AGENDA DAS ARTES

Voltar

Do concreto ao alegórico

Artistas: Francisco Klinger Carvalho

Curadoria: Karin Stempel e Ricardo Resende

De 24/11 a 18/1

MuBE - Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia Ver mapa

Endereço: Avenida Europa, 218 - Jarim Europa - São Paulo - SP CEP 01449-000

Telefone: 11 2594-2601

A partir de 24 de novembro o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) apresenta a exposição “Do concreto ao Alegórico”, do artista paraense Francisco Klinger Carvalho. Nessa individual, o artista entrelaça olhares sobre as formas de intervenção artística, predominando a escultura. A curadoria é assinada pelo brasileiro Ricardo Resende e pela alemã Karin Stempel.

A presença de curadores de dentro e fora do Brasil tem muito a ver com a trajetória do artista. Klinger Carvalho nasceu no município de Óbidos, Pará, à beira da parte mais estreita e profunda do rio Amazonas, mas já há algum tempo se divide entre Alemanha e Colômbia, países com os quais mantém laços profundos, pessoais e de trabalho.

Artista em constante deslocamento, Klinger se deixou tomar pelas questões culturais, sociais, políticas e ambientais não só do artista latino, mas do cidadão do mundo. Tais relações contaminaram sua obra, inicialmente composta por leituras que traduziam as visões de vida do homem amazônico ou do cotidiano de comunidades muito particulares. Delas, Klinger apropriava-se de objetos para descrever ou recriar tanto sua realidade quanto a das comunidades, dali engendrando sua poética.

Francisco Klinger Carvalho, A grade - quando Mondrian descobriu a América Latina / Divulgação

Já na Alemanha o artista incorporou ao seu trabalho uma perspectiva urbana, constituída de linhas estruturantes reveladoras de realidades distintas das que o motivaram inicialmente. Neste novo momento, nota-se a recorrência de estruturas encarceradas em suas esculturas e instalações. Ao convidar o olhar pelos vazios e entrelinhas que compõem tais obras, o artista evidencia a presença de uma humanidade em batalha para desvelar sensibilidades obscurecidas pelos avanços tecnológicos e industriais.

“Sempre tive uma relação muito forte com as grades, que definem um período forte na Europa, a Idade Média, porém que incorpora a arquitetura urbana das grandes cidades da América Latina”, diz o artista em entrevista à Ana Calçada, Coordenadora da Rede de Museus e Galerias de Óbidos, em Portugal, onde o artista exibiu “CRONOLOGIA DO COTIDIANO – De Óbidos para Óbidos”, na Galeria NovaOgiva, em 2014. “Pelo fato de o artista ser um intérprete de seu meio, quando vivia na Amazônia eu fazia uma releitura dos materiais da região. Quando passo a conviver com outros universos, o trabalho se deforma, incorporando outras matérias, algumas tradicionais, até chegar ao ponto de a obra ser a interpretação de minha vida de estrangeiro”, completa.

Para a curadora Karin Stempell, no trabalho do artista “nada permanece, tudo se encontra numa precária transição – sempre a pique de, prestes a, sempre à procura de, sempre a caminho”. Nas palavras da curadora, o artista possui o olhar analítico de um pesquisador viajante, com o cuidado minucioso do arqueólogo. Suas imagens convidam não a permanecer em um lugar mas a seguir caminho “para outros lugares, outros modos de ver, outras imagens e outros olhares”.

Francisco Klinger Carvalho, Variation in Blau - die Leidenschaft des Reisenden Version Mannheim, 2012 / Divulgação

A mostra não se limita a esculturas e nem restringe a escultura a uma mera categoria artística. Escultura, em “Do Concreto ao Alegórico”, é palavra que transfigura-se em conceito, alcançando a instalação e outras modalidades artísticas, convidando o espectador a perceber as imanências da vida e da arte.

Com afinidades propositadamente não tão explícitas entre as obras, a individual inquieta também pelo uso provocativo de materiais, parte deles incomuns na tradição escultórica. Novas percepções surgem a partir da noção da diferença, do perecível, de valor na arte e da dimensão simbólica dos elementos. “Não há aí a intenção de ser apenas um engendramento visual ou matérico, mas a expectativa de capturar o espectador, furtivamente, para o deslocamento de sentidos, o estranhamento, o inútil como potência do pensamento autônomo e como emancipação do fazer criativo”, diz o artista.

Klinger está em cartaz em São Paulo também na exposição coletiva "Jogando com Ben Patterson", na Galeria Bolsa de Arte, no qual interage artisticamente com seu amigo e integrante fundador do grupo Fluxus. Recentemente o artista trouxe à cidade de Óbidos o Projeto Galerie Hafemann Internacional, criado há mais de 25 anos na cidade de Wiesbaden e que, pela primeira vez transpôs a Europa e aportou no Pará, entre 14 de agosto a 18 de setembro. Klinger expôs o trabalho Correnteza junto a obras de artistas brasileiros, como José Roberto Aguilar, Mariano Klautau e Armando Queiroz, artistas colombianos, como Nelson Vergara e Roberto Garcia e artistas alemães como Gertraud Hasselbach, Peer Veneman, Silvia Beck e Wolfgang Gemmer.

Francisco Klinger Carvalho, Reverência - Barroco Decaído / Divulgação

Sobre o artista
Francisco Klinger Carvalho mudou-se para Belém, capital do Estado do Pará em 1986. Em 1997 graduou-se no curso de Licenciatura Plena em Educação Artística pela Universidade Federal do Pará, mesmo ano em que obteve bolsa do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico/Deutscher Akademischer Austauchdienst), para realizar estudos de pós-graduação na Alemanha.

Na Kunstakademie Düsseldorf teve como professor o escultor britânico Tony Cragg. Em 2000 retornou ao Brasil para desenvolver o projeto “Ajuri, a estética utilitária do caboclo amazônico”, trabalho de pesquisa e produção poética que resultou no documentário “Caminhos das Artes”, realizado pela TV CULTURA. Em 2001 retornou para a Alemanha fixando residência na cidade de Wiesbaden, onde atuou intensamente associado com artistas locais. Em 2003 retornou ao Brasil fixando residência na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Em 2008 mudou-se para Bogotá, na Colômbia.

Entre 2009 e 2011 trabalhou como professor convidado pela Universidade Nacional da Colômbia. Em 2011 regressou novamente a Europa. Na atualidade, Francisco Klinger Carvalho trabalha e vive entre as cidades de Heidelberg, Alemanha, e São Paulo, Brasil.

Francisco Klinger Carvalho, Mesa impossibilitada de reuniões, 2000  / Divulgação

serviço
Exposição: "Do Concreto ao Alegórico", de Francisco Klinger Carvalho com curadoria de Karin Stempel e Ricardo Resende.
Datas e horários: Abertura dia 24 de novembro, às 19h. Em cartaz entre os dias 25 de novembro de 2015 e 18 de janeiro 2016. De terça a domingo, das 10h às 19h.
Local: MuBE – Museu Brasileiro da Escultura | Av. Europa, 218 - Jardim Europa (entrada pela Rua Alemanha, 211).
Entrada gratuita.