AGENDA DAS ARTES

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Chico Tabibuia

Artistas: Chico Tabibuia

Curadoria: Thais Rivitti

De 20/3 a 18/5

Galeria Estação Ver mapa

Endereço: Rua Ferreira de Araujo,625 Pinheiros

Telefone: (11) 3813 7253

A partir de 20 de março Galeria Estação apresenta uma mostra individual de Chico Tabibuia com curadoria de Thais Rivitti. A exposição é uma oportunidade rara de se ver reunido um conjunto numeroso de obras de Chico Tabibuia, cuja produção celebrada vinda de mãos não eruditas, foi uma das pioneiras a habitar a cena da arte contemporânea atraída por críticos como Frederico MoraisMaria Alice Milliet e Emanoel Araujo. A mostra, com classificação indicativa de 14 anos, permanece em cartaz até 18 de maio de 2019 com entrada gratuita. A Galeria Estação promove ainda, no dia 29 de abril, às 19h, um bate-papo sobre a obra de Chico Tabibuia com a curadora Thais Rivitti e o artista Jaime Lauriano - a entrada no evento é franca.

Da esquerda para a direita: Chico Tabibuia, Exú Relógio, sem data. Escultura em madeira, 80 x 21 x 29 cm. // Chico Tabibuia, Saci, sem data. Escultura em madeira, 47 x 28 x 12 cm. // Chico Tabibuia, Saci, sem data. Escultura em madeira, 85 x 40 x 33 cm. Foto: João Liberato.

As esculturas de Francisco Moraes da Silva (1936-2007), nascido em Aldeia Velha, no município de Silva Jardim, mas registrado em Casemiro de Abreu, também no Rio de Janeiro, surpreendem pela força de suas representações. Frequentemente são configurações de imagens arquetípicas, que fundem o masculino e o feminino, cujos padrões fálicos, principalmente em seus Exus, imprimem a presença explícita de Eros. O tema da entidade teve origem ao artista frequentar um terreiro de Umbanda, dos 13 aos 17 anos, mas foi a partir de 1986, já como integrante da Assembleia de Deus, que viria a representá-la em suas várias faces e com grande frequência.

Tabibuia encontra seus exus, sacis, pretas velhas e animais embutidos na natureza, nos troncos e raízes de árvore. Da madeira maciça, sem encaixes, com raros acréscimos, nascem seus seres imaginários. Segundo Rivitti, o que o artista faz é menos inventá-los e mais encontrá-los, um modo análogo a um médium, numa sessão de umbanda, quando recebe um Exu. “Ao contrário do escultor moderno, Tabibuia revela o que já habita a sua matéria, os limites formais de suas obras estão dados a priori.”

Chico Tabibuia, Sem Titulo (cadeira), sem data. Escultura em Madeira, 104 x 57 x 75 cm. Foto: João Liberato.

A curadora destaca que as esculturas de Tabibuia chamam a atenção pelo erotismo e ao mesmo tempo aludem ao sagrado. “Não é apenas o falo das imagens que aponta vetorialmente para a frente ou para baixo, mas as esculturas, monolíticas e aprumadas como um todo apresentam a mesma rigidez do membro ereto. Somava-se a isso a certeza de que estamos diante de objetos de culto. Havia algo na presença dessas obras que, mesmo no interior do cubo branco da galeria, me falava do contexto religioso”, escreva Rivitti.

Ao se debruçar sobre a obra do artista, a curadora destaca que o desafio do trabalho de Tabibuia e de outros artistas neste momento atual do mundo da arte que parece querer dissolver fronteiras é de grandes proporções. “É necessário recusar categorias estanques e incluir o que já foi visto como 'arte popular' nas exposições de museus de arte contemporânea. Mas, para isso, é preciso repensar como as obras de Tabibuia operam (e como podem estar) dentro de museus e galerias. Necessário também recolocar a importância – para aqueles que vão conviver com seu trabalho – de se aproximarem do pensamento de matriz africana e indígena, pois tudo isso está em jogo e é relevante para sua compreensão de mundo. Há muito a ser feito, mas foi dada a partida para essa iniciação”, conclui.

Chico Tabibuia, Exu, sem data. Escultura em madeira, 115 x 57 x 64 cm. Foto: João Liberato.

Serviço
Exposição: Individual de Chico Tabibuia com curadoria de Thais Rivitti.
Datas e horários: Abertura dia 20 de março, às 19h. Em cartaz até 18 de maio de 2019. De segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h.
Local: Galeria Estação | Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros, São Paulo.
Classificação etária indicativa: 14 anos. Entrada gratuita.