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Os 20 artistas mais influentes de 2017

O ano de 2017 chega aos seus últimos dias! E com o final de ano vêm também as análises e retrospectivas sobre os 365 dias que passaram. Os editores do Artsy fizeram sua lista e selecionaram os 20 artistas mais influentes no ano de 2017. Você concorda com os nomes selecionados?

Confira a lista e comente quem você acha que ficou faltando!

Pierre Huyghe (Paris, França, 1962. Vive e trabalha em Paris e Nova York)
O artista vencedor do Prêmio Nasher deste ano tem sido uma figura reverenciada do movimento de arte conceitual conhecido como Estética Relacional desde os anos 1990. Seu trabalho After Alife Ahead, apresentado este ano em Münster, Alemanha, é uma instalação onde o próprio público se torna parte da obra, e marca o culminar de vários experimentos e trabalhos preparatórios realizados pelo artista nos últimos anos. As instalações de Huyghe atingem um equilíbrio sombrio entre a participação e a sujeição simultâneas de seus espectadores ao sistema que ele cria – um sistema que, uma vez iniciado, também está fora do controle do artista. Os resultados, com elementos infinitamente interligados e efeitos em cascata, são ambientes que refletem a complexidade do nosso próprio meio social, fato que torna o artista um dos mais importantes de sua geração.

Pierre Huyghe, After ALife Ahead, 2017. Foto: Ola Rindal. Cortesia do artista e de Esther Schipper. (Reprodução Artsy)

Carolee Schneemann (Pensilvânia, EUA, 1939. Vive e trabalha em New Paltz, Nova York)
A artista conceitual é uma importante expoente do movimento artístico feminista nos EUA durante os anos 1960 e 70, mas demorou mais de meio século para que sua Body Art e seu pioneirismo em performances feministas obtivesse o devido reconhecimento. Em 2017, Schneemann recebeu o prestigiado Leão de Ouro, prêmio máximo da Bienal de Veneza, por sua trajetória artística, e em outubro, o MoMA PS1 inaugurou "Carolee Schneemann: pintura cinética", a primeira pesquisa abrangente sobre a carreira de 60 anos da artista.

Carolee Schneemann, More Wrong Things, 2000. © Carolee Schneemann. Cortesia de Carolee Schneemann, Galeria Lelong & Co., e P.P.O.W, Nova York. (Reprodução Artsy)

Mark Bradford (Los Angeles, EUA, 1961. Vive e trabalha em Los Angeles)
A cada ano que passa, o trabalho de Bradford cresce e seus temas são mais ambiciosos. O Pavilhão Americano na Bienal de Veneza deste foi transformado em uma terra desolada pelo artista, que abrigava uma enorme forma de aparência putrefata, vermelha e negra, de textura grossa, composta de camadas de papel, lonas e vernizes. Essa obra, Tomorrow is Another Day, se assemelha a outros trabalhos do artista onde a percepção de certa falência moral, que advém da representação metafórica que o americano faz de seu país, é reforçada. Por outro lado, a história dos EUA teve sua importância afirmada e relembrada na obra Pickett’s Charge, um grande site-specific realizado na capital americana que reconfigura, de forma abstrata, digital e em um vocabulário contemporâneo, a obra Gettysburg Cyclorama (1883), do artista francês Paul Dominique Philippoteaux, sobre a Batalha de Gettysburg, durante a Guerra Civil Americana.

Mark Bradford, Pickett's Charge (detail), 2017. Foto: Joshua White. Cortesia do artista e de Hauser & Wirth. (Repdorução Artsy)

Camille Henrot (Paris, França, 1978. Vive e trabalha em Nova York)
A carreira da artista francesa de 39 anos vem ganhando força desde que ganhou o Prêmio Leão de Prata na Bienal de Veneza, em 2013, com o vídeo Grosse Fatigue e a instalação complementar subsequente, The Pale Fox. A exposição individual “Days is Dogs”, sua primeira individual, realizada em sua cidade natal e que dividiu o Palais de Tokyo em sete seções que questionavam a arbitrariedade de como marcamos o tempo e ritualizamos nossas vidas, talvez seja a confirmação dessa ascensão. A mostra pareceu quase como uma pequena retrospectiva da artista que, apesar de ter ganho reputação por seus ensaios multimídia que interrogam as histórias que contamos, seja através de mitos antigos ou objetos do cotidiano, não se prende a categorias e explora diferentes suportes.

