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Marc Ferrez: território e imagem

Artistas: Marc Ferrez

Curadoria: Sergio Burgi

De 26/3 a 21/7

Instituto Moreira Salles Paulista Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 2424 - São Paulo, SP

Telefone: (11) 2842-9120

No dia 26 de março de 2019, às 18h, o IMS Paulista apresenta a exposição "Marc Ferrez: território e imagem", que conta com curadoria de Sergio Burgi, coordenador da área de Fotografia do IMS. A mostra exibe um panorama da extensa produção de Marc Ferrez (1843-1923), um dos principais fotógrafos brasileiros do século XIX, cuja obra integra o acervo do instituto. Estarão reunidos mais de 300 itens na mostra retrospectiva, entre fotografias, álbuns originais, câmeras, equipamentos e documentos. Na abertura (26/3), às 18h30, o curador realizará uma visita guiada pela mostra, que permanece em cartaz até 21 de julho de 2019. Também será lançado o livro Marc Ferrez, uma cronologia da vida e da obra, de Ileana Pradilla Ceron, responsável pelo Núcleo de Pesquisa em Fotografia do IMS. A mostra contará ainda com uma extensa programação paralela. A entrada na exposição é livre e gratuita.

Marc Ferrez, Escravos em terreiro de uma fazenda de café na região do Vale do Paraíba, Vale do Paraíba, c. 1882. Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles.

A exposição evidencia as múltiplas facetas da carreira de Ferrez, da sua atuação como fotógrafo oficial em projetos do Império à sua proximidade com a ciência e a engenharia, além da sua presença no ramo empresarial, especialmente na comercialização de equipamentos fotográficos e cinematográficos. A mostra abrange o período de 1867, início de sua carreira, até 1922, um ano antes de seu falecimento. Segundo o curador, o legado do fotógrafo “constitui, portanto, uma plataforma única e singular para a compreensão do país e de sua representação, das últimas décadas do Império às primeiras da República”.

Na primeira sala, está o trabalho inicial de Ferrez, a partir de 1867, quando ele inaugura seu estúdio no Rio de Janeiro. São paisagens de várias localidades, sobretudo da cidade carioca. Aqui, evidencia-se o diálogo de Ferrez com seus contemporâneos, como os fotógrafos Revert Henrique Klumb e Augusto Stahl. Muitas das imagens apresentadas nessa sala são raras, já que, em 1873, um incêndio destruiu o ateliê de Ferrez, restando poucos materiais desse período.

Marc Ferrez, Panorama Parcial do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, c. 1885. Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles.

Em seguida, a exposição apresenta o seu trabalho como fotógrafo oficial da Comissão Geológica do Império do Brasil. Estabelecida em 1875, a comissão foi criada com o objetivo de realizar um levantamento geológico sistemático de todo o território brasileiro. Junto à comissão, Ferrez percorreu o país de Norte a Sul, entre 1875 e 1878, tornando-se o primeiro fotógrafo a documentar extensivamente as diversas regiões do Brasil.

Serão exibidos dois álbuns originais da Comissão Geológica, com fotos de Ferrez que ilustram a primeira expedição realizada pelo grupo. Apresentados pela primeira vez no Brasil, os álbuns pertencem à coleção do Getty Museum de Los Angeles. A seleção inclui ainda imagens feitas pelo fotógrafo em outras viagens da comissão e que integram o acervo do IMS. É o caso, por exemplo, dos famosos registros dos índios botocudos, produzidos no sul da Bahia. Suas fotografias, apresentadas na época em exposições nacionais e internacionais, como a "Exposição Universal de Filadélfia", em 1876, e em apresentações públicas por meio de projeções, já revelam um elevado grau de maturidade técnica e formal de sua obra.

Marc Ferrez, Negra da Bahia e índia Botocudo, Bahia, c. 1876. Acervo Instituto Moreira Salles.

Também estão presentes registros de obras públicas, como a construção e modernização das ferrovias, associadas diretamente à expansão da economia brasileira na segunda metade do século XIX, em especial da produção cafeeira. Na exposição, haverá imagens que mostram a modernização da estrada de ferro da São Paulo Railway Company, que ligava Santos a Jundiaí, e imagens da construção da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, considerada a mais ousada obra de engenharia do país na época, entre outras.

Ferrez documentou também o trabalho escravo nas fazendas de café do vale do Paraíba. As fotografias, destinadas a apresentar o país e seu principal produto econômico em exposições e feiras internacionais, buscavam apresentar um sistema de aparente produtividade e eficiência, mas que também revelam, entretanto, a realidade de homens, mulheres e crianças escravizados e submetidos a um sistema brutal e anacrônico, que se arrastaria até o final da década de 1880.

Marc Ferrez, Carro de bois, Minas Gerais, c. 1885. Acervo Instituto Moreira Salles.

O crescimento urbano do período e as grandes obras de engenharia também serão exibidos, como os registros das obras de abastecimento de água realizadas na capital do império na década de 1880 e a documentação da construção da avenida Central, atual Rio Branco, entre 1903 e 1906. Este foi o último grande projeto fotográfico realizado por Ferrez, que resultou na publicação do monumental Álbum da avenida Central, impresso em colotipia e zincografia, processos fotomecânicos utilizados por Ferrez para difundir boa parte de sua obra em imagens impressas. O álbum também estará presente na mostra.

