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Ernesto Neto: Sopro

Artistas: Ernesto Neto

Curadoria: Jochen Volz e Valéria Piccoli

De 30/3 a 15/7

Pinacoteca do Estado de São Paulo Ver mapa

Endereço: Praça da Luz, 2 - Largo General Osório, 66 - Luz

Telefone: (11) 3324-1000

Entre os dias 30 de março e 15 de julho de 2019 a Pinacoteca de São Paulo recebe a exposição "Ernesto Neto: Sopro", que ocupa o Octógono, sete salas do 1° andar e outros espaços da Pina Luz. A retrospectiva, que conta com curadoria de Jochen Volz e Valéria Piccoli - diretor e curadora-chefe do museu, respectivamente -, reúne 60 obras de Ernesto Neto, um dos nomes mais proeminentes da escultura contemporânea. Desde o ínicio de sua carreira nos anos 1980, o artista vem produzindo obras que colocam em diálogo o espaço expositivo e as diversas dimensões do espectador. A mostra é livre para todas as idades e a entrada na Pina Luz é gratuita todos os sábados.

Ernesto Neto, Metamorfose. Foto: Divulgação.

A partir de uma compreensão singular da herança neoconcreta, Ernesto Neto (Rio de Janeiro, 1964), desdobra suas esculturas iniciais – elaboradas com materiais como meias de poliamida, esferas de isopor e especiarias – em grandes instalações imersivas, que propõem ao espectador um espaço de convívio, pausa e tomada de consciência. Sua prática escultórica engendra-se a partir da tensão de materiais têxteis e de técnicas como o crochê. Essas grandes estruturas lúdicas acolhem ações e rituais que revelam as preocupações atuais do artista: a afirmação do corpo como elemento indissociável da mente e da espiritualidade.

Desde 2013, o artista vem colaborando com os povos da floresta, principalmente a comunidade indígena Huni Kuin, também conhecida como Kaxinawá. A população dessa etnia, com mais de 7.500 pessoas, habita parte do estado do Acre e forma a mais numerosa população indígena do estado. “A turma da floresta tem uma ligação muito mais profunda com a natureza. Inclusive, a palavra natureza, como algo que está fora de nós, seres humanos, nem existe nessa comunidade. Eles não veem essa separação”, conta o artista.

Ernesto Neto, Circleprototemple. Foto: Divulgação.

“A convivência com eles me trouxe um entendimento profundo da espiritualidade, desta força de continuidade do ‘corpo-eu’ e do ‘corpo-ambiente’, e também uma base estrutural ‘espiritofilosófica’, além da compreensão de que há muito o que descobrir enquanto humanidade: quem somos? Onde estamos? Para onde vamos?”. O entendimento do planeta como organismo interdependente permeia boa parte das obras de Neto.

Para a mostra na Pinacoteca, o artista concebe novos trabalhos, entre eles, um para o espaço do Octógono, que acolherá oito ações/rituais participativos abertos ao público ao longo do período expositivo (confira as datas e horários no "Serviço" desta exposição). Integra também o conjunto uma obra seminal em sua trajetória: Copulônia (1989). De poliamida e esferas de chumbo, seu título faz referência à “cópula” (termo utilizado pelo artista para caracterizar um tipo de elemento, presente na obra, em que duas partes se penetram) e à “colônia” (seção da obra na qual os elementos se repetem). “Traz a ideia de população, família, corpo coletivo e convivência simbiótica”, define Neto.

Ernesto Neto, Copulônia. Foto: Divulgação.

Copulônia marca o momento em que Neto começa a pensar a escultura não mais como um único volume mas como um todo composto de partes. Outras obras icônicas dele integram a seleção, como aquelas que contem especiarias (cravo, açafrão, urucum), as Naves (arquiteturas de tecido em que o visitante é convidado a entrar) e mesmo as mais recentes estruturas habitáveis confeccionadas em crochê. As obras do Neto convocam a participação do visitante e ativam outros sentidos além do olhar”, comenta Piccoli.

A exposição propõe demonstrar como a fisicalidade, o indivíduo e o coletivo sempre estiveram presentes, desde o início, na prática do artista, moldando sua poética. Sua colaboração atual com líderes políticos e espirituais das nações Huni Kuin, cujas contribuições ao artista recebem na mostra uma sala própria, aparece como uma consequência natural de sua pesquisa escultórica. “Neto vem explorando e expandindo os princípios da escultura radicalmente desde o começo de sua trajetória. Gravidade e equilíbrio, solidez e opacidade, textura, cor e luz, simbolismo e abstração ancoram sua prática, num contínuo exercício acerca do corpo individual e coletivo e da construção em comunidade”, observa Jochen Volz.

Ernesto Neto, Oxalá. Foto: Divulgação.

Esta é também a primeira exposição que propõe traçar seus primeiros experimentos nesse campo através da investigação e da apropriação do espaço expositivo até atingir seu atual engajamento social. Num momento marcado pelo descompasso entre humano e natureza, Neto propõe que a arte seja uma ponte para a reconexão humana com esferas mais sutis. “O artista é uma espécie de pajé. Ele lida com o subjetivo, com o inexplicável, com aquilo que acontece entre o céu e a terra, com o invisível. Desse lugar, consegue trazer coisas”, finaliza Neto.

A mostra é acompanhada de um catálogo e, após sua estreia na Pinacoteca, a exposição será recebida pelo Malba - Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Argentina e pelo Centro Cultural Palacio de La Moneda, em Santiago no Chile. "Ernesto Neto: Sopro" integra a programação de 2019 da Pinacoteca, dedicada à relação entre arte e sociedade. Por meio dela, a instituição propõe examinar as dimensões sociais da prática artística, apresentando exposições que redimensionam a ideia de escultura social, cunhada pelo artista e ativista alemão Joseph Beuys.

Ernesto Neto, O Escultor e a Deusa. Foto: Divulgação.

Serviço
Exposição: "Ernesto Neto: Sopro", individual de Ernesto Neto com curadoria de Jochen Volz e Valéria Piccoli.
Datas e horários: Abertura dia 30 de março de 2019, sábado, às 11h. Em cartaz até 15 de julho de 2019. De quarta a segunda, das 10h às 17h30 – com permanência até as 18h. Ações no Octógono nos dias 6 de abril, 4 de maio, 1° e 29 de junho às 11h; e 20 de abril, 18 de maio, 15 de junho e 13 de julho às 15h.
Local: Pinacoteca de São Paulo (Galeria temporária, Octógono, pátio e outros espaços) | Praça da Luz 2 - Luz, São Paulo.
Ingressos: R$ 10,00 (entrada); R$ 5,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha). Menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento. Aos sábados, a entrada na Pina é gratuita para todos. A Pina Estação é gratuita todos os dias. Amigo da Pina tem acesso ilimitado, além de desconto na loja e no café. Também pode participar de visitas guiadas e outros eventos com a equipe da Pinacoteca.