AGENDA DAS ARTES

Voltar

Por Que Tremes, Mulher?

Artistas: Regina Parra

Curadoria: Moacir dos Anjos

De 21/7 a 20/8

Galeria Millan Ver mapa

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1360 - Vila Madalena

Telefone: 11 3031-6007

A Galeria Millan tem o prazer de apresentar as novas individuais das artistas paulistanas Tatiana Blass (Anexo Millan) e Regina Parra (Galeria Millan), a partir de 21 de julho, quinta-feira. Vídeos, pinturas, desenhos e uma instalação integram “Por Que Tremes, Mulher?”, de Regina Parra, enquanto Tatiana Blass apresenta, em “A Desprofissão”, novas séries de pinturas e vídeo-instalações, além de vídeos recentes pouco exibidos em sua trajetória. Ambas as exposições permanecem em cartaz até o dia 20 de agosto de 2016, com entrada livre e gratuita.

Regina Parra (Divulgação)

Em sua primeira exposição individual na Galeria Millan, “Por Que Tremes, Mulher?”, com curadoria de Moacir dos Anjos, a artista Regina Parra reúne nove pinturas, uma série de desenhos, instalações e um vídeo. Os novos trabalhos refletem uma espécie de “arqueologia da violência”. Não a brutalidade que ganha destaque da mídia diariamente, mas aquela que, muitas vezes, está por trás dela: a violência velada nas relações do dia-a-dia. A hostilidade invisível que funciona como uma ferramenta cotidiana para submeter o outro, especialmente quando esse outro está em uma posição mais frágil. E todo tipo de outro – mulher, imigrante, negro, índio – trava uma luta contra sua própria redução a estereótipos: a mulher domesticada, o imigrante servil, a “nega maluca”, o bom selvagem.

Individual de Regina Parra permanece em cartaz até 20 de agosto de 2016 (Divulgação)

Na instalação sonora Sim, Senhor, por exemplo, todos os personagens repetem a mesma frase (“- Sim, senhor.”) como uma estratégia de sobrevivência. Ou, nas pinturas a óleo, são reduzidos a estátuas decorativas de fazendas escravagistas de São Paulo, eternamente servis e sorridentes. E abaixam a cabeça no conjunto de desenhos vermelhos de Parra. No olhar da artista, a estratégia de sobrevivência pode ser enxergada como um meio de resistência. As esculturas decorativas blackamoor retratadas em seus óleos sobre papel deixam de ser “enfeites exóticos” para revelar a brutalidade de sua origem. As figuras cabisbaixas representadas ali talvez estejam, enfim, levantando suas cabeças.

Nas pinturas da série que dá nome à mostra, Por Que Tremes, Mulher?, os versos do poema "Tragédia no Lar", de Castro Alves, fazem as vezes de legendas em cenas de florestas primordiais. Nelas, a violência funciona como ponto de intersecção entre natureza e cultura. Essas mesmas paisagens são o habitat do pássaro Lipaugus vociferans, conhecido como Capitão-do-Mato. A alcunha vem de seu canto estridente, que, no passado, servia para denunciar o movimento de escravos em fuga. Essa espécie de “antifábula” ganha novo significado no grupo de pinturas Aquele Que Grita e também no vídeo Capitão-do-Mato, filmado na Amazônia tendo como personagem um exímio imitador de pássaros. E na instalação em neón, a frase "Manter-se Aterrorizada" é, ao mesmo tempo, o avesso e o espelho da sentença "Tornar-se Terrível". Um dilema essencialmente contemporâneo, de um tempo em que a violência contra a mulher está em evidência, da reação feroz às ondas de imigração e do aumento da desigualdade. Um tempo onde o outro ainda é perseguido.

Regina Parra (Divulgação)

serviço
Exposição: "Por Que Tremes, Mulher?", de Regina Parra com curadoria de Moacir dos Anjos.
Datas e horários: Abertura dia 21 de julho, quinta-feira, às 19h. Em cartaz até o dia 20 de agosto de 2016. De terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h.
Local: Galeria Millan | Rua Fradique Coutinho, 1360 - Vila Madalena.
Entrada livre e gratuita.