Camille Henrot, Your signature needed NOW, 2017. Cortesia da artista e do Metro Pictures, Nova York. (Reprodução Artsy)

Ai Weiwei (Pequim, China, 1957. Vive e trabalha em Berlim)
Ai Weiwei se tornou a consciência do mundo da arte quando se trata da situação dos povos deslocados em todo o mundo – tendo ele mesmo passado a infância no exílio devido a pressão exercida sobre seu pai, um poeta chinês. Em 2017 o artista apresentou seu maior trabalho até então na Galeria Nacional de Praga: Law os the Journey, um barco inflável de 70 metros preenchida com 258 figuras escultóricas, uma obra inteiramente preta que chamou a atenção para a política imigratória europeia. O artista também realizou sua primeira incursão em filme com o visualmente deslumbrante, "Human Flow", documentário exibido inauguralmente no Festival de Cinema de Veneza, em setembro, e que trata da questão migratória em diferentes partes do globo (o filme foi incluído na lista do Oscar de Melhor Documentário). Mais recentemente, o artista trouxe o tema dos refugiados para um ambicioso projeto de arte pública em Nova York, a intervenção Good Fences Make Goog Neighbours, onde mais de 300 peças – como retratos de imigrantes em Nova York, banners de refugiados e uma grande escultura de gaiola de aço construída sob o arco do Washington Square Park – estão espalhadas por diversos pontos da cidade (permanecendo expostos até 11 de fevereiro de 2018).

Ai Weiwei, Arch, 2017. Cortesia de Ai Weiwei Studio/Frahm & Frahm. Foto: Jason Wyche, cortesia do Public Art Fund, NY. Vista de parte da exposição "Good Fences Make Good Neighbours", apresentado pelo Public Art Fund entre 12 de outubro de 2017 e 11 de fevereiro de 2018, em Nova York. (Reprodução Artsy)

Lubaina Himid (Zanzibar, Tanzânia, 1957. Vive e trabalha em Preston, Reino Unido)
A artista tanzaniana fez história este ano ao receber o Prêmio Turner de 2017, o mais prestigiado prêmio de arte britânico. A artista de 63 anos, além de ser a primeira mulher negra a receber o prêmio, é também a mais velha. Himid é reconhecida por suas obras que exploram a identidade e a criatividade pretas, o legado do colonialismo e do racismo, e os preconceitos institucionais contra mulheres e negros. Como exemplo, temos suas obras com tradicionais louças britânicas sendo apresentadas em cenas de escravidão, ou sua séria mais conhecida Negative Positives, iniciada ainda em 2007, onde desenhos padronizados são pintados em grandes áreas de matérias do jornal The Guardian que tratavam de assuntos relacionados à população negra.

Lubaina Himid, uma peça de Swallow Hard: The Lancaster Dinner Service, 2007. Cortesia de Hollybush Gardens.(Reprodução Artsy)

Wolfgang Tillmans (Remscheid, Alemanha, 1968. Vive e trabalha em Berlim e Londres)
Tillmans foi o primeiro artista não britânico a conquistar o Prêmio Turner em 2000, e em 2017 foi objeto de mais elogios ingleses quando a Tate Modern montou uma grande pesquisa explorando o trabalho realizado pelo artista desde 2003 – período maduro, com experiências digitais e abstratas e com foco em questões políticas, como a invasão do Iraque. E apesar de sua prática artística vir progredindo desde os anos 1980, foram nos últimos dois anos que o artista atingiu novos níveis de reconhecimento da crítica e do público. O alemão ainda teve uma retrospectiva importante na Suíça, onde 200 trabalhos abrangeram sua carreira de 1986 a 2017, variando entre temas e suportes, que iam de fotografias de naturezas mortas e retratos espontâneos a xerografias e instalações; tal exposição sugeriu que Tillmans ainda é capaz de transformar sua prática com facilidade, sem mencionar seu domínio sobre o campo da fotografia em geral.

