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Paul Klee – Equilíbrio Instável

Artistas: Paul Klee

Curadoria: Fabienne Eggelhöfer

De 13/2 a 29/4

Centro Cultural Banco do Brasil Ver mapa

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro

Telefone: (11) 3113-3651

Centro Cultural Banco do Brasil reúne pela primeira vez na América Latina mais de 100 obras do suíço Paul Klee (1879-1940), que marcou a história do modernismo nas artes plásticas no início do século XX. Preparada especialmente para o público brasileiro, a exposição “Paul Klee – Equilíbrio Instável" conta com 16 pinturas, 39 papéis, 5 gravuras, 5 fantoches e 58 desenhos, além de objetos pessoais do artista. Klee transitou por diversos estilos, como o Cubismo, o Expressionismo, o Construtivismo e o Surrealismo, mas não cabe atribuir ao seu legado artístico nenhum em particular, tendo alcançado uma notável expressão pictórica própria, que reforçou seu papel central na história moderna da arte. Em cartaz entre os dias 13 de fevereiro e 29 de abril de 2019, a mostra tem curadoria de Fabienne Eggelhöfer, do Zentrum Paul Klee, de Berna, na Suíça - e entrada livre e gratuita!

Paul Klee, Rot-Aug 1939, 129 - Red Eye [Olho vermelho]. Aquarela sobre papel revestido sobre cartão, 26,8 x 42,1 cm. Acervo Zentrum Paul Klee, Berna.

A exposição reúne obras do acervo do Zentrum Paul Klee de Berna, cujo prédio é desenhado pelo renomado arquiteto italiano Renzo Piano. A instituição é responsável por zelar pelo trabalho de Klee e reúne mais de 4 mil obras produzidas pelo artista. Berna foi a cidade onde Paul Klee nasceu, viveu sua infância e para onde retornou em 1933, depois de um período em Munique, na Alemanha.

Independência de estilo
Pinturas, papéis, gravuras, desenhos e objetos pessoais de Klee percorrem a trajetória de um artista e pensador da arte que desenvolveu, ao longo de sua vida, um estilo próprio. “Paul Klee é um artista ao qual não podemos atribuir simplesmente um determinado estilo. ‘Eu sou meu estilo’, registrou ele de modo autoconfiante em seu diário, em 1902. A observação não estava errada”, explica a curadora Fabienne Eggelhöfer. “Paul Klee é uma das personalidades mais importantes da arte do século XX. Embora estivesse em contato com movimentos artísticos como o expressionismo, o cubismo, o dadaísmo e o surrealismo, ele sempre permaneceu independente. Sua arte é única e aberta a diversas interpretações. Ele foi um bom exemplo para as gerações de artistas que o sucederam, já que não propunha um estilo único e definitivo”, completa.

Filho de um professor de música alemão e, ele próprio, um grande conhecedor dessa arte, Klee optou pelas artes plásticas ao terminar seus estudos no ensino médio em Berna, e buscou um grande centro de formação. Dirigiu-se, então, a Munique. Sua inscrição na academia, porém, não foi aceita, visto que à época se dava muito valor aos conhecimentos de anatomia humana e sua representação acadêmica. Acabou por estudar na escola particular de desenho de Heinrich Knirr, onde pretendia aprimorar o desenho figurativo, visando à realização de nova prova de ingresso na academia.

Sua visão de arte, no entanto, não lhe permitiu trilhar esse caminho, apesar de ter frequentado posteriormente o curso de Franz von Stuck, o “príncipe dos pintores”. Em 1901, após uma viagem à Itália, no fim de sua formação, concluiu que vivíamos, na virada do século XIX para o XX, um “tempo epigônico”, em que se valorizava em demasia a produção da Antiguidade e do Renascimento e em que a reprodução de modelos clássicos tinha mais valor do que a criação.

Paul Klee, Büste eines Kindes, 1933, 380 - Bust of a Child [Busto de uma criança]. Aquarela sobre algodão sobre compensado; moldura original, 50,8 x 50,8 cm. Acervo Zentrum Paul Klee, Berna.

Equilíbrio como articulação
Ao longo de sua trajetória, Klee se associou às correntes modernistas. A angústia do homem moderno nos traços fortes e coloridos do expressionismo; a valorização das formas geométricas e do descompromisso com a figuração do cubismo; a importância da composição inspirada pelo construtivismo. O caminho rumo à abstração e ao inconsciente do surrealismo ganham, nos trabalhos de Klee, uma assinatura muito pessoal.

Klee buscava expressar em suas obras a primazia do processo. Isso significava, por exemplo, um apreço pelo movimento como precondição básica para a configuração. As formas elementares do triângulo, do círculo e do quadrado surgem, em seus trabalhos, articuladas não só à ideia de movimento, mas também à de um equilíbrio necessariamente tenso. Também acreditava que o artista deveria buscar inspiração na natureza, mas de forma econômica em seus traços e composições: “Queremos dizer mais do que a natureza, mas cometemos o erro inadmissível de dizer com mais meios do que ela, em vez de menos”, escreveu ele em 1908.

