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Pedro Correia de Araújo: Erótica

Artistas: Pedro Correia de Araújo

Curadoria: Fernando Oliva

De 24/8 a 18/11

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 1578

Telefone: 11 3251-5644

A partir do dia 24 de agosto, quinta-feira, o MASP apresenta "Pedro Correia de Araújo: erótica", monográfica que reúne 66 obras do artista pernambucano Pedro Correia de Araújo (Paris, 1881– Rio de Janeiro, 1955), divididas em quatro grandes núcleos representativos de sua produção: nus, danças, retratos e a chamada série Erótica. A exposição assume como mote a sensualidade latente que atravessa suas obras da fase brasileira (1929-1955), ressaltando, porém, a presença do erotismo não apenas nos nus ou na série de desenhos sexualmente mais explícitos, mas também, e especialmente, nas representações de danças brasileiras, como o jongo, e retratos femininos de caboclas, índias, e negras. "Pedro Correia de Araújo: erótica" tem curadoria de Fernando Oliva, curador do MASP, e segue em cartaz até 18 de novembro de 2017.


Pedro Correia de Araújo - Nu feminino (Mulata e São Sebastião), sem data, óleo sobre madeira, 54 x 63 cm. Coleção Juliana Penna Ferreira de Carvalho (Crédito: Jorge Bastos)

Como se evidencia nas obras selecionadas para a mostra, em Correia de Araújo, apesar de sua formação acadêmica, fortemente influenciada pela Escola de Paris, o erotismo não se oculta sob a categoria do “estético” ou “artístico”. Ele é convidado a ocupar o espaço entre uma matriz geométrica, que estrutura a representação, e a camada mais aparente da tela, sua superfície. Isso se observa em trabalhos como Pureza (1938), em que o corpo da mulher se constrói em volumes circulares, quadrados, triangulares ou hexagonais, deixados intencionalmente “à mostra” pelo artista.

Suas figuras se oferecem ao olhar do espectador. Porém não de maneira fácil ou displicente, pois são carregadas de um desejo calculado, revelando seres às vezes frios e distantes, não sem certa melancolia. Apesar de ter pintado muitos nus e prostitutas, o artista nunca foi seduzido pela possibilidade do voyeurismo banal.


Pedro Correia de Araújo- Santa Cruz de Pernambuco, 1932, óleo sobre madeira, 64 x 90 cm. Coleção particular, São Paulo (Crédito: Jorge Bastos)

Suas mulheres são representações de força e segurança, assumindo muitas vezes dimensões monumentais, como é o caso de Zélia (1948). Segundo o curador da mostra, Fernando Oliva, “o erotismo de Pedro Correia de Araújo é racional, ‘matemático’. Não se resume a uma mera tentativa de expressão pessoal, algo que o artista desprezava, mas integra um plano, um programa, consciente das leis da geometria, mas sem se submeter totalmente a elas – o que talvez tenha sido o motivo para que não fosse aceito pelos acadêmicos mais ortodoxos no Brasil. Em seus textos e entrevistas, ele costumava reproduzir o conhecido lema de Georges Braque: Amo a regra: ela refreia a emoção”.

Parte essencial deste projeto é o lançamento de um extenso catálogo, com reproduções de todas as obras em exibição, documentos raros e fotografias de época, além de ensaios inéditos do curador e de críticos especialmente convidados a produzir novas reflexões sobre um artista até então marginalizado pela história da arte oficial. Esse livro, com organização editorial de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, traz textos de Stella Teixeira de Barros, Jacques Leenhardt, Fábio D’Almeida e Fernando Oliva. 


Pedro Correia de Araújo- Jongo, sem data, óleo sobre tela, 120 x 142 cm. Coleção particular (Crédito: Jorge Bastos)

O projeto de pesquisa conduzido pelo MASP é um passo inicial na fundamental revisão da obra de Correia de Araújo, a fim de que outras instituições, curadores e pesquisadores possam dar continuidade ao necessário resgate de sua produção, tanto pictórica quanto ensaística.

Serviço
Exposição: "Pedro Correia de Araújo: erótica", individual com curadoria de Fernando Oliva.
Datas e horários: Abertura dia 24 de agosto, quinta-feira, às 20h. Em cartaz até 18 de novembro de 2017. De terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).
Local: MASP | Av. Paulista, 1578 - Bela Vista, São Paulo.
Ingressos: R$30,00 (entrada); R$15,00 (meia-entrada). O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$15,00 (meia-entrada). Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.