Wolfgang Tillmans, Anders (Brighton Arcimboldo), 2005. Fundação Beyeler, Riehen/Basel. © Wolfgang Tillman. (Reprodução Artsy)

Njideka Akunyili Crosby (Enugu, Nigéria, 1983. Vive e trabalha em Los Angeles)
Com suas pinturas à base de colagens que retratam cenas íntimas e pessoais, densamente padronizadas e que exploram momentos de avaliação pessoal e também o racismo enfrentado por imigrantes nos EUA, a nigeriana, que hoje vive em Los Angeles, concentra-se cada vez mais na tendência conhecida como “Afropolitanismo”: a mudança de identidade multicultural de cidadãos africanos e membros da diáspora africana à medida que se mudam para mais centros urbanos ao redor do mundo. Em 2017, Akunyili Crosby deu um grande passo em sua carreira ao receber a admirável bolsa MacArthur “Genius”, e seus trabalhos – uma mistura de acrílico, têxteis, recortes de revistas nigerianas, transferências de imagens fotográficas e outras mídias – estiveram expostos simultaneamente em museus americanos e podem ser vistos até 25 de fevereiro de 2018 na Prospect.4, trienal de arte contemporânea que acontece em Nova Orleans, EUA.

Njideka Akunyili Crosby, Home: As You See Me, 2017. Foto: Brian Forrest. © Njideka Akunyili Crosby. Cortesia da artista e Victoria Miro, London/Venice.

JR (Paris, França, 1983. Vive e trabalha em Paris e Nova York)
O fotógrafo e artista de rua francês é conhecido por seus trabalhos ao ar livre, em grande escala, de viés humanista e que geralmente aparecem em áreas com pouco acesso à cultura e de grande disparidade socioeconômica. Entre eles estão Woman are Heroes (2008), no qual os olhos das mulheres do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, foram pintados nas laterais das casas da favela mais antiga da cidade; e, mais recentemente – em setembro –, Kikito, um bebê em preto e branco com mais de 20 metros de altura que se espreita por sobre a cerca na fronteira entre a cidade de Tecate, no México, e os EUA. A obra surgiu poucos dias após a decisão do presidente americano, Donald Trump, de revogar uma ação deferida que oferecia proteção legal aos menores de idade que entraram ilegalmente nos EUA, muitas vezes acompanhados de seus pais.

Durante o ano de 2017, além de outros trabalhos, o artista também instalou um mural de 150 metros quadrados no Palais de Tokyo, em Paris, e estreou o documentário Faces / Places com a lendária cineasta belga, Agnès Varda, de 89 anos. No filme, vencedor do prêmio Olho de Ouro em Cannes e integrante da lista de indicações ao Oscar de Melhor Documentário, a dupla documenta suas interações com pessoas da França rural enquanto viajam o país criando retratos em grandes dimensões daqueles que encontram.

JR, GIANTS, Kikito, Tecane, Mexico, 32.579458, -116.588734, 2017. © JR-ART.NET.

Barbara Kruger (Newark, Nova Jersey, 1945. Vive e trabalha em Nova York e Los Angeles)
Como uma série de artistas feministas que atingiram a maioridade na década de 1970, o trabalho de Kruger volta a ter aclamação este ano, tornando-se um grito por políticas progressistas no momento em que esses valores estão sendo atacados. Integrante da “Pictures Generation” (“Geração das imagens”) - grupo de artistas que emergiram  entre os anos 1970 e 80 e que se apropriavam das imagens dos meios de comunicação de massa -, a artista tem sido uma influência pioneira durante décadas, mas continua a ressoar fortemente em uma época de divisão política, mantendo-se fiel ao seu formato mais conhecido: imagens apropriadas, misturadas com textos fortes em fonte Futura. Em 2017, Kruger encerrou uma retrospectiva na Galeria Nacional de Arte de Washington, EUA; apresentou FOREVER, uma instalação com texto emprestado de Virginia Woolf, no Sprüth Magers, em Berlim; e um projeto provocador para a Bienal Performa 17, em Nova York.

