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Valeska Soares: Entrementes

Artistas: Valeska Soares

Curadoria: Júlia Rebouças

De 4/8 a 22/10

Pinacoteca do Estado de São Paulo Ver mapa

Endereço: Praça da Luz, 2 - Largo General Osório, 66 - Luz

Telefone: (11) 3324-1000

Entre os dias 4 de agosto e 22 de outubro de 2018, a Pinacoteca de São Paulo apresenta a exposição "Valeska Soares: Entrementes". A mostra, que ocupa o quarto andar e o espaço de entrada da Pina Estação, expõe uma seleção de 30 anos de produção da artista mineira e conta com a curadoria de Júlia Rebouças. Nela estão expostas obras de desde o final dos anos 1980 que trazem como temas principais o sujeito e o corpo, a memória e os afetos, e as relações entre espaço, tempo e linguagem. A entrada é livre e gratuita.

Vistas da exposição na Pina Estação (Foto: InfoArtSP)

Nascida em Belo Horizonte, em 1957, e radicada em Nova York desde o início da década de 1990, Valeska Soares tem a escultura como sua primeira linguagem e pertence a um grupo internacional de artistas que expandiu as possibilidades da instalação na arte, engajando subjetivamente o espectador. Suas obras, geralmente, recorrem a narrativas ficcionais da literatura para tecer experiências de intimidade e desejo que ultrapassam o campo individual e alcançam a sensibilidade coletiva.

Através de materiais evocativos, a artista explora a tensão criada pelas oposições. Suas esculturas e instalações frequentemente apresentam materiais reflexivos, como aço inoxidável e espelhos, em contraste com substâncias orgânicas e sensoriais, como flores, com intuito de ampliar a experiência do visitante no espaço. Neste sentido, Soares se utiliza de diversas técnicas sensoriais, incluindo o som para criar atmosferas e vivências que são tanto convidativas quanto perturbadoras.

A mostra permanece em cartaz até 22 de outubro de 2018 (Foto: InfoArtSP)

Para a exposição na Pinacoteca, a curadora selecionou um conjunto de 40 obras provenientes do acervo do museu, de coleções particulares e da própria artista, sendo que algumas dessas últimas são inéditas no Brasil. São pinturas, colagens, objetos, instalações e esculturas que, como o título sugere, apresentam zonas intermediárias de contato: intersecções entre o indivíduo e a sociedade, entre o encoberto/misterioso e o explícito, passado e futuro, etc. “A mostra explora também obras que lançam mão da ideia de coletividade, seja pelo recurso da coleção, explorado em diversos trabalhos por Soares, seja pela constituição de uma experiência compartilhada, como em Epílogo (2016) ou Vagalume (2007)”, define a curadora.

"Valeska Soares: Entrementes" trata, de modo geral, de tudo daquilo que, mesmo sendo matéria de foro íntimo, pode ser vivido em comunhão. “Neste sentido, Detour (2002) — inspirado no conto As cidades e o desejo, do escritor italiano Ítalo Calvino — é um trabalho central, pois parte da ideia de um mesmo sonho que é sonhado e narrado por diferentes pessoas”, conta Rebouças. No conto, os sonhadores, na esperança de encontrar o objeto de seu desejo — uma mulher que corre desnuda — acabam por criar uma cidade que replica os caminhos onde a perderam. A partir da história, Soares constrói um ambiente que, embora confinado, sugere infinitas saídas pelo resultado de espelhamentos.

Exposição reúne 30 anos de produção da artista mineira (Foto: InfoArtSP)

A artista ainda incorpora qualidades arquitetônicas à sua prática, herança da formação acadêmica neste campo. Nesta perspectiva, ela agrega a ideia de ponto de fuga como eixo central e toma o espaço não apenas como ente físico e ilusório, mas um lugar que possibilita ao visitante perceber-se em relação a ele. “A artista não afasta seus trabalhos do público. As obras dão-se a ver, deixam pistas sobre o processo de sua elaboração, estão evidentes em sua constituição material, abrem-se para o jogo do engajamento sensível e da participação”, diz Rebouças.

“Parte da força de sua poética está naquilo que evapora, escorre, esmaece, murcha, silencia, rescinde, derrete, quebra”, complementa a curadora. A instalação Untitled (From Vanishing Points), de 1998, pertencente ao acervo da Pinacoteca, é um exemplo disso. Nesta, a artista reproduz um conjunto de vasos de plantas tal como estavam dispostos em seu jardim. Replicados em cera, porcelana e alumínio, marcam a ausência da vida como força orgânica, ao passo que são indícios de um outro tempo ou existência que escapa à tentativa de contenção. Replicam assim a estrutura da memória, uma vez que só é possível lembrar a partir do presente, e é da experiência do agora que se preenchem as lacunas do passado.

A mostra de Valeska Soares integra a série de retrospectivas de artistas que iniciaram suas carreiras a partir dos anos 1980, apresentadas sempre no 4º andar da Pina Estação. "Valeska Soares: Entrementes" será complementada com um catálogo que reúne textos de Júlia Rebouças e das curadoras Maria do Carmo Pontes, Melissa Rocha e Isabella Rjeille. Também inclui imagens da exposição e de outras obras, além de uma adaptação da obra Disclaimer, especialmente para a publicação.

