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Confira as obras e informações sobre os artistas do Parque da Luz

Para a segunda edição do Nike Run em parceria com o InfoArt SP, mapeamos as obras do Jardim da Luz e apresentamos abaixo informações relevantes sobre cada artista presente no parque.

Confira no mapa a seguir onde estão as obras, a descrição de cada uma e informações sobre os artistas autores das obras.

1. KÁROLY PICHLER Oração, 1970
, ferro, 290 x 95 x 78 cm

2. MARIA MARTINS 
Searching for light [À procura da luz], 1940, bronze, 270 x 70 x 70 cm

3. VICTOR BRECHERETCarregadora de perfume, 1923 / 1924, fundição de 1998, Array /
bronze, 341 x 100 x 87 cm

4. NUNO RAMOS
 Craca, 1995,
alumínio, 278 x 330 x 556 cm
5. NOBUO MITSUNASHI 
The Twinkling Forest, 1991,
cerâmica, fibra de vidro, madeira e chumbo, 350 x 160 x 160 cm
6. LASAR SEGALL 
Três jovens, 1939, fundição de 2000, Array / bronze, 157 x 77 x 83 cm

7. YUTAKA TOYOTA Espaço-Vibração (Homenagem a Bardi), 2000, aço e concreto, 350 x 550 x 80 cm
8. IVENS MACHADO Sem título, 2000
, concreto armado, 290 x 140 x 145 cm
9. ARTUR LESCHER 
Sem título, 2000
, aço, 297 x 29,5 cm

10. ODETTE HAIDAR EID 
Botão de rosa
alumínio, 70 x 50 x 47 cm
11. JOSÉ RESENDE Sem título, 2000
, aço corten, granito e aço inox, 180 x 1.120 x 200 cm
12. CAÍTO Sem título
, aço inox, 260 x 500 x 265 cm
13. LYGIA REINACH Colar, 2000
, cerâmica, 1.000 x 1.645 x 815 cm

14. ASCÂNIO MMM Piramidal 34, 1999, 
aluminio anodizado com parafuso de inox, 295 x 131 x 85 cm
15. VLAVIANOS 
Homem pássaro, 1985
, aço inox, 254 x 165 x 29 cm

16. SÔNIA EBLING Luiza,
bronze, 187 x 68,5 x 81 cm
17. MARCELO SILVEIRA Sem título, 1999, 
madeira cajacatinga e alumínio fundido, 45 x 497 x 59 cm
18. NAIR KREMER Pietá, 1984
, aço carbono e neon, 179 x 77,4 x 215 cm
19. ARCANGELO IANELLI Encontro e desencontro, 2002, 
mármore espirito santo, 234,5 x 140,5 x 50 cm
20. AMILCAR DE CASTRO Sem título, 2000
, aço bruto, 150 x 233 x 170 cm
21. AMILCAR DE CASTRO Sem título (Usi-sac 41), 2001, aço bruto, 150 x 150 x 30 cm
22. SONIA VON BRÜSKY Fóssil, 2000
, granito e escapamento de automóvel, 190 x 68 cm
23. AUTOR NÃO IDENTIFICADO 
Garça, sem data, Array /
liga de metais brancos, 148 x 109 x 94,5 cm
24. MACAPARANA Sem título, 2001
, aço carbono pintado, 300 x 600 x 90 cm

25. ELISA BRACHER Sem título, 1999, 
madeira angelim, 700 x 250 x 250 cm
26. FRANZ WEISSMANN Fita, 1985
, aço pintado, 142 x 151 x 150 cm

27. CACIPORÉ TORRES, Sem título, 1998, 
aço pintado, 336 x 195 x 30 cm
assinada "Caciporé"

28. CARLITO CARVALHOSA, 
Sem título (Malacara), 2000, 
concreto branco, 269 x 240 x 275 cm
29. MARCELLO NITSCHE, 
Pincelada tridimensional, 2000, ferro pintado, 320 x 275 x 265 cm
30. ANGELO VENOSA Sem título, 2000
, aço corten, 110 x 303 x 141 cm
31. LIUBA WOLF Figura heráldica, 1976, bronze, 125 x 100 x 100 cm
32. LIUBA WOLF 
Voo de pássaro, 1971, 
bronze, 156 x 148 x 105 cm


Em seguida um resumo sobre cada artista.

Lasar Segall Pintor - desenhista, gravador e escultor (1891-1957)
Foi um mestre do Expressionismo e um dos introdutores do Modernismo no Brasil, vindo a ser símbolo para toda uma geração.
Foi discípulo de Antokolski, um dos mais importantes escultores russos do século XIX. Aos 15 anos, instala-se em Berlim e freqüenta a rigorosa Academia Imperial de Belas Artes de Berlim, de onde seria afastado em 1909.
Transfere-se para Dresden, onde passa a estudar na Academia de Belas Artes como aluno-mestre, desfrutando de total liberdade de criação. É também o período em que acontece sua primeira exposição individual.
Em 1913, Segall vem pela primeira vez ao Brasil, expondo em São Paulo e Campinas, onde percebe-se já em sua obra uma forte influência do expressionismo. No ano seguinte Segall seria internado em um campo de concentração, experiência que iria marcar mais tarde suas obras inspiradas pela Segunda Guerra.
No início dos anos 20, Lasar Segall instala-se definitivamente no Brasil, naturalizando-se depois de casar com Jenny Klabin em 1925, e torna-se uma das peças centrais do Modernismo no país, atuando como um contraponto alemão às influências francesas. É neste período que começam a surgir temas brasileiros em suas obras, e suas formas passam a ganhar contornos menos angulosos e tensos, porém sem perder as características expressionistas.
Tem grande atuação sob a vida cultural paulista neste momento, fundando a Sociedade Paulista de Arte Moderna, em 1932. Era amigo e conselheiro de algumas das figuras mais importantes do Modernismo, como Mario de Andrade, Geraldo Ferraz e Gregori Warchavchik. Além disso, passa a dar aulas e irá influenciar toda uma geração de gravadores brasileiros.
Com a aproximação da Guerra, porém, seu trabalho retorna aos temas trágicos. Lasar Segall dizia que a obra devia ser despida de requintes estilísticos se quisesse expressar o sofrimento humano de maneira profunda, ideia representada em séries como "Navio de Emigrantes" e "Pogrom".
No final de sua vida volta aos temas brasileiros, pintando as séries "Erradias" e 'Florestas'. Em 1951 tem lugar uma grande retrospectiva no MASP, seguida de salas especiais nas I e III Bienais de São Paulo e uma sala póstuma na IV, que foram as primeiras de uma série de exposições que resultariam, mais tarde, na criação do Museu Lasar Segall, instalado na casa em que viveu até sua morte, no bairro da Vila Mariana.

