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Pedro Figari: nostalgias africanas

Artistas: Pedro Figari

Curadoria: Mariana Leme e Pablo Thiago Rocca

De 13/12 a 10/2

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 1578

Telefone: 11 3251-5644

MASP apresenta 63 trabalhos de Pedro Figari, intelectual, advogado, escritor e pintor uruguaio lembrado por sua contribuição em reconhecer o legado africano para além do mundo do trabalho, da natureza e do erotismo, como é comum na pintura do modernismo brasileiro. As obras reunidas em "Pedro Figari: nostalgias africanas" - mostra organizada pelo museu paulistano em parceria com o Museo Nacional de Artes Visuales e o Museo Figari, ambos de Montevidéu, e com curadoria de Mariana Leme e Pablo Thiago Rocca - foram divididas em seis conjuntos temáticos onde o público pode ver, entre os dias 14 de dezembro e 10 de fevereiro de 2019, as cenas do passado do seu país através de obras que trazem o sempre incerto olhar da memória. No mesmo dia, o museu abre a exposição "Lucia Laguna: vizinhança" e a videoinstalção "Effects of wording [Efeito e redação] - The Mozambique Archive Series", da portugesa Catarina Simão. A entrada no museu é gratuita às terças-feiras.

Pedro Figari, Nostalgias africanas, sem data. Óleo sobre cartão, 60 x 80 cm. Acervo Museo de Bellas Artes Juan Manuel Blanes, Montevidéu, Uruguai. Foto: Divulgação.

Os dois primeiros conjuntos da mostra são dedicados às festas e danças populares, com destaque para o candombe, importante ritmo afro-uruguaio que é o tema de maior parte das pinturas, a exemplo da tela Candombe, adquirida pelo museu em 2017. É também no primeiro grupo de obras que se encontra aquela que dá nome à exposição, Nostalgias africanas, outra a apresentar uma cena de candombe.

“Se a ideia de nostalgia carrega em si a própria idealização do passado, a distinção entre lembrança e imaginação se torna tão vacilante quanto a pintura”, diz Mariana Leme, curadora da exposição ao lado de Pablo Thiago Rocca, diretor do Museo Figari, que recebe a mostra a partir de março de 2019. “Sobre cartões porosos, as pinceladas rápidas criam uma atmosfera de movimento e sonho; de nostalgia”, como diz o pintor.

De fato, nem o próprio Figari se lembrava ao certo em que medida havia testemunhado as cenas que pintou nos anos 1920 e 1930, quando a população do Uruguai já havia sofrido um intenso processo de perseguição e invisibilidade. Além de fugidia, a memória é criadora — e é, por isso, também ficção. Mas suas obras, mesmo que não sejam documentos de um determinado grupo social, certamente descortinam a complexidade de sua existência.

“Ainda que as cenas que Figari pintou não possam ser consideradas um registro histórico fiel, elas representam o desejo de reconhecer a importância histórica e cultural das populações uruguaias de origem africana em contexto urbanos”, afirma Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP. “A exposição inclui uma profusão de cenas do cotidiano, conferindo dignidade aos afro-uruguaios —há grupos que dançam candombes e bailongos, convivem nos pátios das moradias coletivas ou realizam cerimônias fúnebres tradicionais.”

O terceiro conjunto temático é voltado para as cenas de interior nos conventillos, habitações coletivas que funcionavam como verdadeiros centros de resistência negra, com forte presença em Montevidéu entre o final do século XIX e o começo do século XX.

O quarto e o quinto conjuntos reúnem flagrantes de festas de casamento e cerimônias fúnebres, como na pintura Entierro [Enterro], nesse caso realizado fora do cemitério, simbolizando a segregação social entre brancos e negros também na hora da morte. O sexto e último bloco se volta à nefasta instituição da escravidão, mas também celebra sua abolição, proclamada no Uruguai em 1842 — 46 anos antes do Brasil. Com uma gama muito rica de tons terrosos, Figari representa um grupo de pessoas que festeja o episódio na rua, com lenços vermelhos e um vistoso estandarte, como se compartilhasse com aquelas pessoas a alegria de ter a liberdade assegurada.

As pinceladas soltas —que o levaram a ser comparado aos impressionistas franceses, embora estes tratassem de captar a fugacidade do momento presente e de retratar a classe burguesa— criam uma fluidez e uma imprecisão que passam longe da inconsistência, como lembra Mariana Leme. “Na verdade, tornam-se justamente uma potência, na medida em que o passado jamais pode ser apreendido a partir de uma suposta verdade assertiva e monolítica”, diz a curadora. “Figari não está interessado em detalhar semblantes ou criar uma narrativa bem-acabada, mas articular historicamente o passado, ao resgatar toda a riqueza da população afro-uruguaia, com suas festas e candombes que certamente existiram, e existem.”

Serviço
Exposição: "Pedro Figari: nostalgias africanas", individual de Pedro Figari com curadoria de Mariana Leme e Pablo Thiago Rocca.
Datas e horários: Abertura dia 13 de dezembro de 2018, quinta-feira, às 20h. Em cartaz até dia 10 de fevereiro de 2019. De quarta a domingo, das 10h às 18h (bilheteria até às 17h30; terça-feira, das 10h às 20h (bilheteria até às 19h30).
Local: MASP (segundo subsolo) | Avenida Paulista, 1578 - São Paulo.
Ingressos: R$35 (entrada); R$17 (meia-entrada) - o ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita. O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo. AMIGO MASP tem acesso ilimitado e sem filas todos os dias em que o museu está aberto. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam meia-entrada. Menores de 11 anos de idade não pagam ingresso. O MASP aceita todos os cartões de crédito.