Em 1924, numa palestra em Jena, na Alemanha, afirmou, como já o fizera antes, que no seu caso o processo artístico começava sem qualquer intenção de representação. “Nos primeiros estágios do trabalho, ele dizia seguir apenas critérios puramente pictóricos ao juntar linha e cor numa forma que gradualmente se configurava”, explica Fabienne Eggelhöfer. Entretanto, completa a curadora, “nada o impedia de aceitar uma associação que lentamente se impusesse e de integrá-la à obra”.

Paul Klee, ein Antlitz auch des Leibes, 1939, 1119 - A Face of the Body, Too [Um rosto também do corpo]. Cola colorida e óleo sobre papel sobre cartão, 31 x 23,5 cm. Acervo Zentrum Paul Klee, Berna, doação de Livia Klee.

Pensador da arte
Klee combinou a sua prática de contestar a pintura tradicional à reflexão sobre a arte pictórica nos anos em que foi professor na Bauhaus, escola vanguardista que tinha por objetivo eliminar a separação entre as disciplinas artísticas. Lá, foi colega do pintor russo Wassily Kandinsky (1866-1944), entre outros.

As características dos trabalhos de Paul Klee incomodaram o ascendente regime nazista alemão, e ele foi considerado autor de “obras degeneradas”. Os ataques nazistas o obrigaram a refugiar-se, com a esposa Lily Stumpf, na Suíça, depois de ser sumariamente dispensado da Academia de Artes de Düsseldorf, onde, entre 1931 e 1933, desenvolveu trabalhos com um novo tipo de pontilhismo. Já em Berna, em 1937, encontrou-se, provavelmente pela última vez, com Pablo Picasso (1881-1973), cuja obra cubista inspirou Klee a desenvolver, de forma crítica, sua própria produção. O período que viveu em Berna até a sua morte, em 1940, foi um dos mais importantes no desenvolvimento de suas obras.

Um dos atrativos da exposição brasileira é o conjunto de cinco dos fantoches produzidos por Klee para seu filho Felix, entre 1915 e 1925. O artista criava as cabeças e as roupas a partir de restos de tecidos velhos e materiais simples que ele encontrava em casa, como carretéis de linha, tomadas ou ossos de boi fervidos. Segundo a curadora da exposição, “Klee nunca manipulava os bonecos, deixando a brincadeira inteiramente para o seu filho, que entretinha a família e os amigos com seu talento cômico”.

Paul Klee, Harmonie der nördlichen Flora, 1927, 144 - Harmony of the Northern Flora [Harmonia da flora setentrional]. Óleo sobre cartão revestido sobre compensado; moldura original, 41x 66/66,5 cm. Acervo Zentrum Paul Klee, Berna, doação de Livia Klee.

O futuro visto de costas
O visitante da exposição no Brasil também poderá apreciar um núcleo que reúne um facsímile de Angelus Novus e mais 15 desenhos dedicados a essa temática, retratada em texto pelo filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940) e que se tornou referência para pensar a trajetória humana. "Paul Klee - Equilibro Instável" abrange todo o período da vida artística de Klee, apresentando obras raras e pouco conhecidas – uma produção que se inicia ainda em sua juventude, no final do século XIX. É, portanto, uma exposição fundamental sobre o artista para aqueles que apreciam a sua obra e a história da arte.

O aspecto formador da mostra poderá ser experimentado nas propostas que serão desenvolvidas pela ação educativa do CCBB, com conteúdos acessíveis e diversificados para cada faixa etária. “Trata-se de uma oportunidade singular de apresentar ao público brasileiro um conjunto das mais criativas e inspiradoras obras de arte do século XX. Essa iniciativa reforça o compromisso do Banco do Brasil com a democratização do acesso à cultura e a formação de público para as artes”, afirma Alexandre Alves, diretor de Marketing do Banco do Brasil.

Paul Klee, Frau in Tracht, 1940, 254 - Woman in Traditional Costume [Mulher com roupa típica]. Cola colorida sobre papel sobre cartão, 48 x 31,3 cm. Acervo Zentrum Paul Klee, Berna.

Serviço
Exposição: "Paul Klee - Equilíbrio Instável", individual de Paul Klee com curadoria de Fabienne Eggelhöfer.
Datas e horários: Abertura dia 13 de fevereiro, quarta-feira. Em cartaz até 29 de abril de 2019. De quarta a segunda-feira, das 9h às 21h.
Local: CCBB-SP | Rua Álvares Penteado, 112 - Centro, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.
Estacionamento conveniado: Estapar Rua Santo Amaro, 272. Traslado gratuito até o CCBB (no trajeto de volta, a van tem parada na estação República do Metrô). R$ 15 pelo período de 5 horas. É necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB.
A exposição acontece também no Rio de Janeiro (15 de maio a 12 de agosto) e em Belo Horizonte (28 de agosto a 18 de novembro).