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Proximate Drivers

Artistas: Gabriel Lima

Curadoria: -

De 19/8 a 23/9

Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel - Galpão Ver mapa

Endereço: Rua James Holland, 71 - Barra Funda

Telefone: (11) 3392-3942

Ao mesmo tempo em que se envolve e resiste às limitações da experiência empírica, Gabriel Lima direciona seu trabalho em busca da representação da consciência. Dia 19 de agosto inaugura "Proximate Drivers", sua segunda exposição no Galpão da Fortes D’Aloia & Gabriel , onde apresenta onze pinturas a óleo. Estes trabalhos etéreos incorporam a abordagem dinâmica e exploratória de sua prática com imagens que variam de pessoas a animais distintos, de paisagens surrealistas a abstrações puras. Em cartaz até 23 de setembro de 2017, com entrada gratuita.

O coeso corpo de obras incluído aqui instiga uma leitura singular. Através de sua maneira fragmentada de representação, Lima encoraja reconstruções visuais e conceituais, questionando a relevância da pintura dentro e além dos limites do espaço expositivo. Inspirado em parte pelo seu interesse pelas complexidades sócio-geográficas do Brasil – como a urbanização maciça somada à dominação corporativa das terras rurais –, Lima continua a longa tradição na pintura de analisar a relação do homem com a natureza.  


Gabriel Lima - Sem título, 2017. Óleo sobre tela 160 x 107 cm (Foto: Eduardo Ortega)

As mulheres retratadas por Lima trazem expressões dúbias, que traduzem vulnerabilidades e forças universais, transmitindo um senso compartilhado de resolução. O que elas estão olhando? Elas estão se protegendo, procurando algo, realizando algum tipo de trabalho? Ou talvez estejam simplesmente observando. Ou aguardando. A ênfase do artista sobre seus estados íntimos sugere tanto um sentimento de deslocamento quanto uma presença transcendente.

Talvez o senso de deslocamento dessas mulheres se deva às paisagens que as acompanham. As pinturas de paisagem intercalam os retratos, sugerindo que as personagens devem achar seu caminho através desses ambientes. No entanto, ao invés de espaços habitáveis, esses trabalhos desmontam o tempo com representações difusas que ora sugerem cenários idílicos do pré-Antropoceno, ora se revelam como terrenos devastados ou de outro mundo. Em várias dessas paisagens um sol à distância parece se pôr, embora não haja linha do horizonte além da qual possa ir. A profundidade expansiva que Lima cria ao longo das telas é abruptamente achatada pela inclusão de uma forma preta e fantasmagórica – com um tom pesado, mas de forma leve, a natureza contraditória desse elemento consegue desmanchar e expandir a tela ao mesmo tempo.

Em uma das maiores obras da exposição, uma capivara flutua sobre uma composição abstrata. Apesar de seu habitat natural ser as savanas e florestas, as capivaras se adaptaram para viver nas margens dos rios altamente poluídos de São Paulo. Em vez de ditar como os espectadores devem entender a presença desse animal – como símbolo de destruição ambiental ou de sobrevivência inesperada – as possibilidades de interpretação são deixadas em aberto. Este espaço intersticial dentro do qual nos encontramos enquanto examinamos as pinturas de Lima é a essência de sua obra.


Gabriel Lima - Sem título, 2017. Óleo sobre madeira 32 x 24 cm.

Como John Berger escreve na primeira passagem de Modos de Ver: “[É] o ato de ver que estabelece o nosso lugar no mundo circundante. Explicamos esse mundo com palavras, mas as palavras nunca podem desfazer o fato de estarmos por ele circundados. A relação entre o que vemos e o que sabemos nunca fica estabelecida.” Aceitar a declaração de Berger é aceitar o potencial inerente de um espaço tão indefinível. Lima está fazendo exatamente isso – empurrando a pintura além das questões do olhar ou ver para perguntar sobre o ser.

Gabriel Lima 
Nasceu em São Paulo em 1984. Vive e trabalha em Nova York. Graduou-se em Belas Artes na Cooper Union (Nova York, 2007-2010) e fez Mestrado em Pintura na Royal College of Arts (Londres, 2011-2013). Suas exposições individuais incluem: life, vest; coffee, tray, Kai Matsumiya (Nova York, 2016); Hanoi, Hanoi, Galeria Múrias Centeno (Lisboa, 2015); Autêntico, Union Pacific (Londres, 2015); Us And Them Forever Bound Up In Here And Now, Galpão Fortes Vilaça (São Paulo, 2014); world interior, Galeria Múrias Centeno (Porto, 2014). Entre as coletivas recentes, destacam-se: A Terceira Mão, Fortes D’Aloia & Gabriel | Galeria (São Paulo, 2017); Nimm’s Mal Easy, Ausstellungsraum Klingental (Basel, 2015); Jac Leirner, Albert Baronian Project Space (Bruxelas, 2015); Ex Materia, Berthold Pott (Colônia, 2015).

Serviço
Exposição: "Proximate drivers", de Gabriel Lima.
Datas e horários: Abertura sábado, 19 de agosto, às 14h. Em cartaz até 23 de setembro de 2017. De terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h.
Local: Fortes D’Aloia & Gabriel - Galpão | Rua James Holland, 71 - Barra Funda, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.