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BR 122: notícias de viagens à caatinga e Julio Plaza: sem prazo de validade

Artistas: Mabe Bethônico e Julio Plaza

Curadoria: Ana Paula Cohen e

De 3/9 a 3/11

Galeria Marilia Razuk Ver mapa

Endereço: Rua Jerônimo da Veiga, 131 - Itaim

Telefone: (11) 3079-0853

BR 122: notícias de viagens à caatinga
“Estava em Genebra percorrendo a caatinga num texto em francês; a distância geográfica somava-se aos contrastes de tempo à minha janela e criava cenários imaginários. Eu trabalhava sobre a floresta branca brasileira, seca, plana ou ondulada, quente, e, lá fora, as montanhas de neve úmida ou o vento frio constante de Genebra. Eu buscava dias iguais, mas eles não coincidiam, quem sabe a mesma luz, um mesmo céu limpo.” O contato pela dissonância que guiou a busca e a releitura feitas pela artista Mabe Bethônico a partir da obra do geólogo e engenheiro Edgar Aubert De La Rüe (1901-1991), em sua expedição pela caatinga brasileira, é tema da mostra BR 122: notícias de viagens à caatinga, que a galeria Marília Razuk abre no dia 3 de setembro.

Fotografia registrada por Edgar Aubert de la Rüe em sua expedição

Em missão da Unesco, Aubert De La Rüe realizou sua expedição pela caatinga brasileira nos anos 1950, em busca de minérios. Encontrou muito mais do que procurava: uma diversidade cultural e popular – marcadas pelo artesanato, feiras de rua, plantas e paisagens – que modificou não apenas sua viagem, como também sua visão do Brasil. Caminhando por um Nordeste desigual, miserável e seco, a experiência proporcionou ao geólogo a visão de um país dividido: o Novo Brasil,  que se urbanizava, desenvolvia e internacionalizava, em contraponto com um velho Brasil de modos, valores e condições arcaicas de existência. A experiência gerou o livro Brésil Aride - La vie dans La caatinga/ Árido Brasil – A vida na caatinga, hoje fora de circulação, mas que é retomado pela artista no livro “De como Mabe Bethônico percorreu a caatinga na Suíça”, publicado pelas Edições Capacete-RJ em 2013.

A artista realizou sua pesquisa de três maneiras: na tradução do livro de Aubert de La Rüe, na pesquisa em arquivos sobre o geólogo e numa nova expedição, percorrendo os mesmos caminhos, vendo as transformações da caatinga nos últimos anos – e a manutenção dos mesmos problemas de sempre.

Disso nasce a exposição da artista, com curadoria de Ana Paula Cohen, que criará, no espaço da galeria MariliaRazuk, uma construção modular de ilhas de conteúdo, para abordar a complexidade das questões que inquietaram o autor, buscando atualizá-las com conteúdos de novas fontes criadas e levantadas pela artista. O trabalho apresenta esse ‘personagem’ viajante, que se debruçou particularmente sobre algumas questões: os mercados de rua e o turismo, as ilhas, os ventos e os vulcões, por exemplo. A exposição é uma navegação por interesses de um indivíduo, para a construção de outros mundos de imaginação. 

 

Julio Plaza: sem prazo de validade

"O artista verdadeiramente revolucionário não se enquadra em nenhuma ideologia.”
Assim escreve o artista com giz branco sobre um quadro negro, em um de seus vídeos experimentais. O posicionamento de Júlio Plaza (1938-2003) pode ser visto como uma prática artística pioneira, com uma clara intenção provocativa. A definição de Plaza reflete perfeitamente a sua obra, uma das mais contestadoras da cena brasileira pós-anos 1950. Como afirma a curadora Inês Raphaelian, o artista articula a trama passado-ícone, presente-índice e futuro-símbolo para elaborar formas e estratégias de operar o passado para projetar o presente sobre o futuro. 'O velho tanque', "Depois de Lichtenstein e Vasarely”, 'brasilpaísdofuturoboros', são algumas das obras da mostra Julio Plaza: sem prazo de validade, que a galeria Marília Razuk abre no sábado, 3 de setembro.

Julio Plaza: La Diferencia, Limpa

A mostra
Julio Plaza: sem prazo de validade terá como grande destaque a remontagem da instalação 'La diferencia', que o artista apresentou na XVI Bienal Internacional de São Paulo, em 1981. Crítica-síntese, a obra é um dos pontos altos da trajetória criativa de Plaza, por meio da qual questiona os meios, o processo, a produção, o mercado, a autoria, a crítica, a instituição e tudo o que envolve arte e cultura no contexto em que se realizam.

As obras selecionadas buscam sintetizar a busca de Plaza por abarcar um campo de múltiplos sentidos, estabelecendo essa relação de imbricamento entre passado, presente e futuro: o vir a ser o que foi e será o que havia sido.

O artista
Espanhol nascido em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Julio Plaza iniciou seus estudos em arte no final dos anos 1950, na Escola de Belas Artes de Paris. Veio ao Brasil, pela primeira vez, em 1967, integrando a comitiva espanhola da IX Bienal de Arte de São Paulo. Radicou-se no Rio de Janeiro, como bolsista do Itamaraty na Escola Superior de Desenho Industrial – ESDI. Em 1973, muda-se para São Paulo, onde se torna professor da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP e da Universidade de São Paulo – USP. Em 1981, participa da Bienal de São Paulo com a obra La Diferencia. Morre em 2003, em São Paulo.

Serviço:
Galeria Marília Razuk
SALA 1 - BR122: notícias de viagens à caatinga
SALA 2 - Julio Plaza: sem prazo de validade
Abertura para convidados: sábado, 3 de setembro, das 12h às 20h
Período expositivo: de 3 de setembro a 3 de novembro