AGENDA DAS ARTES

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Samico

Artistas: Gilvan Samico

Curadoria: Ivo Mesquita

De 28/5 a 17/7

Galeria Estação Ver mapa

Endereço: Rua Ferreira de Araujo,625 Pinheiros

Telefone: (11) 3813 7253

A Galeria Estação apresenta “Samico”, a primeira individual do artista Gilvan Samico (1928-2013) no espaço após a sua morte, a mostra fica em cartaz de 28 de maio a 13 de julho. Em 2012 a Estação exibiu uma individual do artista, que esteve presente na mostra, Samico faleceu no ano seguinte. Em 2016, sua obra foi exibida na 32ª Bienal Internacional de São Paulo. Neste ano, a mostra da galeria reúne cerca de 34 obras que transitam por quase toda a sua produção: composições repletas de simbologia marcadas pela simetria e a verticalidade que trazem temas como a natureza, instâncias sagradas e a vida terrena. O artista pernambucano fazia parte do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, e produzia em sua casa ateliê em Olinda. Samico foi um dos raros artistas que desenhava, gravava e imprimia manualmente suas obras.


Samico, 1928, Recife PE, O rapto do sol, 1984, Xilogravura. Dimensões: 61x95 cm. Créditos: João Liberato 

O curador da exposição Ivo Mesquita e a galerista Vilma Eid optaram por dividir as obras da exposição em três grupos. O primeiro é composto por gravuras que tratam da influência dos professores de Samico (Lívio Abramo e Goeldi) em sua produção, como em Menina com corrupios, Leitura na praça (ambas de 1958) e Três mulheres e a Lua (1959). Mesquita afirma que nessas obras já era possível verificar o pensamento abstrato que articula as composições do artista.

O segundo grupo é voltado para a produção dos anos 60, período marcado pelo encantamento do artista pelas tradições populares da literatura e da gravura de cordel, histórias e lendas que aquecem seu imaginário. “Esses trabalhos consolidam sua linguagem plástica, seu estilo direto e enxuto, e seu compromisso com a cultura vernacular, aliada à grande tradição da arte ocidental, representada pela abordagem de temas bíblicos e mitos clássicos da história”, afirma Mesquita. Segundo ele, ainda, é a produção desse período foi fundamental para que o artista ganhasse projeção nacional.


Samico, 1928, Recife PE, A pesca 2007 Xilogravura. Dimensões: 93,5x52cm. Créditos: João Liberato

O terceiro bloco,  trata do período em que o artista adota um tamanho padrão de matriz e passa a elaborar uma única gravura por ano, tarefa que exigia do artista inúmeros desenhos e estudos preparatórios, essa metodologia começou a ser posta em prática em 1977 e assim Samico o fez até o final de sua vida. De acordo com o curador, os trabalhos desse período demonstram seu compromisso com a arte e da sua prática da gravura desde então, adotando método e procedimentos que põem em movimento uma depuração do trabalho, com composições articuladas a partir da divisão geométrica do espaço, demarcação de campos simétricos, a estruturação hierática da imagem entre séries de figuras, animais, elementos de paisagens, frutas, vegetação, motivos decorativos. “A sua busca por ascetismo e exatidão como programa para aprofundar o processo de pensamento, trabalho, conhecimento, impõe limites à forma como que reduzindo ou restringindo a ação do artista”, completa.


Samico, 1928, Recife PE, João, Maria e o pavão azul, 1960.  Xilogravura. Dimensões: 33x36 cm. Créditos: João Liberato

Samico foi uma figura importante para a valorização da arte nordestina, o artista fundou em 1952, o Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife - SAMR, idealizado por Abelardo da Hora desde 1924. Em 1957 estuda xilogravura com Lívio Abramo na Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, e, no ano seguinte com Oswaldo Goeldi, na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em 1965, passa a  morar em Olinda. Trabalhou como professor de xilogravura na Universidade Federal da Paraíba - UFPA. No 17º Salão Nacional de Arte Moderna, em 1968, Samico foi premiado com uma viagem ao exterior e permaneceu por dois anos na Europa. Em 1971, foi convidado por Ariano Suassuna a fazer parte do Movimento Armorial, voltado à cultura popular nordestina e à literatura de cordel.

Serviço
Samico, de Gilvan Samico
Datas e Horários: De 28/5 a 17/7. De segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h
Local: Galeria Estação |Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros
Entrada livre e gratuita