AGENDA DAS ARTES

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Quando a vida é uma euforia

Artistas: Joana Lira

Curadoria: Mamé Shimabukuro

De 23/1 a 4/3

Instituto Tomie Ohtake Ver mapa

Endereço: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 - Pinheiros - São Paulo - SP CEP 01451-001

Telefone: (11) 2245-1900

O Instituto Tomie Ohtake apresenta, a partir do dia 23 de janeiro, a mostra "Quando a vida é uma euforia", da artista gráfica Joana Lira, responsável por imprimir nas ruas de Recife a identidade visual e a cenografia do carnaval pernambucano ao longo de dez anos. Com curadoria de Mamé Shimabukuro, a mostra promove uma aproximação do visitante com o multifacetado carnaval pernambucano, transportando o público para aquela que é considerada uma das maiores festas populares brasileiras. A exposição fica em cartaz, com entrada livre e gratuita, até 4 de março de 2018, e tem uma programação oferecida pelo Núcleo de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake, entre visitas, oficinas e atividades gratuitas, voltadas a diversos públicos.

Cenografia de Joana Lira para o carnaval 2010 em Recife (Foto: Josivan Rodrigues/Divulgação)

A mostra apresenta o carnaval pernambucano ressaltando as manifestações regionais, com um olhar atual, repleto de resignificados. “A mostra busca uma tonalidade experimental, ao costurar situações imersivas e documentais sobre as histórias e personagens deste carnaval, refletindo sobre como as representações gráficas da cultura carnavalesca interagem com os sentimentos e emoções das pessoas”, afirma a curadora. 

Ainda que muito apreciado nacionalmente, o país conhece pouco a particular diversidade de ritmos, melodias, temas e personagens contidos no carnaval de Recife. Por isso a exposição, que conta com trilha sonora de Maurício Badé, é também uma rara oportunidade de o público paulistano mergulhar nas originais narrativas que desenham o imaginário popular desta cultura local. Segundo Ricardo Ohtake, o Instituto realiza esta exposição principalmente pelo projeto de exaltar o encontro da arte com a rua. “Joana traduz com seu vigor criativo as tradicionais invenções do povo edificadas na cultura brasileira”, completa.

Cores de Joana Lira para o Carnaval recifense em 2008 (Foto: Tiago Lubambo/Divulgação)

O primeiro núcleo da mostra trata da ideia de pertencimento, ao trazer conteúdos e registros de manifestações culturais locais, tais como Frevo, Maracatu Rural, Maracatu Nação e Caboclinhos, além das propostas de intervenção urbana realizadas pela artista. Já o segundo favorece a experiência sensorial, apresentando ao visitante a possibilidade de sentir a pulsação do carnaval por meio de grandes projeções marcadas pelo som dos vários ritmos locais. Por sua vez, o terceiro núcleo concentra-se na noção de transcendência, para colocar o espectador dentro da folia, ao exibir personagens em tamanhos monumentais, as grandes proporções que sublinham o trabalho de Joana Lira.

“Joana desenvolveu uma antropologia visual expressa por uma linha preta vazada receptiva, que possibilita a expansão de formas geométricas e cores vibrantes. Ao mesmo tempo, estão implícitas e explícitas relações de euforia, alegria e sensualidade presentes em seu trabalho. Falamos aqui em relações estéticas e de constituição do sujeito relacionados a cidade de Recife, reconhecendo e revivendo raízes da cultura além de promover uma nova educação estética pela sensibilização do olhar”, afirma a curadora.

Cenário de Joana Lira "dança" no carnaval 2008 (Foto: Bárbara Wagner/Divulgação)

Entre as manifestações que mantêm viva a tradição do carnaval pernambucano e alimentam a obra de Joana Lira, destacam-se os maracatus nação e rural. Enquanto o nação cultua os orixás africanos com cortejos de reis e rainhas de influências africanas e portuguesas, o rural, de origem indígena, evoca os caboclos da mata, personagens conhecidos como Caboclos de lança, criação oriunda dos trabalhadores da cana de açúcar. Com vestes largas, coloridas e brilhantes, de semblante sóbrio, portam óculos escuros e carregam um cravo branco na boca. Idealizadores do Mangue beat, entre os quais Chico Science (1966-1997), revisitaram o maracatu e, ao incorporar as batidas em samplers de guitarras e outros instrumentos, criaram a síntese do que seria a “música mangue”: um pé na tradição, outro na modernidade.

Igualmente realçado na obra da artista está o consagrado Frevo, no qual a música e a dança foram espontaneamente concebidas pelo povo a partir da mistura de marchas militares e de capoeira, em 1907, período em que se consolidava o carnaval de rua, em Recife. É ao som do frevo que o Galo da Madrugada, bloco que, ao reunir mais de um milhão de pessoas, consagrou-se no livro dos recordes como o maior bloco de carnaval do mundo. Entre as referências há, ainda, os Caboclinhos, grupos inspirados em tribos indígenas, como Caetés, Carijos, Tapuias, Tumpinambás, Tupirapes, Taperaguases.

Cenário criado por Joana Lira no carnaval 2007 (Foto: Tiago Lubambo/Divulgação)

PROGRAMA DE ATIVIDADES
O Núcleo de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake oferece visitas, oficinas e atividades gratuitas, voltadas a diversos públicos. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 2245-1937. Para mais informações acesse o site do instituto ou entre em contato pelo e-mail setoreducativo@ institutotomieohtake.org.br. Confira a programação:

Oficina de Música Percussiva Pernambucana
03/02, sábado, às 11h.

Vagas: 20
Ministrada pelo músico percussionista Maurício Badé que atualmente trabalha com Criolo e Russo Passapusso.

Oficina de fantasias de carnaval
09/02, sexta-feira, pré-carnaval, às 13h.

Vagas: 20
Ateliê de produção de fantasias carnavalescas, proposto pelo educador Felipe Tenório.

Padrões Momescos: estampando a emoção
17/02, sábado, das 09h às 18h.

Vagas: 20
Oficina de estamparia manual para criação de estampas autorais a partir de técnica pochoir inspirados no carnaval pernambucano, ministrada por Lin Diniz e Bárbara Penaforte.

Contação de histórias
24/02, sábado, às 11h.

Vagas: 60
Contação de histórias inspiradas na exposição.

Conversa em bloco
24/02, sábado, às 15h.

Vagas: 20
Visita à exposição e conversa sobre a pesquisa e as produções para o Carnaval de Recife mediadas pela artista gráfica pernambucana Joana Lira.

Apresentação de dança contemporânea - FLAIRA FERRO
04/03, domingo, às 18h.

Espetáculo que une a cultura popular à arte contemporânea feito pela cantora, compositora e dançarina pernambucana Flaira Ferro.

Mangueboys desenhados por Joana Lira para o Carnaval 2001 do Recife (Foto: Gilvan Barreto/Divulgação)

Serviço
Exposição: "Quando a vida é uma euforia", de Joana Lira, com curadoria de Mamé Shimabukuro.
Datas e horários: Abertura dia 23 de janeiro de 2018, às 20h. Em cartaz até 4 de março de 2018. De terça a domingo, das 11h às 20h (fechado no Carnaval do dia 10 ao dia 14 de fevereiro, ao meio-dia).
Local: Instituto Tomie Ohtake | Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros, São Paulo (metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela).
Entrada livre e gratuita.