Os diversos trabalhos comissionados realizados pelo fotógrafo o colocaram em associação direta com as principais inovações tecnológicas e científicas de seu tempo. Além das grandes obras de engenharia, ele colaborou diretamente com cientistas de diversos campos do saber, como os diretores do Observatório Nacional no Rio de Janeiro, em projetos ligados à aplicação da fotografia na astronomia.

Marc Ferrez, Palácio do Governo, São Paulo, c. 1892. Acervo Instituto Moreira Salles.

Proprietário de um negócio comercial que demandava constante atualização técnica, Ferrez também soube reinventar suas práticas. A partir de 1907, em sociedade com seus filhos, e já com quase 65 anos, abriu uma nova firma, dedicada à distribuição e à comercialização de equipamentos, material e filmes para cinema. Tornou-se também proprietário do terceiro cinema fixo do Rio de Janeiro, o Cine Pathé, e em pouco tempo teria participação na difusão do cinema Brasil afora.

Trechos do primeiro filme exibido na inauguração do Cine Pathé, em 1907, serão mostrados na exposição. A mostra também trará lanternas mágicas, projetores de imagens fixas, utilizados na época nas sessões de cinema para ampliar o conteúdo oferecido ao público.

Marc Ferrez, Ponte do Silvestre, Rio de Janeiro, c. 1895. Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles.

A exposição reúne também fotografias coloridas, produzidas a partir da técnica do autocromo. Inéditas, as imagens foram realizadas durante seus últimos anos de vida, no Brasil e na Europa. São registros pessoais, de viagens e visitas a amigos, que mostram um viés mais intimista do fotógrafo. Na época, não era possível imprimir essas fotos, apenas projetá-las ou visualizá-las em aparelhos específicos. Na mostra, as imagens serão vistas da mesma maneira. Na última sala, o público também encontrará uma cronologia da carreira do fotógrafo, baseada na pesquisa de Ileana Pradilla Ceron.

Segundo o curador da mostra, a carreira de Ferrez acompanha as principais transformações no campo da imagem no período. “A partir das primeiras décadas do século XX, como mostra a própria trajetória de Marc Ferrez, o território da imagem se transforma radicalmente, com a fotografia tradicional do século XIX passando a conviver com a circulação intensiva de imagens impressas, imagens em movimento e imagens produzidas por milhares de amadores. Inicia-se, assim, o século da comunicação visual de massa, baseado na circulação intensiva da imagem fotográfica e cinematográfica, profissional e amadora, que somente foi possível devido aos avanços tecnológicos originados na intersecção da ciência e da indústria, somados à intensa atividade de comercialização de processos e produtos, que, no Brasil, tiveram em Marc Ferrez seu principal ator e agente.”

A exposição reitera, assim, a amplitude da obra do fotógrafo, marcada por sua constante experimentação e pela busca por novos formatos e campos de atuação. Uma trajetória de mais de 50 anos em um período de profundas transformações no campo da imagem, da tecnologia e da própria estrutura política, econômica e social do país.

Marc Ferrez, Ponte em Santos, São Paulo Railway, São Paulo, c. 1880. Acervo Instituto Moreira Salles.

Programação paralela
No dia 4 de maio, às 11h, será lançado o catálogo da mostra, com textos de Sergio Burgi, Tadeu Chiarelli, Francisco Foot Hardman, Christina Barbosa e Ileana Padilla Ceron. Na ocasião, haverá um debate com os colaboradores da publicação. Ao longo do mês de maio, o IMS Paulista também oferecerá um curso sobre o fotógrafo. A programação ainda incluirá mais atividades, que serão divulgadas ao longo das próximas semanas.

Sobre Marc Ferrez
Um dos principais fotógrafos brasileiros do século XIX, dono de uma obra que se equipara à dos grandes nomes da fotografia em todo o mundo, é o mais significativo autor do período no acervo do IMS. Preservados por seu neto, o pesquisador Gilberto Ferrez, os negativos de vidro e as tiragens produzidas pelo próprio fotógrafo compõem a maior parte da Coleção Gilberto Ferrez, composta por mais de 15 mil imagens e adquirida pelo IMS em maio de 1998.

Marc Ferrez, Charles F. Hartt, com a cidade do Recife ao fundo, durante levantamento da Comissão Geológica do Império, Recife – PE, 1875. Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles.

Serviço
Exposição: "Marc Ferrez: território e imagem", com curadoria de Sergio Burgi.
Datas e horários: Abertura dia 26 de março, terça-feira, às 18h. Em cartaz até 21 de julho de 2019. De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 10h às 20h. Às quintas-feiras, até as 22h. No dia da abertura (26/3) o horário de visitação das galerias do IMS Paulista será estendido até as 22h.
Local: IMS Paulista (Galerias 1) | Avenida Paulista, 2424 - São Paulo.
Entrada livre e gratuita.

Visita guiada com Sergio Burgi
Data: 26 de março, às 18h30.
Entrada gratuita, lugares limitados.

Debate de lançamento do catálogo da mostra
Data: 4 de maio, às 11h, no Cineteatro.
Entrada gratuita, com distribuição de senhas 1 hora antes e limite de 1 senha por pessoa.

Curso Marc Ferrez, a fotografia e o Brasil em transformação do século XIX
Datas: 8, 15, 22 e 29 de maio, das 19h às 21h.
Valores: 4 aulas, R$ 200,00 (inteira) e R$ 100,00 (meia)
Inscrições através do site Eventbrite.