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As histórias insinuadas de Sérgio Larrain

Por Marianna Rosalles

Para Sergio Larrain (Santiago, 1931 - Ovalle, 2012) “uma boa imagem nasce de um estado de graça”, e é para esse estado que suas imagens nos transportam ao longo da exposição  "Sergio Larrain: um retângulo na mão”, um paradoxo uma vez que a temática das fotografias de Larrain gira em torno da marginalidade.


Pisac, Peru, 1960. © Sergio Larrain/Magnum Photos

A rica biblioteca de sua família, da alta burguesia chilena, nas palavras da curadora Agnès Sire "'educou o olho do artista" e fez com que ele tivesse acesso à fotografia desde cedo. Larrain tem uma ligação com o isolamento e estava em uma constante busca por si mesmo e por estar no mundo de maneira plena. Ao longo de sua trajetória passou por retiros, praticando meditação, ioga, e em uma imersão artística através do desenho e da escrita.


Sérgio Larrain em Paris 1959.© SERGIO LARRAIN/MAGNUM PHOTOS

Por mais que tenha se consolidado como um fotojornalista, é possível perceber que suas imagens nunca eram feitas de longe, seja essa distância física ou afetiva. Larrain gostava de ficar por muito tempo com os protagonistas de suas imagens, mergulhar intensamente nas histórias e de fato conhecê-los. A partir desse método, o artista se libertou do cânone da linguagem fotojornalística e se consolidou com enquadramentos ousados, geometria e sensibilidade. Sua arte impressionou tanto, que Henri Cartier Bresson o apadrinhou e o convidou para integrar a Magnum Photos. Em duas décadas sua carreira decolou.

Ilha de Chiloé, Chile, 1957. © SERGIO LARRAIN/MAGNUM PHOTOS

Suas fotos expressam fios narrativos, é possível imaginar a situação retratada e criar com a imaginação sentidos para o retrato. No trabalho de Larrain, as fronteiras entre o fotojornalismo e a fotografia são borradas pela abordagem metafísica que o autor traduz.

O artista não é um mero “caçador de imagens”, pelo contrário, ele se vê capturado por elas. Para tal, avalia que é preciso estar aberto para a musa, ter uma postura de flâneur e vadiar pela cidade até se deixar tocar pela poesia das ruas.

Graças a essa estratégia, os trabalhos do artista tem muitas camadas, e por vezes seus enquadramentos se tornam até vertiginosos em razão de seus planos infinitos e das múltiplas narrativas. As imagens de Larrain transmitem histórias insinuadas. Confira a exposição em nossa agenda!

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