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Pisa na Paúra

Artistas: Lenora de Barros

Curadoria: -

De 22/11 a 20/12

Galeria Millan Ver mapa

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1360 - Vila Madalena

Telefone: 11 3031-6007

A artista visual Lenora de Barros expõe sua produção mais recente, de 22 de novembro a 20 de dezembro de 2017, após uma temporada de pesquisa em Nova York. "Pisa na Paúra" ocupa o Anexo Millan e examina temas como violência e medo por meio de diferentes suportes, incluindo vídeo, instalação, lambe-lambe e cerâmica. A mostra, com entrada livre e gratuita, acontece simultaneamente à exposição individual de Décio Pignatari, "Na Arte Interessa O Que Não", também em cartaz na galeria.

Lenora de Barros, Alvos (Divulgação)

A palavra “paúra”, que é sinônimo de medo, tem a mesma raiz de “pavor” e de “espanto”: pavere, em latim, significa “estar tomado de pavor ou espanto, estar possuído”. A artista adentra as dimensões etimológicas daquela palavra para engendrar um conjunto de obras inéditas que marca uma nova fase em sua carreira. Ela se lança agora a novos desafios ao dedicar-se ao ofício manual, em especial a cerâmica, pesquisa que levou a cabo durante seis meses no Sculpture Space, em Nova York, nos Estados Unidos. 

Na entrada do espaço expositivo, Lenora cobrirá duas grandes paredes (de 6,5 x 11 m) com lambe-lambes com a expressão “pisa na paúra” escrita à mão. O texto repete-se de forma obsessiva e rítmica e sobrepõe-se até quase atingir o estado entrópico. O remate é uma passagem poética e radical da linguagem verbal para o desenho.

No centro da mesma sala, os visitantes serão convidados a pisar nas letras da palavra “paúra”, feitas de argila, que evocam literalmente o sentimento do título da exposição, a ideia de pisar no medo. A cerâmica também surge numa série de pequenas esculturas intitulada Máscaras de Mão (2017), cujo formato e escala se assemelham a luvas de boxe, mas também sugerem rostos desfigurados.

O processo para sua realização partiu de um insight da artista ao explorar a matéria por dentro, seu aspecto visceral. “Essa situação primitiva do barro e como isso poderia se prestar a minha poética me interessam. No início, tinha medo do processo de criar a forma, e esse sentimento me fez resgatar um poema que escrevi em 1972”, conta ela, referindo-se a MEDO DA FORMAAMORFA. A visceralidade já era um elemento recorrente em sua trajetória, mas agora assume caráter mais sensitivo.

Numa linha de pesquisa que se desenvolvia paralelamente e em diálogo com as peças de cerâmica, a artista vinha fazendo experimentos com alvos utilizados em academias de tiro – um elemento incômodo e perturbador num tempo em que a violência se dissemina de maneira assustadora e se volta contra alvos determinados, mas também aleatórios. Durante o processo de pesquisa, Lenora decidiu recolher no lixo de uma academia de tiros em São Paulo alguns exemplares de alvos usados, que serão apresentados na mostra. “Chamou minha atenção a carga de violência contida nessas figuras em ‘decomposição’ após os tiros que receberam – imagens de corpos que nunca viveram, mas morreram de forma violenta”, comenta.

Lenora de Barros, Máscaras de mão, 2017 (Divulgação)

As peças também serviram como ponto de partida para o vídeo Alvos, que foi gravado numa das salas dessa academia, no qual a artista posiciona a figura do alvo no próprio rosto. “O que se destacou nessa imagem é o fato de o ponto que direciona o tiro estar situado em cima da boca. Essa conexão com a língua e a linguagem me interessa”, explica, e complementa: “O intrigante é que essa figura possui uma expressão impávida, cujo significado é justamente o oposto de ‘paúra’”.

Lenora de Barros realizou seus primeiros trabalhos na década de 1970, num campo de pesquisas que privilegiava as relações entre palavra e imagem. Filha do artista Geraldo de Barros (1923-1998), ela conheceu de perto o ambiente do construtivismo paulista. “Cresci nesse meio estimulante interagindo com artistas e poetas, sob a influência do concretismo, da cultura pop e do clima de experimentalismo e transgressão de setores do meio cultural na época em que o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Tudo isso me influenciou e estimulou o desenvolvimento de meu trabalho, que veio a se encontrar com o ambiente mais amplo da arte contemporânea.”

Sobre a artista
Lenora de Barros (São Paulo, SP, Brasil, 1953) é formada em linguística pela Universidade de São Paulo. Realizou exposições individuais em importantes espaços na cidade, como Paço das Artes, Oficina Cultural Oswald de Andrade (2016); Pivô (2014); no Rio de Janeiro, na Oi Futuro (2010) e Paço Imperial (2006).

Lenora de Barros, Máscaras de mão, 2017 (Divulgação)

Serviço
Exposição: "Pisa na Paúra", de Lenora de Barros.
Datas e horários: Abertura dia 21 de novembro de 2017, terça-feira, das 19h às 22h. Em cartaz entre 22 de novembro e 20 de dezembro de 2017. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h.
Local: Anexo Millan | Rua Fradique Coutinho, 1416 – Vila Madalena, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.