Instalação de Barbara Kruger para o Performa 17. Foto: © Paula Court. Cortesia da Performa.

Pope.L (Newark, Nova Jersey, 1955. Vive e trabalha em Chicago)
Desde a década de 1970, Pope.L desenvolveu uma prática artística que combina performance, vídeo, pintura e escultura. Em 2017, no espaço de exposição alternativo de Detroit, o Pipeline, o artista lançou o projeto Flint Water, um projeto simples, mas forte: ele recolheu água contaminada com chumbo do rio Flint, Michigan, e depois engarrafou e vendeu o resultado como uma espécie de readymade nada saudável. Outra obra do artista nesse ano foi Claim (Whitney Version), que o artista apresentou na Bienal Whitney 2017; tipicamente irreverente, a instalação é um grande e enigmático cubo cor de rosa que se revela complexa ao discutir o atual ressurgimento de políticas de identidade, e que proporcionou o Prêmio Bucksbaum ao americano.

Pope.L, Claim (Whitney Version), 2017. © Pope.L. Foto: Bill Orcutt. Cortesia do artista; Mitchell-Innes & Nash, NY e Whitney Museum of American Art, Nova York.

Yayoi Kusama (Matsumoto, Japão, 1929. Vive e trabalha em Tóquio)
A carreira da artista japonesa abrange sete décadas de produção, mas 2017 talvez tenha sido o seu maior ano. As instalações de Kusama, que perpassam a Pop Arte e o Minimalismo, colocaram a artista de 88 anos no circuito artístico em meados do século 20, e a tornaram uma das artistas mulheres mais vendidas em leilões hoje. Por outro lado, jovens fãs possuem agora uma nova plataforma para interagir com as instalações brilhantes e espelhadas, e com as abóboras gigantes pintadas com bolinhas coloridas de Kusama: o Instagram. A artista, que inaugurou em outubro, em Tóquio, um museu de cinco andares dedicado inteiramente à sua carreira, apresentou ainda individuais nos EUA, Cingapura e Austrália.

Yayoi Kusama, vista da instalação Yayoi Kusama: Festival of Life, David Zwirner, Nova York, 2017. Imagem: © Yayoi Kusama. Cortesia de David Zwirner, Nova York; Ota Fine Arts, Tokyo/Singapore/Shanghai; Victoria Miro, Londres; YAYOI JUSAMA Inc.

Haroon Mirza (Londres, Reino Unido, 1977. Vive e trabalha em Londres)
Em 2017 a obra do artista britânico, Mirza, transcendeu a esfera artística. Conhecido por suas montagens cinéticas e escultóricas que emitem som e luz, o artista iniciou o ano com sua primeira individual, na Galeria de Arte Contemporânea de Vancouver, Canadá. Intitulado “Entheogens” (“Enteógenos”), a mostra apresentou pela primeira vez uma série de obras que imitam as sensações psicodélicas de plantas e fungos, como o Peyote e os cogumelos mágicos. Em outra exibição, Mirza apresentou também quatro obras que, de alguma forma, interviam nas experiências dos visitantes com o edifício, o espaço e as obras da Coleção Zabludowicz, em Londres – uma dos trabalhos apresentados era uma câmara de privação sensorial, que visava criar um estado de consciência alterado nos espectadores. O artista ainda trabalha em uma grande escultura ao ar livre inspirada em estruturas megalíticas, como Stonehenge: pedras de mármore preto integradas com painéis solares, LEDs e alto-falantes que emitirão sons eletrônicos e luz em uma experiência mística bem ao estilo do novo milênio.

Vistas da instalação Haroon Mirza/HRM199: FOR A PARTNERSHIP SOCIETY, the Zabludowicz Collection Annual Commission, 2017. Foto: Tim Bowditch. Cortesia do artista e da Coleção Zabludowicz.

