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Julio Le Parc: da Forma à Ação

Artistas: Julio Le Parc

Curadoria: Estrellita B. Brodsky

De 25/11 a 25/2

Instituto Tomie Ohtake Ver mapa

Endereço: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 - Pinheiros - São Paulo - SP CEP 01451-001

Telefone: (11) 2245-1900

O Instituto Tomie Ohtake traz, adaptada para seu espaço, a grande retrospectiva de Julio Le Parc, realizada em 2016 no Pérez Art Museum Miami (PAMM). Com a mesma curadoria de Estrellita B. Brodsky e consultoria artística de Yamil Le Parc, a mostra em São Paulo apresenta mais de 100 obras que trazem uma centelha de experiências físicas e visuais. Ao incluir as principais instalações e trabalhos raramente vistos em papel e materiais de arquivo, "Julio Le Parc: da Forma à Ação" é uma exploração da figura central de Le Parc na história da arte do século 20. A mostra permanece em cartaz entre os dias 25 de novembro e 25 de fevereiro de 2018, com entrada gratuita.

Julio Le Parc, Alchimie 218, 1996 (Divulgação)

"As investigações de Julio Le Parc sobre as maneiras de engajar e empoderar o público redefiniram e reinterpretaram a experiência arte”, afirma a curadora Estrellita B. Brodsky. “Movido por um sólido ethos utópico, Le Parc continua a olhar a arte como um laboratório social, capaz de produzir situações imprevisíveis e de ludicamente engajar o espectador de novas maneiras. Seu posicionamento radical continua cada vez mais relevante após seis décadas”.

Logo após mudar-se para Paris, o artista argentino tornou-se, em 1960, membro fundador do coletivo de artistas Grupo de Pesquisa de Artes Visuais (GRAV). Ao enfatizar o poder social de objetos e situações de arte não mediados e desorientadores, Le Parc buscou limpar as estruturas e sistemas que separam espectador de obra. Sua inovação no campo da luz, movimento e percepção foi central para os movimentos da arte cinética e ótica da época, enquanto suas teorias de imediatismo e espectadorismo como veículo de mudança social e política, continuaram a integrar a vanguarda parisiense de 1960 adiante.

Julio Le Parc, Série 38 n°1, 1970 (Divulgação)

Esse espírito da arte como ímpeto para empoderamento social move-se pela mostra em três secções temáticas. A primeira, Da superfície ao objeto, reúne trabalhos iniciais em papel e pinturas que mostram o uso de cor como meio de desestabilizar a superfície bidimensional. Estão expostas obras de 1958, com estudos do bidimensional com tinta e guache em papel, assim como pinturas de 1959 até hoje. Também consta nesse segmento, o monumental A Longa Marcha, um grupo de 10 pinturas vibrantes que flutuam ao redor de uma parede arredondada.

Em Deslocamento; Contorções; Relevos estão os revolucionários labirintos-instalação de Le Parc, exibidos pela primeira vez como parte da participação da GRAV na Bienal de Paris de 1963, as caixas de luz e obras de contorção. A sequência de três cômodos imbuídos de luz oferece aos espectadores uma experiência sensorial poderosamente desorientadora.

Julio Le Parc, Continuel-lumière avec 49 Cylindres vitesse rapide (Divulgação)

Por fim, Jogo & Política de participação dissolve os muros físicos e ideológicos que separam espectador, obra de arte e instituição. Precursor do movimento de estética relacional, esse período da carreira de Le Parc considera como a arte pode encorajar uma nova consciência sobre o espaço social do indivíduo.

“Acredito que a exposição de Julio Le Parc despertará o mesmo interesse e encantamento do público causado pela mostra de Yayoi Kusama, que realizamos em 2014, por também provocar singular experiência sensorial aos espectadores”, diz Ricardo Ohtake, presidente do Instituto Tomie Ohtake.

O trabalho desenvolvido pela curadora Estrellita B. Brodsky é uma pesquisa retrospectiva da abrangente prática de Le Parc e uma análise de seu impacto tanto em seus contemporâneos na América Latina quanto na Europa vanguardista do pós-Guerra e subsequentes gerações de artistas. Apesar do âmbito histórico, a exposição conversa com força com o presente, demandando presença física e perceptiva do público. "Julio Le Parc: da Forma à Ação" apresenta o artista à nova geração, permitindo que cada visitante reaja de forma direta e pessoalmente ao trabalho.

Julio Le Parc, Image en vibration Autoportrait, 1981 (Divulgação)

Sobre o artista
Nascido em 1928 em Mendoza, Argentina, Julio Le Parc frequentou a Escuela de Bellas Artes in Buenos Aires, em 1943. Imigrou para Paris em 1958, onde participou do Grupo de Pesquisa de Artes Visuais (GRAV). Representando a Argentina na Bienal de Veneza de 1966, Le Parc ganhou o Grand International Prize for Painting como artista individual. Apesar da dissolução do coletivo GRAV em 1968, Le Parc continuou a trabalhar simultaneamente como artista individual e como parte de coletivos internacionais, particularmente os envolvidos em denunciar regimes políticos totalitários. Sua participação em diversas manifestações sindicais em maio de 1968, fez com que ele fosse expulso do país por um ano.

No seu retorno, Le Parc tornou-se um importante canal entre os ativistas latino-americanos e a cena artística de Paris, mais especificamente por meio da publicação parisiense ROBHO, para a qual cobria os eventos do coletivo Tucumán Arde, na Argentina.

Os trabalhos de Le Parc têm sido assunto de diversas exposições na Europa e América Latina, incluindo o Instituto di Tella (Buenos Aires), Museo de Arte Moderno (Caracas), Palacio de Bellas Artes (Mexico), Casa de las Americas (Havana), Moderna Museet (Stockholm), Daros (Zürich), Städtische Kunsthalle (Düsseldorf) e mais recentemente no Palácio de Tóquio, em Paris.

Julio Le Parc, Cellule avec miroirs courbes et lumière en mouvement, 1963-2005 (Divulgação)

Serviço
Exposição: "Julio Le Parc: da Forma à Ação", de Julio Le Parc
Datas e horários: Abertura dia 25 de novembro de 2017, das 13h às 18h. Em cartaz até 25 de fevereiro de 2018. De terça a domingo, das 11h às 20h.
Local: Instituto Tomie Ohtake | Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros, São Paulo (metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela)
Entrada livre e gratuita.