AGENDA DAS ARTES

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Máquina Tadeusz Kantor

Artistas: Tadeusz Kantor

Curadoria: Jarosław Suchan, Ricardo Muniz Fernandes e Sebastião Milaré

De 19/8 a 14/11

SESC Consolação Ver mapa

Endereço: Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque

Telefone: (11) 3234-3000

Entre os dias 19 de agosto e 14 de novembro de 2015, no SESC Consolação, acontece a exposição “Máquina Tadeusz Kantor: teatro + happenings + performances + pintura + outros modos de produção”, a maior apresentação do acervo de Tadeusz Kantor no estrangeiro, que será exibida em comemoração ao centenário do nascimento do artista. Kantor nasceu na Polônia, em 1915, e tornou-se bastante conhecido por atuar na pintura, desenho, escultura, objeto, assemblage, embalagem, cenografia, encenação, happening e performance, com o objetivo de expressar os duros tempos que viveu na segunda metade do Século XX.

A exposição é uma realização do Serviço Social do Comércio São Paulo (SESC) e co-realização do Muzeum Sztuki, do Culture.pl, a marca mais emblemática do Instituto Adam Mickiewicz, e do Muzeum Sztuki e apoio da Casa da Cultura da Polônia (Casa Sanguszko). A curadoria é do polonês Jarosław Suchan, historiador da arte e diretor do Muzeum Sztuki em Łódź, e dos brasileiros Ricardo Muniz Fernandes, sociólogo, editor e produtor de eventos culturais, e Sebastião Milaré (in memorian).

Com um espaço total de 1930 m², a mostra contará com 130 objetos, além de vídeos e cartazes, e ocupará a área de convivência e uma construção de dois níveis no Ginásio Vermelho, no segundo andar. E contará com uma programação paralela com espetáculos, debates e encontros.

Sobre a exposição
A mostra começará na área de convivência, com a Máquina de Aniquilamento, que, na opinião dos curadores, constitui uma metáfora da obra de Kantor. O espaço seguinte será preenchido pelos materiais documentários relacionados com a criação e a vida de Kantor, bem como com depoimentos de diretores, atores e críticos sobre a importância da obra do artista polonês. A comedoria, por sua vez, será transformada numa interpretação do Café Europa, um espaço imaginado por Kantor para o entrecruzamento de tempos, onde se reuniriam artistas e pensadores de épocas distintas. Lá, os visitantes poderão tomar seus cafés e consultar diversas obras, tanto sobre Kantor quanto sobre autores a ele relacionados.

No ginásio serão apresentados tanto os objetos cênicos originais de algumas peças de Kantor, quanto reconstruções fiéis destes, além de pinturas a óleo, aquarelas, guaches, desenhos e collages do artista multifacetado, bem como uma rica documentação fotográfica e cinematográfica. Nesse espaço, os visitantes poderão encontrar, entre outras coisas, a cadeira do espetáculo Que morram os artistas!, de 1985, o bengaleiro de Dainty Shapes and Hairy Apes (ou "Nadobnisie i koczkodany" em polonês) [Formas delicadas e macacos peludos], de 1973, reconstruções dos elfos e da Goplana da peça “Balladyna”, apresentada em 1943. Algumas dessas obras serão acompanhadas de filmes das performances das quais fizeram parte, como aquele realizados por Dietrich Mahlow, Kantor ist da [Kantor aqui], de 1969, a partir da performance Die Grosse Emballage [A grande embalagem]. As obras selecionadas para a exposição estabelecem um diálogo profundo e historiosófico com a vida de Kantor e sua época, assombrada pelos horrores da guerra.

O evento abre o programa de intercâmbio cultural entre a Polônia e  o Brasil. Os objetos provêm, na maioria dos casos, da coleção da Cricoteka, em Cracóvia, do Muzeum Sztuki de Łódź, dos Museus Nacionais de Cracóvia, Varsóvia, Poznań e Wrocław, dos Museus Regionais de Koszalin e Tarnów e de coleções privadas.

Danilo Santos Miranda, Diretor Regional do SESC São Paulo, lembra que “o Sesc terá o privilégio de fazer, pela segunda vez, uma programação exclusiva sobre Kantor, mas dessa vez com parcerias inéditas, com Culture.pl e o Muzseum Sztuki”, pois, segundo ele, a “Polônia aposta muito em uma grande projeção de Kantor no Brasil por ser recorrentemente uma das maiores influências dos pesquisadores das artes cênicas do país”.