Sonia Von Brusky Pintora - escultora, gravadora e desenhista (1941)
Em 1967, estuda com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna e, no ateliê do artista, recebe uma nítida influência expressionista e geométrica de Serpa. Sonia inicia sua carreira no difícil ano de 1968, aderindo às tendências neo-figurativistas e neo-realistas do período, e participando das principais coletivas do Rio de Janeiro, além de realizar sua primeira exposição individual na Galeria Domus, também em 1968, no Rio de Janeiro.
No final dos anos 1960, enquanto as manifestações artístico-culturais tentavam ocupar o vácuo político e cultural que a violenta repressão militar pretendeu gerar, ao denunciar a condição da mulher, Sonia reivindicava liberdade mais ampla a todo ser humano reprimido pela ordem social então vigente.
Considerada uma das melhores desenhistas brasileiras, de início de nítida inspiração surrealista e fantástica, e depois sob uma vertente mais construtiva e monumental, em ambos os casos, a artista fixou-se em torno da condição feminina, da questão mulher-objeto-signo.
Em 1970, participa dos Domingos de Criação (evento organizado por Frederico Morais nos jardins do MAM-Rio), no qual apresenta como obra uma grande folha de espuma, cuja forma se conformava mediante as intenções do público participante (soft sculpture).
Na década de 1980, quando se muda para São Paulo, o geometrismo de suas formas, de início ainda um pouco tímido em meados dos 70, adquire ampla visibilidade em seu trabalho. Segundo Sonia: "São Paulo é uma cidade esmagada por prédios. A influência das formas é geométrica".
No final dos anos 1990, realiza uma série de interferências em cartazes e anúncios em estações de metrô e em outros espaços públicos de grandes cidades como Londres, Paris e Nova Iorque. Em São Paulo, é a artista escolhida para a realização da maior obra de Arte Pública em pintura realizada até 1998: pintar os três quilômetros de uma das laterais do Elevado Costa e Silva (Minhocão).

Karoly Pichler Escultor - ceramista húngaro (1906-1982).
Pichler e sua esposa chegaram ao Brasil no imediato pós-guerra instalando-se em São Paulo. Na capital paulista, ele fez carreira como ceramista e escultor. Obras de Pichler integram os acervos da Pinacoteca do Estado, do MAC, da Fundação Maria Luisa, entre outros importantes centros de arte do Brasil e do exterior.

Maria de Lourdes Martins Pereira de Souza - Escultora, desenhista, gravadora e escritora (1894-1973).
Desenvolveu grande parte de sua carreira no exterior em virtude das atividades do marido, o embaixador Carlos Martins. Inicia-se na escultura em 1926,  aperfeiçoando a técnica na Bélgica, com o escultor Oscar Jespers, em 1936. Em 1939, muda-se com Carlos Martins para Washington D.C. e, posteriormente, aluga um apartamento em Nova York onde começa a estudar escultura com Jacques Lipchitz, realizando trabalhos em bronze. Em 1941, faz sua primeira exposição individual, na Corcoran Art Gallery, em Nova York. Conhece André Breton, que a apresenta a artistas europeus ligados ao surrealismo e ao dadaísmo, como Michel Tapiè, André Masson, Yves Tanguy, Max Ernst e Marcel Duchamp. Em 1947, Breton assina o prefácio do catálogo de sua mostra individual, realizada na Julien Lery Gallery, em Nova York. Nesta época, muda-se para Paris, onde seu ateliê torna-se local de encontro de intelectuais e artistas. Volta definitivamente ao Brasil em 1950 e colabora na organização das primeiras Bienais Internacionais de São Paulo e na fundação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Como escritora, assina coluna no Correio da Manhã.

