AGENDA DAS ARTES

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Casa 7 no projeto

Artistas: Carlito Carvalhosa, Fabio Miguez, Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade

Curadoria: Eduardo Ortega

De 13/6 a 29/8

Pivô Ver mapa

Endereço: Ed. Copan, avenida Ipiranga, 200 - Centro

Telefone: (11) 3255-8703

O Pivô inaugura o programa “Fora da caixa” com a mostra coletiva “Casa 7 no Pivô”, entre os dias 13 de junho e 29 de agosto. A curadoria de Eduardo Ortega foca na produção, durante os anos de 1984 e 1985, dos artistas Paulo Monteiro, Nuno Ramos, Fabio Miguez, Carlito Carvalhosa e Rodrigo Andrade, que fizeram da casa número 7 de uma vila em Pinheiros, São Paulo, um ateliê compartilhado. O ateliê e o intenso convívio entre os artistas foi o ponto de partida para a criação de um grupo homônimo ao endereço na vila. A exposição abrangerá a época de consagração do Casa 7, que foi consequentemente os dois últimos anos de convivência desses artistas no mesmo espaço.

O grupo Casa 7 continua tendo grande relevância para a cena artística brasileira. Nos anos 80, o coletivo trouxe como proposta a reafirmação da pintura. Os jovens artistas vivenciaram um processo de formação pública: o que acontecia no ateliê era simultaneamente exposto, optando de forma corajosa e arriscada por mostrar tanto o acerto quanto o erro. Nas pinturas do Casa 7 podemos ver o processo aparente na obra, as marcas da fatura estão impressas no resultado final dos trabalhos. Esses artistas estavam interessados em uma pintura impulsiva e catártica, se opondo a uma arte discursiva tão em voga nos dias de hoje: a prática do fazer vinha antes da conceitualização dos trabalhos. O neo-expressionismo alemão foi uma forte influência, bem como o pintor norte-americano Philip Guston.

Um extenso denominador comum formou-se nas obras desses artistas, ainda que assinadas individualmente. A amplitude dessa fusão abarca desde a escolha de técnicas até o exercício de certa linguagem plástica: todos produziram pinturas em esmalte sintético sobre papel craft simultaneamente em 1984 e depois migraram para o óleo sobre tela no ano seguinte. Pode-se explicar que eram materiais mais baratos e acessíveis naquele momento, mas também é inegável que houve uma decisão comum intencional. Na mostra no Pivô, serão exibidos dois trabalhos (um esmalte sintético sobre papel craft e uma pintura sobre tela) de cada um dos cinco integrantes.

Exibir a produção da Casa 7 torna-se ainda mais relevante quando se pensa sobre a questão da autoria, assunto recorrente na prática contemporânea. Por fim, vale ressaltar a reafirmação da pintura de emplastro que o Casa 7 tomou para si, mesmo sob a pressão de um contexto artístico nacional que caminhava para outra direção. Esses jovens artistas não se propuseram a desdobrar o projeto construtivista brasileiro, nem tampouco responder à tradição da arte concreta, ou neo-concreta. Também não deram continuidade às práticas conceituais e políticas versadas no país, mas apresentaram uma vertente independente e um poética própria.

Além de hospedar o grupo homônimo, a Casa 7 funcionou também como ponto de encontro frutífero de uma geração de escritores, cineastas, músicos e outros artistas, que se permeavam. Foi um dos mais importantes centros germinadores de cultura da cidade de São Paulo no anos 80 e sua influência se nota até hoje.

Casa 7
A origem do Casa 7 se dá em 1982, quando um grupo de amigos do Colégio Equipe decidiu usar como ateliê a casa desalugada da mãe de um deles: a casa de número 7, dentro de uma vila na rua Cristiano Viana, no bairro de Pinheiros. Os integrantes desse ateliê eram originalmente Rodrigo Andrade, Paulo Monteiro, Carlito Carvalhosa, Fábio Miguez e Antonio Malta, que se desligou do ateliê em 1983, quando entrou Nuno Ramos. De 1982 a 1985, os artistas expõem como grupo no Paço das Artes, Museu de Arte Contemporânea da USP, Centro Cultural São Paulo, Galeria Subdistrito, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e 18ª Bienal Internacional de São Paulo.

Sobre o Programa Fora da Caixa
O programa Fora da Caixa revisita obras ou projetos artísticos que foram mostrados no passado e agora permanecem guardados em acervos públicos ou privados. Procura-se assim investigar a produção artística dos últimos 50 anos e refletir sobre sua influência na atualidade, promovendo interlocuções possíveis com o panorama da produção contemporânea recente. A cada edição um curador é convidado para se encarregar da pesquisa e reapresentação desses trabalhos históricos no Pivô. Essa proposta possibilita novamente seu contato com o público, que os reencontra em outro contexto ou os descobre pela primeira vez. Ao exibir esses trabalhos simultaneamente à produção contemporânea recente no ambiente do Pivô, relações intergeracionais são promovidas naturalmente e espera-se que, a partir dessa fricção ou sinergia, possibilidades de pesquisa e pensamento crítico sejam abertas.

Serviço:
Exposição: “CASA 7”, com Carlito Carvalhosa, Fabio Miguez, Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade.
Datas e horários: de 13 de junho a 29 de agosto; de terça a sexta-feira, das 13h às 20h; sábados das 13h às 19h.
Entrada franca e livre
Mais informações: www.pivo.org.br