Conforme escreve o curador brasileiro Ricardo Muniz Fernandes, “a exposição não é uma retrospetiva, mas um mecanismo em funcionamento; não é uma simples apresentação das obras, mas está ligada com a reinvenção do que é vivo e vivido por Kantor e sua época. É um espaço em processo. ‘Máquina Kantor’ é constituída por várias máquinas interligadas com outra multidão de máquinas — os espectadores —, num fluxo interligado e contínuo”.

As salas que compõe a mostra são, de acordo com o curador polonês Jarosław Suchan, "os capítulos que mostram sucessivas realizações da MÁQUINA-KANTOR, introduzidas no ritmo dos manifestos enunciados por Kantor".

O arranjo labiríntico da exposição é organizado de acordo com os manifestos de Kantor: Realidade Potencializada, Teatro Informal Zero, Embalagem, Teatro de Acontecimento, Teatro Impossível e Teatro da Morte. O objetivo é apresentar o trabalho de Kantor de modo a instigar a reflexão do espectador, seja sobre estética, seja sobre história – afinal, é daí que Kantor parte, principalmente daquela “realidade do nível mais baixo”, uma realidade cotidiana, uma realidade menor.

Sobre o artista 
O polonês Tadeusz Kantor (1915-1990) é um artista multimidiático que atuou nas áreas da pintura, desenho, escultura, objeto, assemblage, cenografia, encenação, happening e performance. Através delas, ele manifesta sua visão de mundo, permeada pelo espanto dos duros tempos que viveu na Polônia até a segunda metade do século vinte. A começar pelos mortos da Primeira Guerra, depois pela ocupação nazista e o holocausto, e finalmente, o rigor do regime comunista. Suas obras partem de memórias pessoais ­— num mergulho cada vez mais profundo — e de evocações de fatos do cotidiano para amplificar e recriar a realidade.

Kantor recebeu muitas influências do ambiente artístico europeu, desde quando estudava na Academia de Belas Artes de Cracóvia(1934/39). Dentre elas, se destaca a influência de Gordon Craig, através do conceito da supermarionete que não se restringe ao teatro. Podemos citar ainda o conceito ready-made de Marcel Duchamp, que levou Kantor a ver o objeto comum como “registro do mundo”, guardião da memória e anunciador da morte.

Quando recebeu o Prêmio Rembrandt da Fundação Goethe, Kantor declarou: “... meu trabalho é e era a fascinação pela realidade que denominei realidade do nível mais baixo. É ela que explica meus quadros, minhas embalagens, meus objetos pobres e também meus personagens pobres, os quais, como vários filhos pródigos, retornam na miséria a suas casas natais”.

Danilo Santos de Miranda avalia que Tadeusz “Kantor resumiu, em silêncio poético, parte do século xx em pílulas revolucionárias de teatro. É um dos artistas poloneses mais influentes do teatro dos séculos xx e xxi porque sempre pensou no teatro como clandestino às amarras do status quo. Tendo experimentado as maiores atrocidades contra o ser humano ao longo da primeira metade do século passado, foi natural que suas obras fossem inextrincavelmente políticas, pensando sobre seu tempo e produzindo de maneira profunda um teatro longe da condição burocrática. Seu método se construiu como encontro de pessoas, atores e não atores, se instalando em um lugar onde tudo era concebido ritualístico que catártico, a famosa Cricoteca”.

The Return of Odysseus (1944), reconstrução do palco utilizado em 1980. Tadeusz Kantor / ® Maria Kantor & Dorota Krakowska

The Shot Put, objeto teatral de 'Shall Never Return' (1988). Tadeusz Kantor / ® Maria Kantor & Dorota Krakowsk

serviço
Exposição: "Máquina Tadeusz Kantor: teatro + happenings + performances + pintura + outros modos de produção", de Tadeusz Kantor com curadoria de Jaroslaw Suchan.
Datas e horários: De 19 de agosto a 14 de novembro de 2015 (dia 18 de agosto abertura para convidados, às 20h). De segunda à sexta, das 11h30 às 21h30; sábados e feriados, das 10h às 18h30.
Local: Sesc Consolação | Rua Dr. Vila Nova, 245 - Consolação.
Entrada franca.

Imagem de capa: Que Revienten los artistas, de Tadeusz Kantor / Foto: Carlos Furman