Victor Brecheret - Escultor (1894-1955)
Tem papel diferenciado e fundamental no Modernismo Brasileiro: junto com Anita Malfatti e Lasar Segall, é figura importante do período "heróico", constituindo os antecedentes da Semana de 22, que se caracterizam pelos acontecimentos mais importantes na formação inicial do grupo modernista. Além disso, se destaca nos anos 20 e 30 como artista da escola de Paris e nas décadas de 40 e 50 no cenário artístico de São Paulo, com monumentos públicos, funerários e decorativos de fachadas, como o Monumento às Bandeiras, hoje um dos símbolos da cidade.
Brecheret é de origem humilde. Imigrante italiano, órfão de mãe, vem a São Paulo com seus tios maternos. Trabalha em uma loja de calçados durante o dia e, à noite, faz cursos no Liceu de Artes e Ofícios. Com algumas economias, em 1913 seus tios o mandam para Roma, mas ele não é aceito na Academia de Belas Artes. Entretanto, é recebido como discípulo de Arturo Dazzi, o mais famoso escultor italiano do momento, aprendendo com este as técnicas da modelagem, além de conhecimento de anatomia.
Nesta época, recebe grande influência do escultor sérvio Ivan Mestrovic quanto a expressividade, tensão, alongamento e torsões das figuras. De 1916 a 1919 participa com destaque em mostras coletivas em Roma.
Em 1920 retorna a São Paulo e é descoberto pelos jovens modernistas que, extasiados diante de suas esculturas, o convertem em elemento polarizador do grupo. De fato, o artista e sua obra inspiram personagens de romances de Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Ainda traduz para escultura os poemas de Guilherme de Almeida e Menotti. A sua escultura "Cristo de Trancinhas", adquirida por Mario de Andrade, é o elemento desencadeador dos seus primeiros versos modernistas de Paulicéia Desvairada. Celebrado como um gênio e influenciado pelo espírito nativista do grupo, realiza a primeira maquete do Monumento as Bandeiras.
Em 1921, com uma bolsa de estudos de cinco anos, vai a Paris. Esta estadia se estende por quase quinze anos, com vindas esporádicas ao Brasil para expor seus trabalhos. Como a maioria dos artistas da Escola de Paris, Brecheret está sensível à emergência do Art Déco que marcou a visualidade a partir de 1925. Alinhado a esta arte de vanguarda, modifica sua escultura, adotando formas geometrizadas, lisas e luminosas, sendo bastante elogiado pela crítica. Torna-se um importante artista da Escola de Paris, tendo recebido o título de cavaleiro da legião de honra e, sua obra, Grupo, de 1932 - que desapareceu durante a Segunda Guerra -, é adquirida pelo Museu Jeu de Paume.

Nuno Ramos -  Escultor, pintor, desenhista, cenógrafo, ensaísta e videomaker (1960)
Para compor suas obras, o artista emprega diferentes suportes e materiais, e trabalha com gravura, pintura, fotografia, instalação, poesia e vídeo.
Cursou filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) de 1978 a 1982. Antes de começar a pintar em 1983, trabalha como editor de algumas revistas. Participa do ateliê Casa 7, com Paulo Monteiro, Rodrigo Andrade, Carlito Carvalhosa e Fábio Miguez.  Na época, seus trabalhos são figurativos e gestuais, feitos com esmalte sintético sobre papel, e sua pintura é influenciada por Julian Schnabel e Anselm Kiefer. A partir de 1985, passa a utilizar tinta a óleo sobre tela. A massa de tinta torna-se mais espessa e as formas, mais abstratas.
No período, adquire prestígio e visibilidade e, em 1986, realiza seus primeiros trabalhos tridimensionais. Faz esculturas com cal, tecido e madeira. Esses trabalhos mostram uma mudança em sua carreira: o interesse desloca-se de uma figuração associada ao gesto expressivo, para a composição de peças em que se relacionam materiais díspares. Esse agregar de materiais projeta a superfície para os limites do suporte, transformando-o num relevo.
Na década de 1990, desenvolve as suas primeiras instalações. Nelas também reúne materiais de naturezas distintas. Dispõe esculturas, imagens fotográficas, textos e outros objetos incorporados no espaço. Em 1992, realiza 111, onde aborda a brutalidade do massacre de 111 detentos na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru), ocorrido no mesmo ano. Publica, em 1993, o livro em prosa “Cujo” e o livro-objeto “Balada” em 1995. Em 1996, expande a área em que seu trabalho se mostra e realiza o projeto ambiental Matacão. O artista insere pedras em covas ao ar livre, na Zona Rural de Orlândia, São Paulo.
Ao mesmo tempo, realiza peças de mármore e granito com vaselina, como Manorá, 1997/1999 e faz telas cada vez maiores. Em 2000 vence um concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país. Já em 2002, mostra o seu primeiro filme, Luz Negra, em homenagem ao cantor e compositor Nélson Cavaquinho (1910 - 1986).

Yutaka Toyota - Pintor, escultor, desenhista, gravador e cenógrafo o nipo-brasileiro (1931)
Desde criança se interessou por arte; no entanto, seu pai foi contra sua idéia de seguir carreira artística. Toyota não desistiu e mesmo sem o apoio do pai, seguiu seu sonho, sendo sustentado pela irmã antes de começar a trabalhar na construção de cenários teatrais e a obter bolsas de estudo.
Estudou Desenho Industrial na Universidade de Arte de Tóquio e na Escola de Belas Artes. Trabalhou no Instituto de Pesquisas Industriais em Shizuoka, empresa que executava projetos de design para fábricas de carros e motos.
Alguns anos depois, uma fábrica de móveis, que estava mudando para São Paulo, o convidou para trabalhar na nova filial. Toyota aceitou o emprego e ao chegar ao Brasil se surpreendeu com a amplitude de espaço. A partir desse choque de terras ele passou a usar o “espaço cósmico” como inspiração e o aço como seu ocupante. Entrou para o Grupo Seibi e passou a compartilhar das ideologias desses artistas.
Sentindo necessidade de aprimorar seus conhecimentos, foi para Argentina (país em que passou um ano e participou de várias exposições). Ao retornar ao Brasil, montou um ateliê de pintura que, na inauguração, tinha 90 alunos matriculados. Mesmo gostando de ensinar, Yutaka deixou o país novamente e foi para a Itália (Milão), onde iniciou seus projetos tridimensionais. Seu principal material é o aço inoxidável; seu trabalho era moldar o aço de maneira que o resultado fossem espelhos côncavos e convexos refletindo o espaço infinito e deixando uma visão relativa para cada observador.
Em 1968, naturalizou-se brasileiro, mas continuou se destacando em vários países, principalmente no Japão – onde criou diversas esculturas e monumentos.
Yutaka tem mais de 100 monumentos expostos no Brasil e no Japão. Em terras brasileiras o artista já realizou trabalhos em São Paulo, com esculturas para a Praça da Sé, para o Hotel Maksoud Plaza, no Parque Toyotomi, no jardim e no museu da FAAP e no Salão do Mofarrej Sheraton Park Hotel; na cidade de Brasília executou esculturas no Salão Nobre do Clube do Exército e na Praça Sarah Kubitschek.

