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Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México

Artistas: Frida Kahlo, Alice Rahon, Remedios Varo, entre outras

Curadoria: Teresa Arcq

De 27/9 a 10/1

Instituto Tomie Ohtake Ver mapa

Endereço: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 - Pinheiros - São Paulo - SP CEP 01451-001

Telefone: (11) 2245-1900

Com curadoria da pesquisadora Teresa Arcq, "Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México", com cerca de 100 obras de 16 artistas, revela a forma como uma intricada rede, com inúmeras personagens, se formou tendo como eixo a figura de Frida Kahlo. O recorte focaliza especialmente artistas mulheres nascidas ou radicadas no México, protagonistas, ao lado de Kahlo, de potentes produções, como Maria Izquierdo, Remedios Varo e Leonora Carrington.

Durante toda a sua vida, Frida Kahlo pintou apenas 143 telas. Nesta exposição, num caso raro e inédito no Brasil, estão reunidas 20 delas, além de 13 obras sobre papel - nove desenhos, duas colagens e duas litografias -, proporcionando ao público brasileiro amplo panorama de seu pensamento plástico. A sua presença vigorosa perpassa ainda a exposição pelas obras de outras artistas participantes, que retrataram a sua figura icônica. Por meio da fotografia, destacam-se os trabalhos de Lola Álvarez Bravo, Lucienne Bloch e Kati Horna. Imagens de Frida estão impregnadas ainda nas lentes de Nickolas Muray, Bernard Silberstein, Hector Garcia, Martim Munkácsi e em uma litografia de Diego Rivera, Nu (Frida Kahlo), 1930.

Entre as mulheres artistas mexicanas vinculadas ao surrealismo surpreende a abundância de autorretratos e retratos simbólicos. Entre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda mais duas de suas telas que trazem a sua presença, como em El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti, 1933, e Diego em mi Pensamiento, 1943, além de uma litografia, Frida y el aborto, 1932. Conforme destaca Teresa Arqc, os autorretratos e os retratos simbólicos marcam uma provocativa ruptura que separa o âmbito do público do estritamente privado. Segundo a curadora, impressiona constatar como estas artistas subvertem o cânone para realizar uma exploração de sua psique carregada de símbolos e mitos pessoais. "Em alguns de seus autorretratos Frida Kahlo, Maria Izquierdo e Rosa Rolanda elegeram cuidadosamente a identificação com o passado pré-hispânico e as culturas indígenas do México, utilizando ornamentos e acessórios que remetem a mulheres poderosas, como deusas ou tehuanas, apropriando-se das identidades destas matriarcas amazonas", afirma.

A confluência dos grupos de exiladas europeias, como a inglesa Leonora Carrington, a francesa Alice Rahon, a espanhola Remedios Varo e a fotógrafa húngara Kati Horna, e das artistas que vieram dos Estados Unidos, como Bridget Tichenor e Rosa Rolanda, permanecendo no México o resto de suas vidas, além de outras visitantes vinculadas ao surrealismo, atraídas pelas culturas ancestrais mexicanas, como as francesas Jacqueline Lamba e Bona de Mandiargues, a suíça Sonja Sekula e as norte-americanas Marjorie Cameron e Sylvia Fein -, favoreceu uma atmosfera criativa intelectual e uma completa rede de relações e influências com Kahlo e demais artistas mexicanas. "A multiplicidade cultural, rica em mitos, rituais e uma diversidades de sistemas e crenças espirituais influenciaram na transformação de suas criações. A estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero", completa Arcq.

Conforme aponta Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, entre pinturas, esculturas e fotografias – além de documentos, registros fotográficos, catálogos e reportagens – a mostra permite confrontar uma face desafiadora do surrealismo. Para Miyada, intensidade, dramaticidade e subjetividade das obras dessas artistas tornam este conjunto inquietante até para aqueles mais familiarizados com o movimento, que originalmente surgiu na França na década de 1920, tendo como maior predicado a tentativa de escapar do império do realismo e da racionalidade, acenando para o inconsciente, o acaso e o onírico. "Na produção das artistas conectadas ao surrealismo que passaram pelo México, os tópicos já consagrados na discussão do surrealismo se multiplicam e extravasam muitas fronteiras, o que se reflete em imagens pungentes e inesquecíveis por suas cores e traços impositivos, pelos elementos da cultura nativa mexicana, pelos gestos confrontadores e pelo desprezo por qualquer convenção do que seja o bom gosto burguês tradicional", completa.

