AGENDA DAS ARTES

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Jardins do Tempo

Artistas: Pazé

Curadoria: Magnólia Costa

De 17/8 a 28/10

Centro Cultural Banco do Brasil Ver mapa

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro

Telefone: (11) 3113-3651

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) recebe a partir do dia 17 de agosto de 2019 a exposição "Jardins do Tempo", do artista visual Pazé. Em síntese, a mostra apresenta ao público um projeto que prevê transformar 1,3 milhões de m² da área ocupada por quatro cemitérios da capital paulista em parques abertos para toda a população, com lagos e cultivo de espécies da flora brasileira. Com curadoria de Magnólia Costa, a mostra que ocupa o subsolo do CCBB SP permanece em cartaz até 28 de outubro de 2019. A entrada é livre e gratuita.

Viveiro de Plantas que integra um dos projetos desenvolvidos por Pazé. Imagem: Divulgação. 

A mostra, composta por múltiplas linguagens, reúne 110 trabalhos inéditos a partir de desenhos a lápis, croquis, nanquim, aquarelas, plantas e desenhos arquitetônicos, fotografias, além de um vídeo com cerca de 20 minutos duração, com imagens em 3D, em que os visitantes poderão ter uma ideia bem detalhada das propostas do projeto. 

A exposição é o resultado de oito anos de trabalho, após uma densa pesquisa estética realizada por Pazé, que teve como objeto quatro cemitérios paulistanos: Araçá, Vila Nova Cachoeirinha, Vila Formosa e São Pedro (Vila Alpina), com áreas somadas equivalentes a 120 quadras e superior à do Parque do Ibirapuera.

Cemitério da Vila Formosa atualmente. Imagem: Divulgação.

Transformação
A proposta artística de “Jardins do Tempo” é centrada no fomento ao debate acerca dos usos e funções de espaços públicos. Desta maneira, Pazé demonstra como transformar cemitérios em jardins botânicos, envolvendo baixo investimento financeiro, alto ganho ambiental e nenhum prejuízo da função original. O artista inspirou-se nas características do Jardim Botânico de São Paulo, elegendo determinados elementos, como o lago, que aparece inserido nas quatro propostas.

Cada projeto traz condições semelhantes de implantação com edifícios, construções e jardins organizados em módulos que se repetem e se reorganizam em função das dimensões e qualidades de cada uma das quatro áreas escolhidas. “A finalidade dos módulos, além de comporem parte do todo proposto, é comparativa. Tanto para as construções como para as árvores e lagos que podem ser implantados”, explica Pazé.

O artista visual ressalta que os projetos propõem duas áreas distintas no mesmo terreno: uma para a implantação do cemitério vertical e jardins; outra, mais ampla, destinada ao parque. Ambas com acessos separados. “Os cemitérios verticais, designados como Quadras, acomodariam os sepultamentos em pavimentos ou andares, diminuindo a área necessária para alojá-los. Estas edificações foram projetadas com altura inferior à de uma árvore tropical ou sub-tropical adulta de grande porte, minimizando o impacto visual destas construções no entorno ajardinado”, detalha o artista.

Já as áreas previstas para os parques seriam centralizadas na ideia do jardim botânico, contendo também espaços e equipamentos de convívio e lazer, com área para alimentação, salas de aula e quadras esportivas, além da adequação do terreno para acessibilidade plena.

Lago que integra a proposta para transformação do cemitério da Vila Formosa (projeto). Imagem: Divulgação. 

Biodiversidade
A estruturação em jardins botânicos propiciaria à população ter contato com a imensa biodiversidade de espécies vegetais brasileiras. “Seriam inseridas espécies de plantas nativas utilizadas na alimentação e na farmacopeia brasileiras. As áreas comportariam bancos de espécies alimentícias e medicinais, apontando também para o potencial das atuais e futuras pesquisas das propriedades curativas e medicinais da flora brasileira”, acrescenta o artista.

As imagens da flora previstas no projeto, com espécies arbóreas em extinção, poderão ser apreciadas por meio de aquarelas produzidas pelo artista.

Cemitério São Pedro atualmente. Imagem: Divulgação. 