Ivens Machado - Escultor, gravador, pintor e um dos pioneiros da videoarte no Brasil (1942-2015)
Estudou gravura na Escolinha de Arte do Brasil, no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Anna Bella Geiger. No início da década de 1970, realiza obras em papel, utilizando materiais como folhas pautadas ou quadriculadas, nas quais realiza interferências.
É premiado em 1973 no 5º Salão de Verão do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com a instalação "Cerimônia em Três Tempos", e realiza em 1974 sua primeira exposição individual, na Central de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro.
Destaca-se em seu trabalho o uso freqüente de materiais da construção civil, como ferro, concreto, cacos de vidro e argila, em alusão à falência do Estado e desmandos do poder, em especial durante o regime militar. Em suas obras apresenta formas brutas e superfícies irregulares, que evocam o acabamento rústico das casas pobres. Outras peças aludem ao universo sexual, por suas formas que permitem associações com o corpo humano. Esses trabalhos, realizados em cimento, contêm fragmentos de telhas coloniais em sua superfície.

Arthur Lescher - Escultor e professor de artes plásticas (1962)
Em 1983, inicia o curso de filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), mas não chega a concluir. Entre 1982 e 1986, realiza cursos livres no ateliê de Carlos Fajardo (1941), Flávia Ribeiro (1954) e Boi (1944). Em sua produção escultórica, utiliza materiais diversos, como metal, pedra ou madeira, e cria obras que evocam o design e lembram objetos conhecidos, mas destituídos de sua função. Suas esculturas muitas vezes procuram situações espaciais em que passem despercebidas, como intervenções sutis. Em suas instalações o artista mantém diálogo com o espaço arquitetônico, como em Aeroestação, criada para a 19ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1987, e Semovente, para o Paço das Artes, em 1989.

Odette Haidar Eid - Escultura e pintora libanesa (1922)
Mudou-se para o Brasil em 1925. Radicada na cidade de São Paulo, iniciou-se tarde no ofício, assinando sua primeira peça aos 60 anos. A partir de então, predominantemente utiliza-se do bronze em suas obras.
Odette Eid possui uma visão monumental da escultura tanto em seus temas fantásticos quanto nas próprias imagens femininas, que se destacam pela sua corpórea realidade e exuberância ao tato. Suas divindades, suas mulheres, seus pássaros, seus cavalos e suas torres de Babel, enfim, são os protagonistas do mundo da artista.
Sua obra evidencia uma singular proporção entre o aderir à visão natural e o gosto pela invenção. Um exemplo de equilíbrio - como dizia Jean Cocteau - entre o realismo e o irreal, a reprodução do belo e a invenção de formas que se afastam do figurativo puro e simples.
Entre os temas favoritos de seu trabalho como escultora, além dos bustos-retratos criados sobre o perfil psicológico dos personagens, é freqüente a figura feminina, representada sobretudo na elegância e na pureza da adolescência.

José Resende - Escultor (1945),
Artista influente nos movimentos de vanguarda desde os anos 1960. Entre suas mostras coletivas mais importantes estão quatro edições da Bienal de São Paulo, Bienalle de Paris de 1980, Bienal de Veneza de 1988, Documenta de Kassel de 1992, Bienal de Sydney de 1998 e Bienal do Mercosul de 2001.
Resende estuda com Wesley Duke Lee na década de 1960 e, com ele, Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e Frederico Nasser formam o Grupo Rex. De modo irônico e bem-humorado, os integrantes do grupo, editaram o jornal Rex Time e desenvolveram um espaço expositivo, a Rex Gallery and Sons, através dos quais temas como “arte x mercadoria”, a crítica dominante, o lugar do espectador foram postos em questão. Depois disso, num momento de forte crise política no país, funda a Escola Brasil, com os artistas Carlos Fajardo, Frederico Nasser e Luiz Paulo Baravelli, cuja proposta era valorizar métodos distintos do ensino tradicional em artes visuais e formar um centro de experimentação artística.
Na década de 1960, sua obra apresenta evocações de uma atmosfera "mágica", advinda provavelmente do estudo com Duke Lee. Nas obras Retrato de Meu Pai (1965), Liaisons Dangereuses (Ligações Perigosas, 1966) e Núpcias no Tapete Mágico (1967), nota-se o caráter de fantasia de tom irônico e origem pop.
Mais tarde, o artista explora as potencialidades expressivas dos materiais empregados, revelando o diálogo com o pós-minimalismo norte-americano. Trabalha com uma diversidade de materiais como pedras, tubos de cobre, lâminas de chumbo, cabos de aço, chapas e ampolas de vidro, além de empregar também líquidos como mercúrio, água e tinta sépia.
Em síntese, a produção mais característica do artista procura dar relevância aos elementos empregados e às suas relações com o espaço, em lugar de apenas utilizá-los como suporte para formas convencionais. Seus trabalhos distinguem-se também pelas articulações plásticas tensas: torções, curvas e nós, que sugerem equilíbrio precário, sensação de movimento ou deslocamento.

