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Hiper-realismo: para que copiar a vida real na arte?

por bigorna.art.br

É sempre impressionante olhar para uma escultura que de tão “perfeita”, parece que irá te responder se você falar com ela. Isso é o máximo do reconhecimento do ser humano numa obra de arte – o velho jargão de que “a arte é um espelho da vida”. Mas por que tamanha importância da representação da realidade na arte? Afinal, a arte não deveria nos mostrar coisas além do que podemos enxergar?

Simon Henessey, Pettit, 2009. Foto: Sofia Saleme.

A TÉCNICA SUPERA A ABSTRAÇÃO
Em cartaz até o começo de janeiro no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, a exposição "50 anos de realismo" fez qualquer um ficar embasbacado frente aos trabalhos que representam corpos humanos, cenários urbanos e paisagens nos mínimos detalhes. As pinturas mais parecem fotos, e as esculturas, seres vivos. A mania pelo realismo surgiu principalmente a partir da década de 1960, com o fotorrealismo, quando alguns artistas americanos pintavam a partir de fotografias que tiravam. Assim como a arte pop, o fotorrealismo queria trazer cenas cotidianas para os trabalhos. E, mais do que isso, o que artistas como Chuck Close e Richard Estes queriam era enaltecer a técnica. É como se eles dessem um novo sentido à fotografia (e à visão) ao pinta-la e transforma-la num objeto único.

SUA ATENÇÃO, POR FAVOR
Depois de anos em que o improviso e a espontaneidade eram os aspectos mais valorosos na arte (pense nas pinturas viscerais de Jackson Pollock), o fotorrealismo queria mesmo valorizar o artesanal, o detalhe, o trabalho manual e minucioso. O italiano Rudolf Stingel, por exemplo, "apenas" pintou a si mesmo deitado na cama. No meio de uma exposição, você dá de cara com uma pessoa gigantesca relaxando no colchão: sua experiência com a obra poderia terminar aí mas, se dedicar um pouco de atenção, o elemento surpresa ("Nossa, não é uma fotografia, é uma pintura!") faz você gastar mais tempo admirando o trabalho. Para conseguir este feito, este e outros artistas como Ben Johnson, Andrés Castellanos e Craig Wylie, que integraram a mostra do CCBB, usam artimanhas específicas: eles transferem a imagem da fotografia para a tela usando um projetor, quadriculam a imagem para saber em que pedaço da pintura irão se focar e usam ferramentas como o airbrush – um pincel que tem efeito de spray e não toca na tela.

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