A mostra, uma realização do Instituto Tomie Ohtake, contou com os patrocínios do Bradesco e do IRB Brasil RE, do copatrocínio do SESI e dos apoios do Aché, Akzo Nobel, Arezzo, Calvin Klein, Recovery e Tozzini. A organização contou com colaborações do SRE – Secretaria de Relaciones Exteriores do México, da Embaixada do México no Brasil, do INBA – Instituto Nacional de Bellas Artes, do CONACULTA – Consejo Nacional para la Cultura y las Artes e do CPTM - Conselho de Promoção Turística do México.

Sobre Frida Kahlo
Frida Kahlo (Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, 1907, Coyoacán, México – 1954, Coyoacán, México) é a artista mexicana de maior reconhecimento internacional. Seu legado artístico constitui uma narrativa pictórica autobiográfica em que explora o seu corpo e sua realidade interior através de autorretratos e obras impregnadas de significação. Produziu 143 pinturas ao longo de sua vida, das quais 55 são autorretratos. Aos dezoito anos sofreu um terrível acidente de bonde que mudou o rumo de sua vocação, que tendia à medicina, e fez com que ela começasse a pintar. Na adolescência frequentou um grupo de jovens intelectuais “Los cachuchas” interessados nas vanguardas europeia e essa influência marcou suas primeiras pinturas. Em 1929 casou-se com o famoso muralista Diego Rivera que despertou o seu interesse pela arte popular mexicana e as culturas pré-hispânicas que incorporou em suas pinturas. Durante uma estadia em Detroit, acompanhando o marido, Frida experimentou técnicas surrealistas e produziu primorosas imagens de cadáveres em colaboração com a artista norte-americana Lucienne Bloch. Em 1938, recebeu, no México, os artistas Jacqueline Lamba e André Breton, que se maravilhou com as suas pinturas considerando-as manifestações surrealistas. Nesse mesmo ano teve a sua primeira exposição individual na Julien Levy Gallery em Nova Iorque. As pinturas apresentadas foram posteriormente levadas a Paris para a exposição "Mexique" organizada por Breton na galeria Renou & Colle, que incluiu objetos de arte popular e fotografias de Manuel Álvarez Bravo. Em Paris, Frida conheceu o grupo de surrealistas que se exilou no México: Alice Rahon e Wolfgang Paalen, Leonora Carrington, Remedios Varo e Benjamin Péret entre outros. Em 1940, após o seu divórcio de Rivera, pintou duas grandes telas para a Exposição Internacional de Surrealismo na cidade do México. Em 1953, um ano antes de sua morte, teve a sua primeira exposição individual no México, na Galeria de Arte Contemporânea de Lola Álvarez Bravo.

Frida Kahlo, Autorretrato con Monos, 1943 (óleo sobre tela) / Cortesia: Guelman Collection, © 2015 Banco de México, Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust

Frida Kahlo, Diego en mi pensamiento, 1943, (óleo sobre compensado de madeira, 76 x 61 cm) / © 2015 Banco de México, Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust. Foto: Gerardo Suter

Frida Kahlo, Autorretrato con vestido rojo y dorado, 1941 (óleo sobre tela) / Cortesia: Gelman Collection, © 2015 Banco de México, Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust

Frida Kahlo, El abrazo de amor del Universo, la Tierra, México, Diego, yo y el señor Xólotl, 1949 (óleo sobre sobre compensado de madeira) / © 2015 Banco de México, Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust

Frida Kahlo, Retrato de Diego Rivera, 1937, (óleo sobre compensado de madeira, 46 x 32 cm) / © 2015 Banco de México, Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust. Foto: Gerardo Suter

Alice Rahon, Balada por Frida Kahlo, 1956-66 (óleo sobre tela, 120 x 178 cm) / © Alice Rahon State Collection Museo de Arte Moderno, México

Remedios Varo, Roulotte, 1955 (óleo sobre compensado de madeira, 78 x 60 cm) / Coleção do Museu de Arte Moderna no México © Varo, Remédios - AUTVIS, Brasil, 2015

Nickolas Muray, Frida Kahlo en una banca #5 (carbro print, 45,5 x 36 cm) / Cortesia: Gelman Collection, © Nickolas Muray Photo Archives

Lucienne Bloch, Frida Kahlo en el hotel Barbizon Plaza, 1931 (impressão em gelatina de prata, 29,2 x 19 cm) / Cortesia: Gelman Collection

 

serviço
Exposição: "Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México", com curadoria de Teresa Arcq
Datas e horários: Entre 27 de setembro de 2015 e 10 de janeiro de 2016. De terça a domingo, das 11h às 20h
Local: Instituto Tomie Ohtake | Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) - Pinheiros.
Entrada: R$10,00 e R$5,00 (até 10 anos grátis); às terças grátis; compra de ingressos: ingresse.com, aplicativo do Instituto Tomie Ohtake, ou na bilheteria do Instituto de terça a domingo, das 10h às 19h. Vendas a partir do dia 01 de setembro de 2015.