Caíto (Luiz Carlos Martinho da Silva) - Escultor, desenhista e arquiteto (1952)
Trabalha com pastilhas, vidros, azulejos, borracha e fios sintéticos, desenvolvendo com eles uma série de obras incluídas em sua primeira exposição individual, já em 1985.
No final dos anos 1980, Caíto é atraído pelas sucatas de embalagens metálicas estampadas com serigrafia. Em 1990, Caíto começa a trabalhar com a Galeria Casa Triângulo, onde faz individual em 1991, ano marcante para sua carreira. Utilizando sucatas metálicas, Caíto produziu esculturas que agregam sentido construtivo a sua vivacidade e leveza, e com as quais participou da XXI Bienal Internacional de São Paulo. Em função dessa e de diversas outras mostras realizadas no mesmo ano, conquista o Prêmio de Escultura da Associação Paulista de Críticos de Arte, consolidando sua reputação como escultor.
Mais recentemente, depois de ter retomado as folhas de lata estampadas, adentrou o terreno das esculturas em bronze, constituídas por uma ou mais partes que se encaixam permitindo às vezes articulação, e cujas formas arredondadas apresentam carga sensual.
Caíto sempre teve a intenção de explorar em suas esculturas aspectos como o interno e o externo, frente e verso, em cima e embaixo, fechamento e abertura, ritmo, equilíbrio, oscilação, movimento e estática.

Amilcar de Castro - Escultor, desenhista, cenógrafo, gravador, professor e diagramador (1920 - 2002)
Mudou-se com a família para Belo Horizonte em 1935 e estudou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de 1941 a 1945. A partir de 1944, frequenta curso livre de desenho e pintura com Guignard (1896-1962), na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, e estuda escultura figurativa com Franz Weissmann (1911-2005).
No fim da década de 1940, assume alguns cargos públicos, que logo abandona, assim como a carreira de advogado. Paralelamente, em seus trabalhos, dá-se a passagem do desenho para a tridimensionalidade. Em 1952, mudou-se da capital mineira para o Rio de Janeiro, onde foi um dos signatários do Manifesto Neoconcreto em 1959, que marcou a ruptura com o grupo paulista dos Concretos. Intelectual ativo, Amílcar foi também autor da marcante reforma gráfica realizada no Jornal do Brasil e seu suplemento de cultura, no final dos anos 50.
Após uma temporada nos Estados Unidos como bolsista da Fundação Gugeenheim, retorna a Belo Horizonte e torna-se professor de composição e escultura da Escola Guignard, na qual trabalha até 1977, inclusive como diretor. Leciona na Faculdade de Belas Artes da UFMG, entre as décadas de 1970 e 1980. Em 1990, aposenta-se da docência e passa a dedicar-se com exclusividade à atividade artística.
Suas esculturas, fundadas quase exclusivamente em duas ações (corte e dobra, que nem sempre juntas) sobre ferro e madeira, impressionam pela economia de meios e pela lição que oferecem sobre a capacidade afirmativa do gesto e o fato de realizarem a passagem do plano para o volume. Em suas últimas esculturas, afastado da ortodoxia construtiva, não parte de figuras geométricas regulares que caracterizou um período de sua produção.
Há muito tempo fora da base, suas obras se estendem horizontalmente no solo e dialogam com a paisagem. Num percurso de cerca de cinco décadas, Amilcar de Castro experimenta infinitas possibilidades do plano. Resistente ao excesso de racionalismo, suas dobras tornam a geometria maleável e mais humana.

Lygia Reinach - Escultora e ceramista (1933)
Socióloga de formação, Lygia toma contato com a cerâmica somente em 1979. Faz curso de argila e queima com Megumi Yuasa (1938), mas é entre 1980 e 1984 que desenvolve e participa de oficinas-escolas e cursos de cerâmica.
Em 1986, expõe no XI Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, no XII Salão Paranaense de Cerâmica, em Curitiba, e na 3ª Mostra Aberta de Cerâmica Arte, no Centro Cultural São Paulo. No ano seguinte, faz sua primeira individual na galeria Kitaro Zen, em São Paulo, e participa da exposição "Terracota Latino Americana", no Festival Latino Americano de Arte e Cultura I (FLAAC), em Brasília. Em 1988 recebe o prêmio Lei Sarney de revelação em escultura. Apresenta 45 Alguidares em seu ateliê, em 1990. Um ano depois, é incluída na 21ª Bienal de São Paulo. Participa das II, III e V edições da Bienal Barro de América, na Venezuela, em 1995, 1998 e 2005.

Ascânio Maria Martins Monteiro -  Escultor e pintor (1941)
Português de Fão, vive no Rio de Janeiro desde 1959. Freqüenta a Escola Nacional de Belas Artes (Enba), de 1963 a 1965. Nessa época, desenvolve os primeiros trabalhos de escultura, utilizando sólidos geométricos de madeira - desde o início de sua carreira, Ascânio MMM faz uma opção pela linguagem abstrata construtiva. No início dos anos 1970, emprega ripas de madeira, organizadas em progressões verticais e horizontais, e cria as caixas lúdicas, espécie de bases de madeira, sobre as quais o espectador pode deslocar molduras vazadas, em formato quadrado, intercaladas e de tamanhos decrescentes. Posteriormente, o ritmo das formas dá lugar a linhas retas, e o escultor passa a incorporar a cor e a textura da madeira, potencializando as qualidades visuais específicas do material e explorando ainda a tensão entre matéria e forma. Desde os anos 1970 utiliza acrílico e perfis de alumínio anodizado (tubos retangulares) para criar as caixas e os múltiplos, que se articulam formando um jogo de cheios e vazios. No fim da década seguinte, realiza as primeiras Piramidais, esculturas que apresentam deslocamentos graduais das ripas de madeira ou dos tubos de alumínio, gerando vazios internos. Nessas esculturas, em que revela vazios inquietantes e cortes inesperados, o artista apresenta também um maior rigor na estruturação, em relação a seus primeiros trabalhos.