Ação Educativa
O museu oferece visitas educativas (escolas e público em geral - saiba mais aqui), com agendamento pelos telefones 33240943 ou 3324-0944. Aos finais de semana é possível realizar visitas sem agendamento em horários pré-determinados.

Além das visitas, serão apresentados textos de parede, em articulação aos textos curatoriais, a partir de uma abordagem mais didática; placas para família, que despertam um estímulo lúdico e de leitura autônoma de obras. Essas últimas, intituladas “Leitura de imagens”, possuem como objetivo o aprofundamento dos processos perceptivos e interpretativos do visitante.

Estão expostas 40 obras provenientes do acervo do museu, de coleções particulares e da própria artista, algumas inéditas no Brasil (Foto: InfoArtSP)

Sobre a artista
Valeska Soares nasceu em Belo Horizonte/MG, em 1957, e vive e trabalha em Nova York/EUA. É bacharel em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, e pós-graduada em História da Arte e da Arquitetura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), também no Rio de Janeiro. Após mudar-se para Nova York, em 1992, realizou MFA (Master of Fine Arts) no Pratt Institute, no Brooklyn e, em seguida, começou a frequentar a New York University, School of Education onde se candidata a Doctor of Arts. Sua primeira mostra individual em um museu aconteceu no Portland Institute for Contemporary Art, EUA, em 1998, e sua primeira retrospectiva foi apresentada no Museu de Arte da Pampulha/MG, em 2002. No ano seguinte, uma grande mostra dedicada à sua prática ocorreu no Bronx Museum for the Arts, Nova York/EUA. Soares produziu instalações site-specific para diversos espaços, incluindo o inSite, em San Diego-Tijuana/EUA (2000); o Museo Tamayo, na Cidade do México (2003) e o Instituto Inhotim, em Brumadinho/MG (2008). Foi uma das indicadas, em 2001, ao Millenium Prize, oferecido pela National Gallery of Canada Foundation. Também participou de diversas bienais, incluindo a de São Paulo (1994, 1998 e 2009); de Veneza/Itália (2005); e a Sharjah Biennial, nos Emirados Árabes (2009).

Sobre a curadora
Júlia Rebouças nasceu em Aracaju/SE, em 1984, e vive entre Belo Horizonte e São Paulo. É curadora, pesquisadora e crítica de arte. Foi cocuradora da 32ª Bienal de São Paulo, "Incerteza Viva" (2016). De 2007 a 2015, trabalhou no departamento curatorial do Instituto Inhotim/MG. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, integrando a comissão curadora dos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC Videobrasil, em São Paulo. Foi curadora adjunta da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre ("Se o clima for favorável"), em 2013. Realizou diversos projetos curatoriais independentes, dentre os quais destacam-se a exposição "MitoMotim", no Galpão VB, em São Paulo, e "Zona de Instabilidade", com obras da artista Lais Myrrha, na Caixa Cultural São Paulo, em 2013, e na Caixa Cultural Brasília, em 2014. Desenvolve projetos editoriais e escreve textos para catálogos de exposições, livros de artista e colabora com revistas de arte. Graduou-se em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). É mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (2017).

Múltiplos da Artista
Valeska Soares participa do Projeto de Múltiplos, criado pela Pinacoteca, com o objetivo de angariar recursos para a instituição. Para este, a artista concebeu uma tiragem de 20 impressões de 5 gravuras, que misturam processos digitais e de serigrafia a partir de uma nova interpretação da obra Doubleface, de 2017, na qual ela se apropria de retratos pintados a óleo por outros artistas e intervém sobre eles. Para o Múltiplo desenvolvido especialmente para a Pinacoteca, o ponto de partida foram cinco retratos de mulheres pertencentes ao acervo do museu. Os trabalhos podem ser adquiridos de forma avulsa ou em conjunto.

Criado pela Pinacoteca em 2016, o projeto já contou com a colaboração de Beatriz Milhazes, Jac Leirner, Anna Maria Maiolino, Albano Afonso, Sofia Borges, Rochelle Costi, Vik Muniz, Caio Reisewitz, Rosângela Rennó e Maria Bonomi, entre outros. As peças podem ser adquiridas diretamente na recepção da Pina Estação durante o período expositivo. Para adquirir, entre em contato com Juliana Asmir pelo número (11) 3335-5366 ou o e-mail jasmir@pinacoteca.org.br.

A curadoria da exposição é assinada por Júlia Rebouças (Foto: InfoArtSP)

Serviço
Exposição: "Valeska Soares: Entrementes", com curadoria de Júlia Rebouças.
Datas e horários: de 4 de agosto a 22 de outubro de 2018. De quarta a segunda, das 10h às 17h30.
Local: Pinacoteca de São Paulo (Estação Pinacoteca) | Largo General Osório, 66 - Santa Ifigênia, São Paulo.
Ingressos: Entrada temporariamente gratuita na Estação Pinacoteca.