Anne Imhof (Giessen, Alemanha, 1978. Vive e trabalha em Frankfurt)
Na Bienal de Veneza deste ano, a performance minimalista e gótica de Imhof lhe rendeu o ilustre Prêmio Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional, do Pavilhão Alemão. Reconhecida por seus trabalhos desconfortavelmente voyeuristas, com Faust, que durou cerca de cinco horas e foi considerado uma obra-prima da angústia dos dias modernos, não seria diferente. Na performance, são investigadas estruturas de poder tanto do passado como do presente que ditam e escravizam a vida da sociedade com promessas de liberdade e liberdade de expressão. A artista alemã também levou o Prêmio Absolut Art 2017, que vem com um orçamento para organizar uma nova performance, ambientada, dessa vez, no deserto de Death Valley, Califórnia, EUA.

Eliza Douglas, Franzsiak Aigner, Stine Omar, Lea Welsch, Theresa Patzschke em Faust, 2017, de Anne Imhof. Foto: © Nadine Fraczkowski. Cortesia da artista e do Pavilhão Alemão 2017.

Damien Hirst (Bristol, Reino Unido, 1965. Vive e trabalha em Londres)
“Sem dúvida, uma das piores exposições de arte contemporânea exibidas na última década”, escreveu Andrew Russeth, da ARTnews, sobre a exposição de Hirst, “Treasures from the Wreck of the Unbelievable” (“Tesouros do Naufrágio do Inacreditável”), em Veneza. A opinião do crítico é quase que um consenso entre membros da imprensa artística e grande parte dos que estão nos círculos internos do mundo da arte, mas, mais do que qualquer artista, o britânico tem cultivado propositalmente uma audiência diferente e muito grande, com pessoas formando fila para conferir a mostra onde todas as obras estavam à venda. Isso levanta questões como: que tipo de público importa? É possível hoje em dia discutir a linha entre arte e comércio? A mostra de Hirst, uma confusão pós-moderna de referências, estilos e materiais, foi desigual, sabiamente estúpida, espetacular e, inegavelmente divertida. Um dos destaques foi Demon with Bowl (Exhibition Alargment) (2014), uma escultura de vários andares de um homem sem cabeça com um físico de herói.

Damien Hisrt, Demon with Bowl (Exhibittion Enlargement). Foto: Prudence Cuming Associates. © Damien Hirst e Science Ltd. Todos os direitos reservados, DACS 2017.

Mika Rottenberg (Buenos Aires, Argentina, 1976. Vive e trabalha em Nova York)
Criada em Israel, Rottenberg disse que seu objetivo é “tornar o trabalho tão acessível quanto possível, sendo inteligente”. Seguindo suas próprias paixões e curiosidades, a artista trabalha, principalmente, como vídeo-artista e escultora, suportes onde aborda assuntos espinhosos, como o trabalho e a globalização, através de suas distorcidas lentes technicolor. O resultado são obras como Cosmic Generator (Gerador Cósmico), um dos destaques da Skulptur Prjekte Münster 2017, evento realizado na Alemanha. A instalação contava com um filme, filmado dos dois lados da fronteira entre México e EUA e também na China, onde o resultado é um ambiente caprichoso e imersivo, mas inegavelmente estranho e divertido devido ao estilo da artista, em que combina cenas quase documentais com sequências parecidas que saídas de um sonho. Em dezembro, a artista inaugurou uma exposição no Bass Museum of Art, em Miami, trazendo sua visão excêntrica para o público durante a Art Basel Miami Beach. Na mostra, um segundo vídeo, NoNoseKnows, que estreou na Bienal de Veneza 2015, foi exibido e apresenta uma economia globalizada representada por uma máquina carnuda, alimentada por músculos crus e algumas outras secreções corporais – nele, a artista mistura mais uma vez a realidade com a surrealidade nas cenas.

Mika Rottenberg, Cosmic Generator, 2017. © Mika Rottenberg. Cortesia da Andrea Rosen Gallery, Nova York e da Galerie Laurent Godin, Paris.