José Bento - Escultor (1962)
Autodidata, entre 1981 e 1988, cria uma série de cenas e ambientes em miniatura com palitos de picolé, que assumem, por vezes, um caráter surrealista. Expõe parte dessas peças no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 1989. Nesse ano, realiza pequenas caixas de madeira e vidro em cujo interior desenha com mercúrio. Nessa época, começa a produzir esculturas com troncos tombados naturalmente, muitas vezes de árvores raras e seculares, que recolhe na Mata Atlântica. Em 1990 e 1991, desenvolve Roda, trabalho que se distancia das obras anteriores e impulsiona sua participação em diversas exposições coletivas no Brasil. Em 1993, realiza mostra individual na Casa Guignard, em Ouro Preto, Minas Gerais. A partir de 2000, trabalha também com vidro, espelho e granito e, em 2004, exibe suas esculturas no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte. Seus trabalhos mais recentes remetem à arquitetura moderna e revelam um caráter ilusionístico, indicando um novo desdobramento em sua produção.

Franz Weissmann - Escultor, desenhista, pintor e professor (1911-2005)
É uma das principais referências na escultura brasileira. Austríaco, chega ao Brasil em 1921. No Rio de Janeiro, entre 1939 e 1941, frequenta cursos de arquitetura, escultura, pintura e desenho na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). De 1942 a 1944, estuda desenho, escultura, modelagem e fundição com August Zamoyski. Em 1945, transfere-se para Belo Horizonte, onde ministra aulas particulares de desenho e escultura. Três anos depois, Guignard (1896-1962) convida-o a lecionar escultura na Escola do Parque, que mais tarde recebe o nome de Escola Guignard. Inicialmente, desenvolve obras pautada no figurativismo. A partir da década de 1950, gradualmente elabora um trabalho de cunho construtivista, com valorização das formas geométricas, submetendo-as a recortes e dobraduras, utilizando chapas de ferro, fios de aço, alumínio em verga ou folha. Em 1959, é um dos fundadores do Grupo Neoconcreto. Nesse mesmo ano viaja para a Europa e o Extremo Oriente, retornando ao Brasil em 1965. Na década de 1960, expõe a série Amassados, elaborada na Europa com chapas de zinco ou alumínio trabalhadas a martelo, porrete e instrumentos cortantes, alinhando-se temporariamente ao informalismo. Posteriormente volta a aproximar-se das vertentes construtivas. Nos anos de 1970 recebe o prêmio de melhor escultor da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), participa da Bienal Internacional de Escultura ao Ar Livre, em Antuérpia (Bélgica) e da Bienal de Veneza. Realiza esculturas monumentais para espaços públicos de diversas cidades brasileiras, como na Praça da Sé, em São Paulo; no Parque da Catacumba, no Rio de Janeiro; e no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

Liuba Wolf - Escultora e joalheira (1923-2005)
Nascida na Bulgária, dividiu sua produção artística entre as três cidades em que residiu e estudou: Paris, Zurique e São Paulo. Em 1943, Liuba ingressa na Escola de Belas Artes de Genebra, Suíça. De 1944 a 1949 estuda com a escultura francesa Germaine Richier, a princípio na Suíça e em seguida em Paris, onde passa a viver e trabalhar em 1946. Em 1949, ainda vivendo em Paris, monta atelier também em São Paulo. Casa-se com Ernesto Wolf em 1958 no Brasil. Nas suas peças há uma certa tensão, as figuras estão a ponto de realizarem algum movimento, que sempre é abruptamente interrompido por sua condição estática. A aparência robusta e a monumentalidade são atributos os quais a artista articula habilmente não importando o tamanho da peça: pequena, grande ou muito grande. As esculturas não têm apenas uma constituição totêmica (Liuba e seu marido Ernesto Wolf mantinham um grande interesse por arte e artefatos africanos), mas suas formas remetem a culturas ancestrais e arcaicas. A partir de 1989 estabelece atelier também na Suíça. Falece em São Paulo em 2005.

Ângelo Venosa - Escultor (1954)
Frequentou a Escola Brasil, em São Paulo, em 1973 e, no ano seguinte, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde frequentou a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI). No início da década de 1980, realizou cursos no ateliê livre da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage). Mas é em 1984 que passa a realizar obras tridimensionais. As esculturas do início dos anos 1980 associam indistintamente materiais naturais e produtos industrializados. A partir do início dos anos 1990, o artista utiliza materiais como mármore, cera, chumbo e dentes de animais, realizando obras que lembram estruturas anatômicas, como vértebras e ossos. Suas esculturas e objetos carregam indícios que remetem a eras ancestrais, surpreendendo pela estranheza e pelo caráter inquietante.

Marcello Nitsche - Pintor, artista intermídia, escultor, desenhista, gravador, professor. (1942)
Cursa a Faculdade de Belas Artes da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, onde conclui a licenciatura em desenho, em 1969. Neste mesmo ano, recebe o prêmio da Prefeitura do Município de São Paulo para obra de pesquisa mais relevante na Bienal Internacional de São Paulo. No início da carreira, atua como gravador, passando logo depois a se dedicar à pintura. Aproxima-se da arte pop, realizando pinturas inspiradas no processo de elaboração da imagem utilizado nas histórias em quadrinhos. A partir dos anos 1980, a gestualidade da pintura e a trama de pinceladas passam a ser temas centrais em sua produção. Em pinturas realizadas a partir de 2001, inspira-se nos códigos de barra, e explora linhas verticais e sequências de números.

