AGENDA DAS ARTES

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Individual de Clovis

Artistas: Clovis

Curadoria: Ricardo Resende e Germana Monte-Mór

De 5/11 a 15/12

Galeria Estação Ver mapa

Endereço: Rua Ferreira de Araujo,625 Pinheiros

Telefone: (11) 3813 7253

Com curadoria de Ricardo Resende e Germana Monte-Mór, a Galeria Estação apresenta cerca de 35 obras de Clovis (Avaré, SP 1960), artista cuja obra nasce de suas andanças, desde a saída da cidade natal em busca do próprio sustento, quando ainda jovem, até alcançar o Rio de Janeiro onde vive. A prática de coletar, raiz de sua produção, já surgia neste percurso, no qual recolhia rebarbas de lixo nas diferentes estradas.

Entre esculturas, desenhos e pinturas, suas obras remetem a figuras humanas, animais, vegetais e carros que retratam o imaginário das metrópoles. “São peças abruptas, que fazem recordar seres de um filme pré-histórico da humanidade, mas também um mundo inóspito que parece que ainda vai existir daqui a milhares de anos”, destaca Resende.

O desejo da busca e da caminhada permaneceu na prática do artista, que recolhe materiais como papelão, garrafas PET, brinquedos de plástico aos pedaços e lonas vinílicas residuais das propagandas políticas que persistem na paisagem das periferias da cidade, mesmo depois do período eleitoral. Se no princípio ele vendia certos objetos, hoje transforma-os em suporte de sua obra.

O artista concebe esculturas a partir do material coletado, no qual encontram-se ainda ferro de construção civil, madeira e arame, e cria também uma massa com a técnica do papel machê, mas usa cimento no lugar da cola. As obras são marcadas por cores inusitadas, que passam pelos amarelos, verdes, azuis, cinzas e tons de terra, nas quais surgem seres indefinidos e carros estranhos. Nos desenhos e pinturas as formas abstratas predominam.

Segundo Ricardo Resende, essas escolhas podem ter apenas o sentido da precariedade em que o artista cria. “Poucos recursos, o uso de materiais pobres e poucas cores de tinta à disposição. Mas a combinação é inventiva e provocativa. Em alguns trabalhos reconhecemos e não reconhecemos o que ele desenha ou pinta. Quando não caem no abstrato completo, as figuras sugerem seres viventes com olhos esbugalhados ou, ainda, animais como peixes, o elefante em noite estrelada, plantas, folhas e flores. Em um núcleo de desenhos pintados, aparece uma escrita indecifrável e compulsiva. Mais para um texto pintado que lembra os símbolos de uma escrita com traços”.

Hoje Clovis tem a clareza de que o que faz é arte. Foi contemporâneo de Bispo do Rosário na Colônia Juliano Moreira, antigo hospital psiquiátrico localizado em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, que abriga, agora, o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea e o Ateliê Gaia, frequentado pelo artista há mais de dez anos. “O que ele pretende ali é a possibilidade de desenvolver o seu trabalho plástico, a tranquilidade para fazer os seus desenhos, as suas pinturas, e as esculturas estranhas na forma de carros”, completa Resende.

Clovis, Sem título (acrilica eucatex) / Divulgação

Clovis, Sem título (acrílica sobre papel, cola e cimento) / Divulgação

Clovis, Sem título (acrílica sobre papel, cola e cimento) / Divulgação

Clovis, Sem título (acrílica sobre papel, cola e cimento) / Divulgação

serviço
Exposição: Individual de Clovis com curadoria de Ricardo Resende e Germana Monte-Mór.
Datas e horários: Abertura dia 5 de novembro, às 19h (para convidados). Em exposição até 15 de dezembro de 2015. De segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h.
Local: Galeria Estação | Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros.
Entrada franca.