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Di Paulos: retrospectiva de um artista múltiplo, arquivista de um Banco de ideias e que não pede permissão

Artistas: Paulo Bruscky

Curadoria: -

De 23/3 a 18/5

Carbono Galeria Ver mapa

Endereço: Rua Joaquim Antunes, 59 - Jd. Paulistano

Telefone: (11) 4564-8400 / (11) 4564-8300

Entre os dias 23 de março e 18 de maio de 2019, a Carbono Galeria recebe a mostra "Di Paulos: retrospectiva de um artista múltiplo, arquivista de um Banco de ideias e que não pede permissão", do artista pernambucano Paulo Bruscky. A exposição retrospectiva apresenta uma seleção de trabalhos múltiplos e peças gráficas como publicações, cartazes, anúncios, obras conceituais, gravuras, fotografias, objetos e panfletos produzidos ao longo de seus mais de 50 anos de carreira. A entrada é livre e gratuita.

Paulo Bruscky, postal O trajeto é minha obra, 1978-2000-1. Foto: Divulgação.

O título da mostra foi retirado de uma obra do artista de 1978, composta por uma cartela de botões com linhas, em que constam as palavras Di Paulos. Essa pluralidade se relaciona com sua trajetória e os inúmeros procedimentos de criação que já experimentou. "Nesta exposição, o público poderá ver os muitos Paulos que existem em mim", conta o artista.

Na exposição retrospectiva, serão exibidos trabalhos de categorização híbrida e que acontecem, conceitualmente, entre a poesia visual, a performance e intervenções no espaço urbano. São trabalhos que já ocorreram em circuitos artísticos alternativos, como os classificados dos jornais, via correio ou em locais destinados a anúncios comerciais em espaços públicos, como também foram distribuídos a transeuntes, promovendo conexões entre arte e cotidiano.

Paulo Bruscky, Arquitetura do Imaginário I - New York, 1982. Foto: Divulgação.

Toda essa diversidade de experimentações gráficas, tanto do ponto de vista das técnicas de produção (fotocópia, impressão digital, carimbo etc) quanto de seus modos de circulação, desafia os sistemas políticos, artísticos e culturais e coloca em questão, com sua efemeridade e multiplicidade, o estatuto de unicidade e originalidade da arte.

Assim, o público poderá ver trabalhos que reelaboram o lugar de fruição da arte e subvertem o entendimento do gesto do artista como constitutivo de um projeto artístico, já que solicitam a participação do público, dos transeuntes, do leitor e se infiltram na cidade, no cotidiano, nos processos mais íntimos de percepção. Humor, acaso, política, ironia, denúncia e informação são a tônica desses trabalhos que reafirmam a frase do artista: “Arte é feita para circular”. 

Paulo Bruscky, O que seria do azul se todos gostassem do amarelo, 1984-2014. Foto: Divulgação.

Sobre o artista
Paulo Bruscky (Recife, 1949) vive e trabalha em Recife, Brasil. Pioneiro na utilização de mídias contemporâneas, como a arte postal, audioarte, videoarte e xerografia no Brasil, Bruscky é um dos maiores artistas conceituais na arte brasileira. Ao longo de sua carreira, foi contemplado com diversos prêmios. Em 2009, foi anistiado e recebeu o título de Cavaleiro da Ordem do Mérito Cultural, maior honraria do governo brasileiro, e, em 2011, foi homenageado com o prêmio hors concours de arte e tecnologia do Instituto Sergio Motta.

Paulo Bruscky, Envelope antiderrapante, 2015. Foto: Divulgação.

Iniciando sua trajetória na década de 1960, Bruscky vai manter contato próximo e corresponder-se com o grupo Fluxus e Gutai, dos quais possui o maior acervo da América Latina. Desde suas primeiras incursões artísticas, afirma-se como artista conceitual e, durante os anos 1970, carregará sua obra com intenso conteúdo político como forma de protesto ao sistema ditatorial brasileiro. Homenageia também, em seus trabalhos, artistas como John Cage e Duchamp, e, em performance de 1978, pergunta aos seus espectadores “O que é arte, para que serve?”, e reforça esse tipo de questionamento em outros trabalhos como Confirmado: é arte ou É a arte reversível?.

Paulo Bruscky foi responsável por renovar a cena artística nacional dos anos 1970 e por inserir na arte brasileira outros tipos de mídias como xerox, fax, carimbo, artdoor, entre outras. O artista desenvolve, através do uso de palavras e intertextualidade, um trabalho carregado de significado. Através da arte correio ele pôde burlar a censura durante os anos 1970 dentro do Movimento Internacional de Arte Correio. As questões de original e cópia, muito presentes na arte contemporânea, também se tornam visíveis em trabalhos como Arte com firma reconhecida. Nos anos 1970, Bruscky também faz experimentações relacionadas ao corpo e novas tecnologias, inclusive da área médica, como o conjunto de obras Meu cérebro desenha assimSentimentos: Um poema feito com o coraçãoAutum Radium Retratum, entre outros. Seu pioneirismo também está inserido na fotolinguagem dos anos 1970, através de séries como Alto retratoDados biográficosO eu comigoAlimentAção e MinoPaulo.

Paulo Bruscky, Cópia conforma original, 2015. Foto: Divulgação.

Serviço
Exposição: "Di Paulos: retrospectiva de um artista múltiplo, arquivista de um Banco de ideias e que não pede permissão", individual de Paulo Bruscky.
Datas e horários: Abertura dia 23 de março de 2019, sábado, das 11h às 15h. Em cartaz até 18 de maio de 2019. De segunda à sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 15h.
Local: Carbono Galeria | Rua Joaquim Antunes, 59 - Jd. Paulistano, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.