Nicolas Vlavianos - Escultor e professor (1929)
Estabelece-se em São Paulo em 1961, após participar da 6ª Bienal Internacional de São Paulo. No conjunto, sua produção escultórica se manterá no limite entre figuração e abstração, que marca o trabalho de muitos artistas brasileiros da época. Vlavianos produz peças de pequenas dimensões compostas de planos geométricos justapostos, assimétricos e irregulares.
Entre 1955 e 1956, dedica-se à pintura, orientado por Costa Elíades, em Atenas, Grécia. Mais tarde transfere-se para Paris, França, onde estuda escultura na Académie de La Grande Chaumière com Ossip Zadkine (1890-1967) e na Académie Du Feu, com Laszlo Szabo (1913-1984).
A partir de 1969 atua como professor de expressão tridimensional na Faculdade de Artes Plásticas da FAAP. Entre os anos de 1963 e 1967, recebe diversos prêmios, entre eles na 7ª Bienal Internacional de São Paulo; na 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas em Salvador e no 4º Salão de Arte Moderna, em Brasília. Entre 1972 e 1988, figura em várias edições do Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Recebe o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte em 1974 e 2001. São realizadas retrospectivas de sua obra no Museu de Arte de São Paulo (MASP), em 1993, e no Museu de Arte Brasileira - FAAP, em 2001. Nos anos 1990, ironicamente, passa a trabalhar com formas que simulam objetos doméstico.

Carlito Carvalhosa - pintor e gravador paulistano. (1961)
Estuda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), de 1980 a 1984 e faz o curso de gravura em metal no ateliê de Sérgio Fingermann (1953), entre 1980 e 1982. Na década de 1980, integra o grupo Casa 7, com Rodrigo Andrade (1962), Fábio Miguez (1962), Nuno Ramos (1960) e Paulo Monteiro (1961) e, como eles, produz pinturas de grandes dimensões, com ênfase no gesto pictórico. Sua produção inicial já revela uma preocupação construtiva, buscando vínculos entre a dimensão expressiva da matéria e a forma.
No fim dos anos 1980, realiza quadros com cera pura ou misturada a pigmentos. Posteriormente passa a realizar esculturas com materiais diversos e predominantemente de aparência orgânica, maleável, miméticos e de cores branca ou translúcida. Em 1989, recebe bolsa do Deutscher Akademischer Austauch Dienst - DAAD [Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico], e permanece em Colônia, Alemanha, até 1992. Em meados da década de 1990, realiza as "ceras perdidas" e esculturas de porcelana, explorando as propriedades estéticas dos materiais.

Caciporé Torres - Escultor, desenhista e professor (1935) .
No ano de 1951 Caciporé viaja para a Europa através de bolsa de estudos que recebe na 1ª Bienal Internacional de São Paulo - realizada no mesmo ano - e durante dois anos frequenta os ateliês de escultura de Marino Marini (1901 - 1980) e Alexander Calder (1898 - 1976). Retorna ao Brasil em 1953, participa de algumas exposições e, posteriormente, regressa à Europa. Em 1954, estuda história da arte na Sorbonne, Paris, e trabalha em ateliê durante 4 anos, período em que desenvolve obra de caráter abstracionista. Passa a construir formas maciças, orgânicas e geométricas, utilizando peças metálicas de aparência industrial, como o aço, bronze e ferro. Muitas dessas esculturas são feitas em grandes dimensões e integram museus e espaços públicos de diversas cidades, como as obras na Praça da Sé, no metrô Santa Cecília, e o painel escultórico em Miami, Estados Unidos. Entre 1961 e 1971, leciona escultura na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e, a partir de 1971, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ambas em São Paulo. Em 1970, é eleito presidente da Associação Internacional de Artes Plásticas/Unesco, e, em 1980 e 1982, melhor escultor brasileiro pela Associação Paulista de Críticos de Artes, além de ser agraciado com a Comenda Mário de Andrade pelo Governo do Estado de São Paulo, na gestão de Paulo Egydio Martins.

Macaparana - Pintor, desenhista e escultor (1952)
Autodidata, inicia sua carreira como pintor figurativo, realizando pinturas voltadas para a aridez de sua região natal - o sertão pernambucano. Realiza sua primeira mostra individual em Recife, em 1970, na Galeria da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). Em 1972, muda-se para o Rio de Janeiro e em 1973 para São Paulo, onde se instala definitivamente. Durante cerca de 10 anos expõe nas duas cidades trabalhos que tematizam o ex-voto (termo que designa pinturas, estatuetas e variados objetos doados às divindades como forma de agradecimento por um pedido atendido). Em 1983, o contato com Willys de Castro (1926-1988), expoente do neoconcretismo, é decisivo para a mudança de seu trabalho. Inicia-se a partir desse encontro uma nova fase na carreira do artista, de franco diálogo com o neoconcretismo, na qual predominam os segmentos de retas e as formas mais elementares, tais como, o triângulo, o retângulo e o quadrado. Participa da 21ª Bienal Internacional de São Paulo em 1991, e suas exposições, individuais e coletivas, já estiveram em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, México, Japão, Nova York e Londres. Mantendo-se no campo da geometria, Macaparana amplia o leque de materiais utilizados ao trabalhar com poliestireno, acrílico e aço, a partir dos anos 2000. Em 2009 realiza exposição individual de esculturas, pinturas e desenhos na Galeria Cayon, em Madri, e participa da coletiva Materia Gris, na mesma galeria.

Sonia Ebling - Escultora, pintora e professora (1918 -2006).
Inicia sua formação fazendo cursos de pintura e escultura na Escola de Belas Artes do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, entre 1944 e 1951. Em 1955, recebe o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro. De 1956 a 1959, viaja por vários países da Europa, estudando com Zadkine, em Paris, França. Reside nessa cidade, entre 1959 e 1968, e recebe uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian. De volta ao Brasil, executa relevo para o Palácio dos Arcos, do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Em 1970, ministra um curso de extensão técnica de escultura em cimento na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde, seis anos depois, é convidada para lecionar escultura nessa mesma universidade.