Impacto ambiental
Os lagos, inseridos nestes jardins, se prestariam não só ao paisagismo. “Um sistema de captação de águas das chuvas, que abrangeria toda a área, bem como suas edificações e áreas do entorno, tornariam estes espaços grandes receptáculos de captação de águas pluviais, um sistema capilar em que os lagos funcionariam como reservatórios que alimentariam estações de tratamento para a produção de água potável”, detalha Pazé. Ele acrescenta ainda que “este sistema auxiliaria as áreas do entorno aos projetos em momentos de déficit hídrico”.

Por sua vez, as edificações seriam construídas como edifícios verdes, com suas coberturas providas de placas fotovoltaicas, tornando estes locais também centros de captação de energia renovável.

Projeto completo para o cemitério São Pedro. Imagem: Divulgação. 

Projeto artístico
A curadora da exposição, Magnólia Costa, pondera que os “cemitérios são a expressão cultural primeira e essencial de todos os povos. A palavra ‘cultura’, classificada gramaticalmente como substantivo derivado do particípio passado de “colo”, significa ao mesmo tempo o culto aos antepassados e o campo arado do qual se extraem continuamente víveres que possibilitam a existência de um povo”.

Ela acrescenta ainda que “‘Jardins do Tempo’ consiste num projeto artístico enraizado no conceito de cultura. Nele, os cemitérios são abordados a partir de três funções distintas (sepultamento, parque botânico e área de lazer), três formas de expressão (plástica, paisagística e pedagógica) e três dimensões temporais (passado, presente e futuro). O projeto artístico apoia-se, assim, sobre os três alicerces da civilização: ação, produção e memória’”.

Por fim, Pazé completa enfatizando que “a exposição convida o visitante a conhecer o potencial de uma semente plantada em um lugar onde o contato com a riqueza da vida é um incentivo ao cultivo da paz. No jardim, o ciclo da vida se apresenta em todas as etapas, favorecendo a lembrança do passado e a projeção do futuro. Jardim é lugar de participar da cultura”.

Cemitério Vila Nova Cachoeirinha atualmente. Imagem: Divulgação.

Sobre o artista
Pazé (Paulo José Keffer Franco Netto) é artista visual, graduado em artes visuais pela Fundação Armando Álvares Penteado (1999) e Engenheiro agrônomo graduado pela ESALQ -USP (1984). Realizou mais de 70 exposições individuais e coletivas em museus e galerias, incluindo mostras na Pinacoteca do Estado, Paço das Artes, Galeria Casa Triângulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Bienal de Havana, Bienal do Mercosul, entre outras.

A relação entre arte, cidade e meio ambiente é um aspecto presente nos trabalhos do artista. Em sua reconhecida série Transeunte (2001-2006), Pazé criou uma obra de arte pública que consistiu em instalar um boneco – réplica do seu corpo -, em locais de grande movimento na capital paulista como calçadas, terraços, paredes e telhados de edificações. A obra foi adquirida para o acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Em Mandacaru (2010), criado para o Festival Internacional de Jardins (MAM São Paulo), dois conjuntos de mandacarus foram plantados ao lado do Auditório do Ibirapuera. A iluminação mimetizava os frutos naturais dessa planta, numa referência a “Os Sertões”, em que Euclides da Cunha descreve os mandacarus como enormes candelabros com frutos tão vermelhos que pareciam iluminar a caatinga.

Já na instalação Ramos (2011), realizada no hospital Edmundo Vasconcelos, Pazé se inspirou nos cerca de 8 mil m² de jardins projetados por Burle Marx que cercam todo o Complexo Hospitalar. O artista pesquisou o desenho das folhas de dez plantas medicinais nativas brasileiras para criar as impressões em recortes coloridos da instalação.

Projeto para o cemitério Vila Nova Cachoeirinha. Imagem: Divulgação. 

Serviço
"Jardins do Tempo", do artista visual Pazé, com curadoria de Magnólia Costa.
Datas e horários: De 17 de agosto a 28 de outubro de 2019. De quarta a segunda-feira, das 9h às 21h.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) - Subsolo | Rua Álvares Penteado, 112 - Centro, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.