AGENDA DAS ARTES

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Tribos

Artistas: Daniela Schneider

Curadoria: Diógenes Moura

De 26/11 a 11/2

Fass Ver mapa

Endereço: Rua Rodésia, 26 - Vila Madalena

Telefone: (11) 3037-7349

Marco da arquitetura que “rasga” a paisagem da região central de São Paulo, o Minhocão é uma via pulsante entre poluição, barulho, lazer, abandono, vida pública e vida privada. Para Daniela Schneider, um objeto de desejo. Durante os últimos dois anos a fotógrafa percorreu as extremidades do Minhocão, dentro e fora, sábados e domingos, dia e noite. O resultado está na série TRIBOS, um conjunto com 51 imagens de janelas de apartamentos onde a vida cotidiana dos que por ali vivem, mesmo revelada, será sempre um segredo.

A exposição TRIBOS, de Daniela Schneider apresenta fotografias realizadas entre 2014 e 2016, no Minhocão, em São Paulo. Com seu registro de olhar urbano as imagens revelam um aspecto “quase silencioso”, captadas nos momentos em que a grande serpente de asfalto está liberada para os moradores da cidade e os que vivem nos prédios do seu entorno, tornando-se um local menos inóspito e mais humanizado depois que o trânsito é interrompido.


Daniela Schneider. Tribos - 13 2015/16. Pigmento sobre papel de algodão. Edição: 20. 30 x 30 cm

A fotógrafa se concentrou nas janelas. Primeiro numa intimidade não revelada. Depois, aos poucos, quando a noite chegava, as portas e janelas eram abertas e a vida do “outro” começava a existir para a fotografia. Mas é ai que está o limite. Como ver sem invadir? “Para além do constante monitoramento sobre o nosso cotidiano, a privacidade dos moradores do Minhocão é devassada pela curiosidade de seus frequentadores, num voyeurismo de mão dupla. Primeiro fotografei durante o dia, nos mais diversos horários. Depois, no início da noite, quando os moradores acendiam as luzes dos apartamentos tornando os ambientes mais expostos. Diante deles tentei ser quase invisível, fotografando pelas frestas com o intuito de evitar que eles me vissem. Algumas vezes, consegui. Outras não”.


Daniela Schneider. Tribos - 30 2015/16. Pigmento sobre papel de algodão. Edição: 1/20. 30 x 30 cm

O resultado está nas imagens: uma quase fotografia de vestígios. Detalhes de luz e sombras, objetos perdidos no tempo, bonecas, imagens religiosas, móveis que avançam da sala para a varanda, jardins suspensos com plantas cobertas por fuligens, um varal com roupas que despe e ao mesmo tempo constrói a imagem de um morador que não está na fotografia. “Cada imagem de TRIBOS tem um dono: não os que por ali passam, mas sim os que estão pelo lado de dentro de cada janela, protegidos apenas por uma parede “invisível” que poderá se tornar um limite perverso entre o que é público e o que é privado”, afirma o curador Diógenes Moura.

Daniela Schneider é autora de uma consistente fotografia de linguagem urbana. Entre suas séries estão Largo da Batata; Linhas Aéreas; Cicatrizes da Cidade; e A cor em Heliópolis expostas em cidades como São Paulo e Londres. Foi finalista do PhotoEspaña e teve alguns de seus trabalhos publicados no El País e na revista Urban World da UN-Habitat. É jornalista formada pela FAAP e fotografa desde a década de 1980.

Saiba sobre o concurso "Contra Vistas do Minhocão" que surgiu a partir da exposição Tribos.