Marcelo Silveira - Escultor. ( 1962)
Cresce na propriedade rural dos pais, o Engenho Amora Grande, e muda-se para Recife em 1979. Frequenta a Oficina Guaianases, em Olinda, entre 1982 e 1985, onde inicia sua formação artística. Estuda educação artística na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entre 1985 e 1990, período em que abre seu ateliê em Gravatá, sua cidade natal, e desenvolve atividades com crianças da região. Em 1990, Silveira realiza a exposição individual Engenho de Objetos, na Itaú Galeria de Belo Horizonte, e visita uma exposição de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), no Museu da Pampulha, que se torna uma importante referência em sua obra. Reside em Barcelona durante três meses de 1992 e frequenta a Escola Massana de Artes. Nos anos de 1995 e 1996, retoma suas atividades como arte-educador, iniciadas com o ateliê de Gravatá, trabalhando com a criação tridimensional em universidades e centros culturais. Em 2000, Silveira inaugura o projeto Correcaminhos, com o qual transfere seu ateliê para diferentes cidades do interior pernambucano e troca conhecimentos com os artesãos que encontra. Participa, em 2005, do Ano do Brasil na França e da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Durante todos esses anos de produção, uma constante na obra de Marcelo Silveira é o interesse pelas características físicas dos materiais com os quais trabalha, sua disposição para investigar e revelar as possibilidades de manipulação e significação que cada material encerra. É provavelmente daí que decorre o uso de materiais os mais variados - madeira, couro, papel, alumínio, ferro, vidro, quase sempre combinados entre si.

Nair Kremer - artista plástica, professora e escultora (1938)
Filha de judeus austríacos. Mãe de quatro filhos e avó de onze netos, sempre tomou a arte como um exercício cotidiano, inclusive, no hábito de registrar constantemente as alegrias de sua vida em família. Em 1959, Nair gradua-se em Química Industrial pela Universidade Mackenzie. Em 1961 muda-se para Israel e se estabelece no Kibutz Bror Chail, onde exerceu sua profissão, além de cumprir as atribuições próprias da vida kibutziana. Em 1969, a pintura que estava sempre à sombra de seus interesses, passa para o primeiro plano. A artista é chamada a participar de exposições tanto em Israel como fora do país. Nessa época, embora continuasse autodidata, fez parte de um grupo nacional que reunia nomes como Dani Karavan e Menashe Kadishman, entre outros, que já trabalhavam com a interferência na natureza e nos centros urbanos, criando um movimento análogo ao Land Art que se desenvolvia na Europa e nos Estados Unidos. Nair faz seus estudos formais de 1978 a 1982 em The Art Teachers Training College, Israel, obtendo grau equivalente à pós-graduação em escultura. Retorna ao Brasil entre 1973 a 1975 e, nessa ocasião, foi convidada pelo professor Pietro Maria Bardi a realizar uma exposição individual no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Arcangelo Ianelli - pintor, escultor, ilustrador e desenhist (1922 - 2009).
Inicia-se no desenho como autodidata. Em 1940, estuda perspectiva na Associação Paulista de Belas Artes e, em 1942, recebe orientação em pintura de Colette Pujol. Dois anos depois, freqüenta o ateliê de Waldemar da Costa com Lothar Charoux, Hermelindo Fiaminghi e Maria Leontina. Durante a década de 1950 integra o Grupo Guanabara juntamente com Manabu Mabe, Yoshiya Takaoka, Jorge Mori, Tomoo Handa, Tikashi Fukushima e Wega Nery, entre outros. A partir da década de 1940, produz cenas cotidianas, paisagens urbanas e marinhas, que revelam grande síntese formal e uma gama cromática em tons rebaixados. Por volta dos anos 1960, volta-se ao abstracionismo informal e produz telas que apresentam densidade matérica e cores escuras. No fim dos anos 1960, sua obra é ao mesmo tempo linear e pictórica, onde se destaca o uso de grafismos. Já a partir de 1970, volta-se à abstração geométrica e emprega principalmente retângulos e quadrados, que se apresentam como planos superpostos e interpenetrados. Atua ainda como escultor, desde a metade da década de 1970, quando realiza obras em mármore e em madeira, nas quais retoma questões constantes na obra pictórica. Em 2002, comemora os seus 80 anos com retrospectiva montada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp.

Elisa Bracher - escultora, gravadora e desenhista (1965)
Durante o último ano da faculdade, faz curso de gravura em metal com Evandro Carlos Jardim (1935). Em 1989, torna-se professora de desenho e gravura na Faculdade de Artes Plásticas da FAAP. Trabalha com gravura, realizando obras abstratas, com leve tendência construtiva, no começo da década de 1990, ao mesmo tempo em que inicia a realização de trabalhos tridimensionais em metal. Em seguida, passa a utilizar a madeira em suas obras, optando com freqüência por materiais velhos, desgastados pelo tempo. Já em esculturas monumentais, realizadas entre 1998 e 1999, emprega troncos de madeira. Com o auxílio de uma equipe de marceneiros, retira a casca das toras e as regulariza, por meio de serras, para compor seus trabalhos. Há nessas obras uma tensão entre contenção e extravasamento, entre regularidade e instabilidade, que é o elemento fundamental de suas esculturas. Elas retiram sua força de um certo desequilíbrio. À medida que se contornam suas obras, tem-se a impressão de um permanente reequilíbrio e de um movimento inesperado e original.