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Dívidas, divisores e dividendos

Artistas: Marcelo Cidade

Curadoria: -

De 14/3 a 13/4

Galeria Vermelho Ver mapa

Endereço: Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis

Telefone: (11) 3138-1520

Galeria Vermelho apresenta, entre os dias 14 de março e 13 de abril de 2019, a sétima exposição individual de Marcelo Cidade em seu espaço. Em "Dívidas, divisores e dividendos", o artista paulistano apresenta dois conjuntos de trabalhos inéditos que propõem uma reflexão sobre a violência implícita em projetos arquitetônicos e urbanistas - obras que partem do conceito de “Arquitetura hostil”. No mesmo período, a galeria localizada no bairro de Higienópolis, próxima à Rua da Consolação e à Av. Paulista, recebe também o projeto "Mal-estar", de Renato Maretti - uma pintura site-specific no janelão de 20 metros da Vermelho -, e o novo filme de Iván Argote, "La Plaza del Chafleo", na Sala Antonio de projeção. A entrada é livre e gratuita.

A sétima individual de Marcelo Cidade na Vermelho permanece em cartaz até abril de 2019. Foto: Divulgação.

O termo "Arquitetura hostil" foi cunhado por Ben Quinn, em reportagem de 2014 no jornal britânico The Guardian. O texto “Anti-homeless spikes are part of a wider phenomenon of ‘hostile Architecture’” (Os espetos anti-desvalidos são parte de um fenômeno mais amplo de ‘arquitetura hostil’) disserta sobre como novos recursos de design influenciam o uso dos centros urbanos, em uma tentativa de excluir a população pobre, promovendo uma ocupação higienista das cidades.

Na obra Escala disciplinar (2019), Marcelo Cidade utiliza os espetos anti-desvalidos como parte de uma pesquisa tipológica sobre os métodos da ‘Arquitetura hostil’. Partindo da estatura média do brasileiro, Cidade organiza uma coleção desses dispositivos com referência aos tradicionais cortes (ou vistas) apresentados em projetos arquitetônicos: vista frontal, vista lateral e detalhe. Ao unir a linguagem de projeto à escala humana, Cidade devolve ao humano a disfunção ocasionada por dispositivos da ‘Arquitetura hostil’.

“Tenho percebido o uso desses elementos em diversas cidades, e me intriga cada vez mais essa dualidade entre função e disfunção no propósito principal da arquitetura, gerando a exclusão do corpo humano em relação ao espaço dito público,” afirma o artista sobre a série.

Vistas da sala de exibição da mostra. Foto: InfoArtSP.

Marcelo Cidade colecionou os pedaços de canos ferrosos da substituição da prumada do prédio onde mora e os apresenta agora em Refluxo estrutural (2019), em um exercício comparativo com os teoricamente mais avançados canos de PVC. Sobre uma estrutura de blocos de concreto, Cidade contrapõe os dois materiais aparentemente mal-ajambrados.

Um olhar atento, no entanto, percebe os trincos feitos pelas marretas nos canos de ferro cuidadosamente reproduzidos nos canos de PVC. É esse gesto, que recorre a uma série de procedimentos tradicionais das artes, como a frottage (usada para transferir as marcas do ferro ao PVC) e ao entalhe (utilizado na reprodução em si), que chama a atenção ao paralelismo proposto pela obra.

A mostra "Dívidas, divisores e dividendos" é um contraponto a sua individual anterior na Vermelho, a "Nulo ou em branco" (2016), quando um dos seus principais temas de pesquisa era a "Arquitetura social" - aquela comprometida com a vida humana, que visa uma conexão maior com a realidade de cada um e com o espaço em que se vive.

Refluxo estrutural, trabalho de Marcelo Cidade. Foto: InfoArtSP.

Serviço
Exposição: "Dívidas, divisores e dividendos", de Marcelo Cidade.
Datas e horários: Abertura dia 14 de março, quinta-feira, das 20h às 23h. Em cartaz até 13 de abril de 2019. De terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 17h.
Local: Galeria Vermelho (Salas 1, 2 e fachada) | Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.