 cm. Foto: Rodrigo Sombra / Divulgação.

A exposição de Rodrigo Sombra é o terceiro projeto da Galeria São Paulo Flutuante, que não se fixará em um só endereço na capital paulista. Criada pela marchande e estilista tropicalista Regina Boni, em 1981, a Galeria São Paulo realizou exposições memoráveis de Hélio Oiticica, Walter Smetak, Mestre Didi, Aluísio Carvão, Leda Catunda, Luiz Paulo Baravelli, entre outros. Reaberta no final de 2018, a galeria pretende agora apresentar novos artistas e contrastar com tendências petrificadas do mercado de arte brasileiro. Sobre a individual de Rodrigo Sombra, Regina Boni comenta: “Muitas pessoas do meio da fotografia estão destacando o fato de eu, neste momento de ressurgimento e considerando meu passado, que só expus poucos e famosíssimos fotógrafos, esteja me dedicando de corpo e alma ao trabalho do Rodrigo, que é uma revelação. Algo novo. Arte fotográfica”.

Rodrigo Sombra
Fotógrafo baiano, nasceu em Ipiaú, em 1986. Em 2012, integrou a exposição coletiva “Uma visita ao Benin – Fotografias de uma Viagem”, no Museu Afro Brasil, em São Paulo, com curadoria de Emanoel Araújo. Também participou de coletivas no Rayko Photo Center e Dryansky Gallery, em San Francisco, Califórnia, onde viveu por três anos. Em 2018, “Noite Insular: Jardins Invisíveis”, sua série sobre a Cuba contemporânea, foi selecionada para ser editada como livro pela revista e editora britânica Paper Journal. Foi um dos 3 artistas selecionados pela Paper Journal em uma convocatória que recebeu mais de 400 projetos de todo o mundo. O livro será lançado em maio de 2019, em Londres e em São Paulo.

Rodrigo Sombra, NBA, 2019. Fotografia, filme 35mm, 30 x 45 cm. Foto: Rodrigo Sombra / Divulgação.

Serviço
Exposição: “Noite Insular: Jardins Invisíveis”, de Rodrigo Sombra com curadoria Regina Boni.
Datas e horários: Abertura dia 19 de março de 2019, terça-feira, às 19h. Em cartaz até 18 de maio de 2019. De segunda a sexta-feira, das 10h às 12h, e das 13h às 18h; sábado, das 10h às 13h.
Local: Galeria São Paulo Flutuante | Rua Estados Unidos, 2.186 - Jardim América, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.