AGENDA DAS ARTES

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Do poema visual à poética do plano e do espaço

Artistas: Almandrade

Curadoria: Marc Pottier

22/8 a 17/10

Baró Galeria (Barra funda) Ver mapa

Endereço: Rua da Consolação, 3417 - Cerqueira César

Telefone: (11) 3666-6489

A Baró Galeria apresenta, entre os dias 22 de agosto e 17 de outubro de 2015, a exposição "Do poema visual à poética do plano e do espaço", do artista, poeta e arquiteto, Antonio Luiz M. Andrade, mais conhecido sob o pseudônimo de Almandrade - nome que derivou de suas iniciais A.L.M.A.. O baiano foi membro do grupo artístico Poema/Processo e um dos fundadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia. Desde os anos 1970, ele tem produzido trabalhos inventivos e enigmáticos orientados também pela estética conceitual e minimalista.

Almandrade sempre residiu em Salvador. Mas já no início dos anos 1970 nutria grande diálogo com importantes artistas da cena artística do Sudeste. Dessa maneira, mesmo distante da efervescência daquela região do país, ele conseguiu captar as vibrações dos fortes movimentos concretos que ali aconteciam. “Na arte você tem que estar no lugar certo e na hora certa. Uma coisa é você estar no Rio ou em São Paulo [onde havia ocorrido a icônica Exposição Nacional de Arte Concreta, entre 1956 e 1957], e a outra é estar em Salvador que, na época, não estava inserida no circuito de arte”, o artista comenta.

Críticos dificilmente íam a Salvador, o que acabou impulsionando o artista, além de produzir seus próprio trabalhos, também a escrever sobre arte. Ele foi (e ainda é) um grande fomentador das discussões artísticas e contribuiu para a formação do público dos museus da cidade. “É preciso criar uma superfície, um atrito para haver diálogo com um amigo, ou mesmo com um inimigo da arte”, ele declara. Em 1974, editou a revista Semiótica e, desde os anos 1980, vem publicando diversos livros de poesia. Em 2008, seus textos críticos foram reunidos no livro “Escritos sobre Arte: Arte, Cidade e Política Cultural”, que traz ensaios realizados entre 1986 e 2008.

Almandrade, pertencente a era do pós-construtivismo, também incorporou em sua produção, além da poesia concreta, influências do neo-concretismo e construtivismo. Segundo Marc Pottier, o artista “redistribuiu postulados da Arte Concreta por um diálogo precursor com a Arte Conceitual, e inventou sua própria assinatura, mesmo sob fortes influências de Hélio Oiticica, Lygia Pape e Ferreira Gullar”.

Através da simplificação de formas e geometrias, sua investigação aponta para a epistemologia construtivista, a forma como informação, a arquitetura dos signos e o poder da experimentação. “Almandrade joga com o cheio, o vazio e ainda com seus textos que colocam o espaço natural em questão, nos obrigando a procura pelo entendimento de seus enigmas. Suas obras silenciosas e sintéticas sob formas essenciais são aforismos visuais que conduzem a novas percepções e concepções”, pontua o curador.

O intuito desta retrospectiva é trazer ao público a diversidade de suportes e linguagens deste que é considerado hoje um dos maiores e mais criativos expoentes da poesia visual brasileira. O ineditismo da mostra se dá pela inclusão de originais de poemas visuais raramente exibidos ao público. Obras antigas e emblemáticas serão colocadas junto às novas, criando assim um diálogo que atravessa décadas de produção.

“A mão do poeta inventa e relaciona imagens, mobiliza os pensamentos daqueles que procuram por uma história, ou melhor, por uma pré-história das artes gráficas e sua poética. A performance da visualidade viaja no tempo e nos demanda uma contemplação provocativa.”

Sobre o artista
Almandrade nasceu em São Felipe (BA), em 1953, e atualmente vive e trabalha em Salvador. Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia e Palacete das Artes. 

Almandrade / Crédito: Filipe Berndt 

Almandrade / Crédito: Filipe Berndt 

serviço
Exposição: "Do Poema Visual à Poética do Plano e do Espaço", de Almandrade com curadoria de Marc Pottier.
Datas e horários: Abertura dia 22 de agosto de 2015, das 11h às 15h (aberta ao público). Em exposição até 17 de outubro de 2015. De terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 16h.
Local: Baró Galeria Galpão | Rua Barra Funda, 216 - Barra Funda.
Entrada franca.