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O Sopro de Ernesto Neto é um convite a sentir a arte com os poros

Curada por Valéria Piccoli, a exposição é uma retrospectiva da trajetória do artista carioca e reúne obras desde os anos de 1980 até os dias atuais

A exposição Sopro de Ernesto Neto na Pinacoteca do Estado de São Paulo abre no sábado (30), e nas palavras de Jochen Volz, diretor do museu,“invadiu” a Pina e acabou ocupando o octógono, sete salas do 1º andar, entre outros espaços. Não poderia ser diferente dada a magnitude do trabalho de Neto, um dos nomes mais relevantes da escultura contemporânea.

Obra de Ernesto Neto/ Crédito: Marianna Rosalles - InfoArt SP

Valéria Piccoli, curadora-chefe da Pinacoteca, enfatizou que por se tratarem de esculturas feitas em “famílias”, nas quais grupos de peças transformam-se em grandes instalações, as obras tornam-se mais ambiciosas. Para Neto, é preciso “sentir a arte com os poros”, esse é o convite que o artista faz ao espectador.

Passear pelo Sopro é uma experiência sensorial inesquecível. Perfumes e texturas fazem parte dessa jornada na qual o olhar é chamado a conhecer novas formas e compreender a junção dos elementos harmonicamente orquestrados pelo artista carioca. A lã e outros materiais têxteis são a base dos elementos utilizados, o que transmite um ar lúdico e ao mesmo tempo familiar para as obras.

Obra de Ernesto Neto/ Crédito: Marianna Rosalles - InfoArt SP

A natureza é a grande musa do escultor que afirma que é o resgate da ancestralidade indígena e cabocla que trará a cura da humanidade, do Brasil e de si mesmo. É possível perceber uma forte influência indígena que se reflete na escolha das gravuras e padrões utilizados.

Em uma de suas obras, que ocupa o Octógono, Neto recriou uma floresta, tecendo com tricô, construiu cipós, galhos e flores que possuem aromas próprios. No centro da floresta há uma gota que representa a natureza, feminina e essencial. Foi criada uma estrutura que suspende essa gota e revela um tronco que a havia penetrado. “Essa tortura elogiada pela nossa governança (federal) não começou em 1964. Começou com a chegada dos portugueses no Brasil, o símbolo dessa tortura é o tronco que era utilizado para açoitar escravos e indígenas”, afirmou Neto.

Para o artista esse tronco persiste por todos os lados, “inclusive dentro de nós”, para que essa tradição seja rompida é preciso um trabalho de “cura e amor”. Muita da sabedoria expressa nas obras do artista veio de suas experiências visitando tribos indígenas, “os povos Guarani são uma biblioteca”, Neto mergulhou nas estantes da floresta e adotou como missão transpor essa mensagem para sua arte.

Obra de Ernesto Neto/ Crédito: Marianna Rosalles - InfoArt SP

Quando jovem, o sonho do artista era ser astronauta, de certa forma o realizou uma vez que assim como eles, Neto visita diversos planetas do universo que ele próprio construiu. Quando questionado sobre sua noção de mundo, afirmou ser um “terrâneo”, pois não se desprende do ritual de manter os pés na terra. “Quero um planeta sem fronteiras”, complementou.

O Sopro é uma viagem que transporta o espectador para revisitar a trajetória do artista e permite que ele tenha momentos de pausa, convívio e tomada de consciência. Objetivos muito caros ao artista.

Confira a exposição em nossa agenda

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