Trevor Paglen (Camp Springs, EUA, 1974. Vive e trabalha em Berlim)
Ao longo da última década, o artista americano vem investigando a tecnologia por trás da vigilância governamental e da coleta de dados, e como isso altera o mundo em que vivemos psicológica e fisicamente. Beneficiário do MacArthur “Genius” 2017, Paglen usa seu conjunto de habilidades e conhecimentos – entre eles fotografia, geografia e uma infância itinerante em bases militares em todo os EUA e na Alemanha – para documentar instalações militares obscuras, lançamentos de satélites e locais escondidos da Agência Nacional de Segurança, a NSA americana. E a carreira do artista promete ser, literalmente, astronômica em 2018. Mirando as estrelas, Paglen trabalha para completar a primeira escultura espacial do mundo, com o apoio do Museu de Arte de Nevada. Prevista para ser lançado na primavera de 2018 no hemisfério norte, Orbital Reflector, será visível no céu noturno por cerca de 8 semanas antes de se desintegrar. Embora já tenha viajado para diversos extremos na produção de sua obra (inclusive nas profundezas do oceano, quando capturou imagens de cabos de internet no fundo do mar), o satélite de baixa órbita do artista é um feito sem precedentes na arte contemporânea.

Trevor Paglen, Lake Tenaya Maximally Stable External Regions; Hough Transform, 2016, Altman Siegel.

Laura Owens (Euclid, EUA, 1970. Vive e trabalha em Los Angeles)
Muitos artistas continuam a expandir o campo da pintura contemporânea, mas poucos o fazem com tanta força e rigor. Figura chave na comunidade de arte de Los Angeles, Owens obteve maior repercussão na costa leste americana em meados de 2017, quando o Whitney Museum of American Art inaugurou uma grande pesquisa sobre sua obra. Enquanto isso, em Los Angeles, a artista supervisiona controverso 356 Mission, espaço de arte que ela fundou ao lado de Wendy Yao e Gavin Brown, em 2012. Ponto de disputa este ano, o espaço é acusado por manifestantes do bairro e pela população local de ser o primeiro passo da gentrificação na região. Mas apesar da discussão, o local de suporte ao artista se tornou um ponto central da cena artística da cidade, realizando exposições de Seth Price, Maggie Lee, Wu Tsang e muitos outros.

Vistas da instalação Sem Título, 2015, de Laura Owens no Whitney Museum of American Art, 2017.

David Hockney (Bradford, Reino Unido, 1937. Vive e trabalha em Los Angeles)
Mais conhecido por suas representações de piscinas cristalinas – e o estilo de vida californiano que o acompanha -, o venerado artista britânico de 80 anos continua ampliando os limites da pintura, revelando recentemente uma série de composições coloridas e telas de forma peculiar. Hockney realizou ao longo de seis décadas experiências com mídias e temas de todos os tipos: de retratos de amigos, muitas vezes pintados aos pares, até naturezas mortas e paisagens. Essa faixa de seu trabalho esteve em exibição em retrospectivas realizadas este ano, primeiro em Londres, na Tate Britain, em fevereiro, depois no Centre Pompidou, em Paris, e por último no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Tais mostras confirmam a posição do artista como um dos maiores artistas vivos e cuja a influência não pode ser subestimada. O artista há muito se destacou como colorista, dominando os aspectos técnicos dos materiais que utilizava, além de ter explorado como a pintura pode ser manipulada para criar diferentes texturas, graus de luminosidade, efeitos de perspectiva e de composição.

David Hockney, Pool and Steps, Le Nid du Duc, 1971. © David Hockney. Cortesia do Metropolitan Museum of Art.

Cindy Sherman (Glen Ridge, EUA, 1954. Vive e trabalha em Nova York)
Ao longo de sua carreira, Sherman manteve o ritmo das tendências em mudança. E foi a sua transição para o Instagram que despertou inesperadamente a atenção do mundo da arte este ano, já que ela começou a usar aplicativos simples, como o Facetune e Perfect365, para criar efeitos surreais e desconcertantes. Enquanto a intenção original dos aplicativos é auxiliar usuários na busca por certa beleza artificial, Sherman os explora para diferentes fins, como uma meditação sobre sua própria apresentação e a forma como nos mostramos para o mundo. “Eles são apenas divertidos, como uma pequena distração”, disse a artista sobre suas postagens na rede social. Ainda assim, o murmurinho que surgiu em torno dessa “pequena distração” em 2017 é um testemunho da influência e da relevância de Sherman – principalmente sobre aqueles jovens artistas envolvidos com questões como identidade, beleza e autorretrato.

Foto de @_cindysherman_, via Instagram.

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